Endividados e sem serviço, caminhoneiros vivem desespero

Sem carga para transportar, há mais de três mil caminhões com parcelas de financiamento atrasadas em Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Sindcargas (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas)

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Caminhoneiros autônomos de Mato Grosso do Sul vivem situação de desespero por falta de serviço, desde que a crise internacional começou a produzir efeitos.

Sem carga para transportar, há mais de três mil caminhões com parcelas de financiamento atrasadas em Mato Grosso do Sul, segundo levantamento do Sindcargas (Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas) e o mais grave é que muitos veículos estão rodando nas rodovias do Estado sem manutenção básica e até com pneus carecas.

Outro dado que sinaliza essa situação é a redução de 13% na comercialização de óleo diesel por postos de Mato Grosso do Sul. Isso significa, em volume, 36,5 milhões de litros a menos no primeiro trimestre deste ano comparado ao mesmo período de 2008.

Sem luxo – O caminhoneiro Lucas Leite, de 28 anos, afirma que dentro de casa teve que cortar “regalias” como iogurte e refrigerante, aos filhos, de 6 e 7 anos. As parcelas de financiamento do caminhão custam R$ 3,2 mil.

Lucas afirma que muitos caminhoneiros estão dispensando a contratação dos chapeiros para descarregar a carga e estão eles mesmos fazendo isso, para garantir de R$ 100,00 ou R$ 150,00 a mais no orçamento. Ele conta que na última semana foi entregar uma carga em São Paulo e ficou quase uma semana parado, à espera de outra carga para voltar a Campo Grande.

“Hoje estava conversando por rádio com um caminhoneiro. Ele estava chorando. Ficou parado na estrada (próximo de Campo Grande) porque o caminhão quebrou e não tem como pagar o conserto para voltar para casa”, relata. Lucas, que é caminhoneiro há 5 anos, afirma que pensa em vender o veículo: “Pensar em passar para a frente a gente pensa. Mas quem quer comprar?”

Com o dinheiro justo para pagar as parcelas, a manutenção fica comprometida. “A gente só faz o remendo do pneu, não tem como trocar. É remendo em cima de remendo”, afirma.

Crise – O relações públicas do Sindcargas, Roberto Sinai, afirma que somente na rota de Corumbá, com a suspensão de atividades da MMX, 300 caminhões ficaram sem frete. O grupo retomou somente as atividades de mineração, há uma semana. “Tivemos também a seca que acabou com as lavouras no Sul do Estado e com a crise mundial as exportações foram lá embaixo. A categoria está super sofrida, estamos trabalhando apenas para o sustento”, diz Sinai

Ele reforça que os caminhões estão rodando sem seguro e sequer manutenção preventiva. “Temos visto pneu careca, no arame”, alerta, ressaltando que o preço de cada pneu é de cerca de R$ 1,5 mil e por troca é preciso substituir de dois a quatro pneus.

As parcelas de financiamento oscilam de R$ 3 mil, para semi-novos, a R$ 9 mil, para novos. Sem ter como pagar os financiamentos, muitos já deixaram os veículos consignados e as garagens estão abarrotadas, afirma Sinai. “A categoria está vivendo hoje dias de desespero”, diz.

Sinai afirma que muitos caminhoneiros antes eram empregados de transportadoras e, com a possibilidade de financiamento, encontraram a oportunidade para realizar o sonho de ter o próprio caminhão. Agora amargam os efeitos da crise. Ele ressalta que não há sequer o alento de poder voltar a trabalhar para transportadoras, porque muitas já se retiraram do mercado e não há vagas.

O setor cobra respostas do governo federal. “Hoje o País tem 100% de autonomia de produção. O diesel não poderia estar acima de R$ 1,50 o litro e pagamos R$ 2,20”, diz Sinai. O preço do diesel encarece o frete e torna a produção menos competitiva.

Mato Grosso do Sul tem cerca de 40 mil transportadores autônomos. No País,cerca de 60% da produção são escoados pelo transporte rodoviário.

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