Chance de concordata da Chrysler é de 90%

O mais provável resultado do pedido de concordata da Chrysler seria a aquisição de algumas fábricas e marcas por montadoras, incluindo a Fiat, disse Michael Robinet, diretor de previsão global da CSM Worldwide em Northville, Michigan

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A Chrysler tem uma probabilidade de 90% de entrar em concordata (segundo as leis americanas) à medida que o tempo fica menor em relação ao prazo de 30 de abril para que a companhia reduza a dívida e complete uma aliança com a italiana Fiat, disse um analista da indústria.

O mais provável resultado do pedido de concordata da Chrysler seria a aquisição de algumas fábricas e marcas por montadoras, incluindo a Fiat, disse Michael Robinet, diretor de previsão global da CSM Worldwide em Northville, Michigan.

“Ninguém tem uma boa idéia sobre o que vai ficar da terceira maior montadora dos Estados Unidos, uma vez que ela entre em concordata”, disse ontem Robinet em um discurso em Detroit.

A Chrysler, sustentada por US$ 4 bilhões em empréstimos federais, deve liquidar a maior parte das dívidas, obter um novo acordo com trabalhadores dos Estados Unidos e finalizar a aliança com a Fiat este mês para se qualificar para a obtenção de US$ 6 bilhões em empréstimos adicionais. Sem o dinheiro, os funcionários da Chrysler disseram que a empresa vai provavelmente pedir concordata e vender os ativos por preços baixos.

A possibilidade de uma reestruturação bem-sucedida ficou menor ontem depois que os financiadores da Chrysler ofereceram um plano de redução de dívida que foi rejeitado pelo Tesouro. As metas estabelecidas pela administração Obama são quase impraticáveis, disse Robinet.

A Fiat, que já está trabalhando com a Chrysler para se preparar para a aliança, provavelmente teria uma vantagem sobre outros licitantes em relação aos ativos em uma venda dentro da concordata, disse Robinet. As minivans e a marca Jeep da Chrysler podem atrair compradores, disse ele.

“Conforme seguimos em frente nesse processo, acreditamos que seja importante manter todas as opções abertas”, disse ontem em um comunicado Shawn Morgan, porta-voz da Chrysler.

“Esperamos poder chegar a uma conclusão que o Tesouro dos Estados Unidos e a administração considerem apropriada dadas as diretrizes que têm sido estabelecidas”.

Os financiadores proprietários de US$ 6,9 bilhões em empréstimos garantidos fizeram ao Tesouro uma proposta de redução da dívida da Chrysler em 35% em troca de uma participação de 40%, disseram fontes familiarizadas com com as conversações. A Cerberus Capital Management é proprietária de 80,1% da Chrysler, que tem sede em Auburn Hills, no estado de Michigan, enquanto a Daimler, ex-empresa controladora, é dona do resto.

Um funcionário da administração do presidente Barack Obama disse anteontem que a oferta propunha um retorno injustificado para os financiadores e pedia a eles para “tomar um posicionamento mais construtivo”.

A proposta também pede à Fiat que faça uma contribuição à vista para sua aliança proposta com a Chrysler, algo que a montadora europeia repetidas vezes disse que não faria.

A Chrysler ainda deve chegar a um acordo com o sindicato United Workers Union (UAW) para reduzir os custos trabalhistas e diminuir suas obrigações em relação a um fundo de assistência médica a aposentados.

“Continuamos a trabalhar em direção a um acordo que estará nos melhores interesses dos trabalhadores da Chrysler, dos aposentados e das comunidades onde a companhia faz negócio”, disse em uma comunicado via e-mail Ron Gettelfinger, presidente do UAW.

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