União entre a MAN e a Volks será oficializada em outubro

O investimento, nesses tempos bicudos de crise internacional, serão bancados integralmente pela unidade brasileira, com opções de financiamento junto ao BNDES

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Na edição de 2009 da próxima feira nacional de transportes, a Fenatran (que acontece de 26 a 30 de outubro no Anhembi, em São Paulo), o casamento das linhas da Volkswagen Caminhões e Ônibus e da sua controladora a alemã MAN será oficializado. Pela primeira vez , desde dezembro de 2008 quando a MAN comprou o controle da Volks Caminhões do Brasil, serão mostrados os caminhões da linha de extrapesados MAN TGX e os TGS . Inicialmente eles serão importados da Alemanha pelos 203 distribuidores e concessionárias da linha de caminhões e ônibus da Volkswagen na América Latina, sendo que 144 deles no Brasil. Segundo Roberto Cortes, o presidente das operações Volks/MAN para a América Latina, há cerca de um ano os 500 engenheiros da Volks do Brasil estão estudando as adaptações necessárias para “nacionalização não inferior a 60%”, para serem montados na fábrica de Resende (RJ). Essa nova etapa, de trabalhar com duas marcas para caminhões e ônibus da Volkswagen alemã, vai exigir um volume de investimentos até 2013 de R$ 1 bilhão especialmente em de Resende. “Nós acabamos de fechar um ciclo de investimentos de R$ 1 bilhão, porque na separação da Volks com a Ford, na antiga Autolatina, a nossa área ficou sem teto. A Ford ficou com a fábrica de caminhões. Nossa opção foi fazer uma unidade novinha que se tornou a operação mais moderna na produção de caminhões do grupo hoje no mundo”, explica Roberto Cortes.

O investimento, nesses tempos bicudos de crise internacional, serão bancados integralmente pela unidade brasileira, com opções de financiamento junto ao BNDES, que já é parceiro da Volks, a juros de longo prazo. Pelo menos a metade do valor projetado até 2013 são para as linhas da MAN, incluindo a campanha de publicidade para o lançamento de nova marca na América Latina (o grupo optou por chamá-la de MAN na região e não soletrando as letras como acontece na Europa)

Das linhas da Volkswagen a que receberá mais investimentos é a dos comerciais leves urbanos, como a linha Delivery, com dois novos modelos (carga leve e para bebidas) e a Linha Worker, também urbanos, para a área de construção civil (modelos com betoneiras e outras especificações do setor), além de caminhões para coleta de lixo com compactadores. Na linha best-seller da Volks no Brasil , a linha Constelation, também tem investimento com a nova versão VW Tractor com transmissão automática. Todos esses modelos da Volks serão exibidos em avant premiere na Fenatran.

A Volkswagen é a líder latino-americana na venda de caminhões. No Brasil ela detém praticamente um terço do mercado, graças a um modelo de produção onde os fornecedores parceiros de Resende, como a Maxion e AKC assumem a parte de linha de montagem nas quais suas peças lideram e com isso, o custo de produção é otimizado. No ano passado a participação da Volks subiu de 30,5% nesse segmento para 30,7% e a notícia que Cortes mostrou aos seus chefes na Alemanha é invejável para o período. Em 2009, a Volks já detém 31,9% do mercado até agosto e a projeção é encerrar o ano com 32%, com 53 mil unidades vendidas. “O governo Lula foi rápido e nos ajudou muito, foi um remédio certo na hora certa essa isenção de IPI, seguida da redução das taxas de juros, aumento da liquidez na economia e o programa Pró-Caminhoneiro que financia os autônomos a trocar de veículo. A questão agora é como será em 2010, mas isso fica para depois, por enquanto temos o IPI até 31 de dezembro deste ano, ajudando nas vendas doméstica”, disse o executivo.

Em agosto a Volks Caminhões e Ônibus vendeu 9.481 unidades, cerca de 15% abaixo dos recordes do mesmo período em 2008, antes da crise. “Mas só estamos em média 15% abaixo nas vendas, que chegaram a cair 50% em dezembro do ano passado, no auge da crise no setor”, afirma Cortes.

Este ano as vendas nacionais de caminhões devem fechar com 65,512 mil unidades contra as 81.235 mil de 2008, ainda assim bem acima de 2007, quando foram vendidas 61.512 unidades. (Márcia Raposo-DCI)

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