Rota é a 2ª para MT

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Itacoatiara, só perde para os embarques feitos via Santos (SP), que transportou este ano 4,45 milhões de toneladas de soja

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Com 901,91 mil toneladas de soja transportadas até junho deste ano, o porto de Itacoatiara, no Amazonas, já se desponta como a segunda rota mais utilizada pelos mato-grossenses para escoar seus produtos até aos portos da Europa, atrás apenas de Santos (SP). O volume fica muito próximo de todo o grão que foi escoado durante todo ano passado, pouco mais de 1,2 milhão de toneladas. Caminho ao norte do país proporciona economia com frete de cerca de 20%, em relação aos custos para embarques feitos via portos do Sul.

De acordo com dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), órgão vinculado à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Famato), Itacoatiara, só perde para os embarques feitos via Santos (SP), que transportou este ano 4,45 milhões de toneladas de soja. Paranaguá, no Paraná, ficou com 738 mil toneladas e, Santarém (PA), 336 mil toneladas.

No ano passado, das mais 8,6 milhões de toneladas embarcadas, 48% saíram por Santos (SP), 15% por Itacoatiara (AM), 12% por Vitória (ES) e 10% por Santarém (PA).

A soja que está saindo via porto de Itacoatiara está concentrada basicamente nas regiões oeste e noroeste do Estado, como Sapezal, Campos de Júlio, Campo Novo e Comodoro. A produção percorre cerca de 900 quilômetros por caminhão até Porto Velho (RO), de lá segue pela hidrovia do rio Madeira até Itacoatira (AM) ou Santarém, no Pará, e a partir daí avançando pelo rio Amazonas ao Atlântico com destino aos portos europeus.

“Com esta rota temos uma significativa redução nos preços do frete”, analisa o vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja/MT) para a região leste e também coordenador da Comissão de Logística da entidade, Marcos Rosa. Segundo ele, o ganho está na intermodalidade de transporte e na redução da distância até os portos do Atlântico, já que para chegar a Santos as carretas percorrem 2,5 mil quilômetros, tomando-se por referência a região de Sorriso (420 quilômetros ao norte de Cuiabá), cidade que detém a maior área cultivada do mundo, com mais de 600 mil hectares reservados à produção da oleaginosa.

Atualmente, segundo ele, os produtores mato-grossenses pagam de R$ 10 a R$ 13,50 por saca de 60 quilos de soja transportada até aos portos de Santos e Paranaguá, dependendo da localização. No caso da região leste, o custo do frete sobe para até R$ 13,50/saca. Por Itacoatiara, o custo com frete diminui significativamente, propiciando um ganho para o produtor. A média é um frete na casa dos US$ 100 por tonelada.

ROTA – “É importante ganharmos novas saídas de escoamento da produção, pois precisamos reduzir os custos do frete e tornar a nossa soja mais competitiva no mercado internacional”, afirma gerente técnico da Aprosoja/MT e agrônomo, Luís Nery Ribas. Ele diz que hoje o porto de Paranaguá “deixou de ser uma boa opção” para os produtores mato-grossenses com lavouras nas regiões oeste e noroeste do Estado.

“Com a busca de melhorias pelo transporte modal, vamos abrir novas saídas para a soja, otimizando o transporte, ganhando tempo e reduzindo custos. A busca é na renda, e uma das formas é melhorar as alternativas de escoamento”, disse, lembrando que o produtor deve avaliar o que é melhor para ele em termos de frete.

Da Rosa explica que a saída por Itacoatiara e Santarém possui vantagens comparativas em relação aos portos de Santos e Paranaguá. “Temos um custo logístico melhor, porém há limitações quanto à navegação no Madeira e Amazonas em alguns períodos de ano”, diz.

Entre as vantagens, além dos custos menores, está o desembaraço alfandegário e agilidade no embarque das mercadorias. “O escoamento é mais ágil, pois todo o desembaraço é feito pela própria trading que faz o transporte da soja”, como o Grupo André Maggi, que escoa para Itacoatiara, e a multinacional Cargill (Santarém).

O dirigente lembra que os portos de Itacoatiara e Santarém abrem acesso para o escoamento da soja de outras regiões, como Diamantino, Tangará da Serra e Brasnorte. “Por enquanto, esta rota ainda está divida nas regiões norte, médio norte, noroeste e oeste. Mas com a melhoria da infraestrutura rodoviária, ela se tornará mais eficiente e competitiva”.

O PORTO – Situado a 200 quilômetros de Manaus, o porto de Itacoatiara é uma obra conjunta do governo do Amazonas com o mato-grossense Grupo André Maggi e teve um custo total de R$ 28 milhões. No terminal, transatlânticos de até 60 mil toneladas são carregados a uma velocidade de 1,5 mil toneladas/hora, sem filas de espera como ocorre nos portos do Sul do País. As instalações do porto de Itacoatiara, no entanto, estão projetadas para um movimento de dois milhões de toneladas de grãos por ano.

“Com o novo porto, vamos aumentar nosso papel como exportador. O porto e a hidrovia são o ponto de partida de um novo ciclo de desenvolvimento do Estado”, prevêem os exportadores.

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