Holanda destaca potencial hidroviário

A experiência holandesa em logística e as possibilidades de investimentos nessa área no Rio Grande do Sul foram o foco do seminário realizado ontem no Centro de Convenções da Fiergs

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Uma comitiva do país europeu explicou os motivos e as ações que tornaram a Holanda no oitavo principal centro comercial do planeta, onde 30% da força de trabalho atua na área de comércio e logística.

A visita dos europeus faz parte da missão governamental e empresarial que acompanha o ministro dos Transportes, Obras Públicas e Manejo da Água da Holanda, Camiel Eurlings, que realizou ontem uma visita ao porto do Rio Grande, onde viu o Terminal de Contêineres (Tecon) e o dique seco, em fase de ampliação pela empresa WTorre. No ano passado, Eurlings, juntamente com a governadora Yeda Crusius, assinou em Haia uma carta de intenções entre o Rio Grande do Sul e o ministério holandês. O acordo previa a realização, pelos holandeses, de um Plano Diretor para o setor de portos e hidrovias gaúcho, através de estudos realizados pelo complexo do porto de Amsterdã (Amports) e pelo Instituto de Educação e Pesquisa na Área de Transporte (NEA). Como resultado, os consultores holandeses Wim Ruijgh e Harrie de Leijer fizeram duas missões técnicas ao Estado, em setembro e dezembro de 2008, para detalhar o diagnóstico e as proposições para o desenvolvimento do setor hidroviário.
Segundo o coordenador do Conselho de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiergs, Cezar Muller, a parceria com os holandeses deve gerar importantes resultados para o Rio Grande do Sul, principalmente em relação à reestruturação da rede de transporte do Estado. “Temos um grande potencial se readequarmos o porto da Capital e aproveitarmos o que já existe em regiões como Lajeado e Estrela”, afirmou. Muller também lembrou que o Estado já sofreu prejuízos com exportações em alguns períodos devido ao fato que o porto do Rio Grande não dava mais fluxo ao movimento de cargas. “Por isso precisamos pensar em investimentos em infraestrutura, e através deste projeto em conjunto com a Holanda poderemos construir um modelo moderno de logística”, apontou.

Os holandeses estão otimistas em relação às possibilidades hidroviárias do Estado. “Estamos conversando com o governo federal se podemos ajudar no desenvolvimento de projetos. O Rio Grande do Sul tem um território tão grande quanto a Holanda, e podemos entender seus problemas e o que precisam para melhorar sua economia”, lembrou Sandra Van Putten, consultora senior da ENA.

Para o presidente da Câmara Internacional dos Transportadores e Distribuidores Holandeses, Dirk’t Hooft, o Rio Grande do Sul apresenta muitas oportunidades de negócios para investidores europeus. “Vocês possuem diversos produtos industriais e agrícolas procurados no mercado mundial, além de uma posição estratégica para o comércio no Mercosul”, analisou. Hooft também afirmou que já existem muitas companhias holandesas interessadas em investir no Rio Grande do Sul, especialmente em obras do PAC relacionadas à logística. “Este Estado possui muitas conexões interessantes, mas o transporte hidroviário pode criar mais possibilidades, pois é mais eficiente para cobrir longas distâncias”, disse.

As possibilidades de incrementar a rede hidroviária gaúcha foram ressaltadas pelo diretor-superintendente da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), Gilberto Cunha. “Temos 930 quilômetros de rios já navegáveis, e um com potencial de atingir 2,2 mil quilômetros”, lembrou. Segundo Cunha, o know-how holandês seria de extrema importância para a modernização dos transportes fluviais no Estado. “O último plano hidroviário que tivemos data de 1961, então essa parceria com a Holanda nos ajudaria a desenvolver o futuro da utilização dos rios e lagos gaúchos”, afirmou.

Governo do Estado retoma dragagem nas hidrovias gaúchas

O governo do Estado, através da Superintendência de Portos e Hidrovias (SPH), iniciou os serviços de dragagem para manutenção do calado oficial (17 pés) no Canal do Furadinho, um dos principais canais de acesso ao Terminal de Santa Clara (Copesul), após a obtenção das licenças de operação do órgão ambiental e autorização da Marinha do Brasil.

Os serviços estão sendo executados com equipamentos, pessoal e recursos da autarquia estadual. A dragagem se desenvolve em um trecho de 200 metros de extensão do canal, com 50 metros de largura e 6 metros de profundidade. A draga de sucção e recalque realiza os trabalhos, juntamente com outras embarcações de apoio, com previsão de término num prazo de 15 dias.

Segundo o diretor-superintendente da SPH, Gilberto Cunha, com o término dos serviços, as embarcações que demandam ao Terminal de Santa Clara, voltam a utilizar sua capacidade de transporte de carga, que vinha sendo reduzida por medida de segurança, em razão de que vinham encontrando pontos de alto fundo, que poderiam por em risco a segurança da navegação. O próximo segmento a ser dragado é o rio Gravataí.

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