Impasse entre consórcio e Estado compromete terminal de Itajaí

O superintendente do Porto de Navegantes, Osmari de Castilho Ribas, afirma que a situação é terrível para todo o Vale de Itajaí já que a movimentação econômica da região é baseada nos portos, inclusive a geração de empregos

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Quase seis meses se passaram desde a ocorrência das enchentes de novembro do ano passado e o rio Itajaí Açu, que serve de canal de acesso a dois portos em Santa Catarina, o de Itajaí e o de Navegantes, ainda não voltou a apresentar o calado de 11 metros, verificado antes da tragédia climática. O impasse continua e não há previsão de retomada da dragagem já que o consórcio Draga Brasil, responsável pelos trabalhos, afirma que concluiu o serviço e a Secretaria Especial dos Portos (SEP) não concordou em fazer um aditivo no contrato para que mais sedimentos fossem retirados do fundo do rio. Este aditamento significaria mais R$ 8 milhões para retirar um milhão de metros cúbicos. O contrato inicial foi orçado em R$ 17,5 milhões.

O superintendente do Porto de Navegantes, Osmari de Castilho Ribas, afirma que a situação é terrível para todo o Vale de Itajaí já que a movimentação econômica da região é baseada nos portos, inclusive a geração de empregos.

Segundo Ribas, Navegantes restabeleceu a quantidade de navios que operava antes das enchentes, que era em torno de 50 por mês, mas não recuperou a quantidade de carga devido ao calado de 10 metros. “Chegamos a operar com nove metros em janeiro e fevereiro”. Ribas diz que o faturamento caiu pela metade. “Acabamos operando muitos contêineres vazios”. A câmara frigorificada, estrutura nova, recém inaugurada, também sofre limitação porque muitas vezes armazena a carga em Navegantes e a expede por outros portos.

Dragagem insatisfatória – “Por vários motivos a execução da dragagam não foi satisfatória e o consórcio não conseguiu levar o calado para os 11 metros. Imagino que era absolutamente conhecida as condições do rio. Quem entra numa licitação deste porte com esta responsabilidade deve avaliar os riscos”, disparou o executivo.

O superintendente do Porto de Itajaí, Antônio Aires dos Santos Júnior, afirma que o processo de dragagem não deu o resultado esperado pela Draga Brasil. “Eles não conseguiram tirar o material do fundo do rio no tempo prometido”. Inicialmente, o projeto previa 120 dias para que a dragagem restabelecesse os 11 metros, mas o consórcio afirmou que faria o serviço em 75 dias. O prazo não foi cumprido. Estabeleceram então o prazo contratual limite do prazo, de 120 dias que venceu dia 20 de abril. No final do mês passado pediram novo prazo, de 30 dias, mas a SEP não concordou no aditamento do contrato que implicava no desembolso de mais R$ 8 milhões.

O metro de calado que falta é significativo para a produção do porto, diz Santos Júnior. Segundo ele, cada navio que atracava com 800 contêineres em média, agora estão com 400, a metade da capacidade. “Tivemos uma queda de 20 mil contêineres por mês, equivalente a uma receita de R$ 20 milhões por mês que deixou de entrar na economia da cidade”, afirma o superintendente do porto de Itajaí. Junto a SEP, há projetos dos portos de aprofundamento de calado para 14 metros para análise e enquadramento no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Já a perda de movimentação do porto de São Francisco do Sul provocada pela crise foi compensada pela absorção de parte das cargas de Itajaí, diz o presidente do porto, Paulo Corsi. Metade da movimentação é de cargas a granel e a outra parte de carga geral e contêiner (300 mil TEUs/ano). No ano passado, movimentou quatro milhões de soja a granel. “Este ano devemos superar este volume, com crescimento de até 15%”, diz Corsi. São Francisco espera a execução de investimentos de R$ 100 milhões para dragagem do calado de 12 metros para 14 metros e R$ 30 milhões na retificação de mais um berço. Os recursos são do PAC.

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