Financiamento e transporte desafiam aumento do comércio para a África

A maior presença de produtos brasileiros na África, no entanto, tem dois grandes desafios: aumentar a disponibilidade de crédito para exportação brasileira, para a importação africana e para financiamento de projetos; e melhoria da conectividade com o continente, por meio dos transportes marítimo e aéreo

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O comércio do Brasil com o continente africano tem crescido sistematicamente nos últimos tempos e pulou em cinco anos de US$ 5 bilhões para US$ 26 bilhões. No Senegal, por exemplo, a corrente de comércio (extremamente favorável ao Brasil) cresceu 534% de 2002 para 2008 (atingindo US$ 184 milhões).

A maior presença de produtos brasileiros na África, no entanto, tem dois grandes desafios: aumentar a disponibilidade de crédito para exportação brasileira, para a importação africana e para financiamento de projetos; e melhoria da conectividade com o continente, por meio dos transportes marítimo e aéreo.

“Temos que melhorar as conexões aéreas e marítimas e precisamos ter instrumentos de crédito mais dinâmicos. A vontade de fazer compras no Brasil é grande, temos que saber aproveitar”, assinala Luís Fernando Serra, embaixador no Brasil em Gana.

Linhas de transporte e de financiamento também preocupam o diretor do Departamento da África no Itamaraty, Fernando Simas Magalhães. Segundo ele, não há linha mercante entre o Brasil e a África.

A limitação torna as vendas brasileiras dependentes de transportadores estrangeiros com rotas mais escassas para a África. Segundo Magalhães, o problema é que três ou quatro operadoras fora do controle brasileiro levam os conteineres nas rotas de maior rentabilidade.

Além do transporte, Simas Magalhães destaca a questão do crédito. Segundo ele, a missão de empresários à África Subsaariana pode ser uma oportunidade para entender “toda a mecânica” do financiamento.

Ele questiona a “restrição tão forte” aos créditos brasileiros. “O que tem hoje funcionando de forma eficaz em crédito para o mercado africano?”.

Para Eduardo Moraes, gerente da Latinex, trading (empresa de exportação e importação) que atua em 15 países da África, o crédito é um fator essencial.

“Por muito tempo, a gente não conseguiu entrar. Como é que íamos fazer negócio se não conseguíamos obter crédito barato no Brasil?”.

Segundo o executivo, o Brasil tinha “desvantagem história” em relação à concorrência européia. “As tradings da Europa tomavam crédito oficial barato e com prazo de até 120 dias para pagar”, lembra ao dizer que a crise econômica nos países desenvolvidos trouxe equilíbrio às condições de financiamento.

Alessandro Teixeira, presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), admite as dificuldades, mas já vê mudanças a curto prazo.

“À medida que for melhorando o comércio nós teremos não somente a pressão empresarial, mas a própria pressão dos compradores africanos para que tenha linhas de financiamento”, assegura, lwembrando que quando o comércio era inexistente não havia razão para desenvolver mecanismos que facilitassem o comércio.

Segundo Teixeira, já estão disponíveis linhas aéreas regulares para a África do Sul, Angola e outra com destino à Turquia com Escala em Senegal. “Isso só vai melhorar quando houver um volume maior de comércio entre o Brasil e a África”, tem esperança.

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