“Petrobras persiste no erro”, diz Grajew

"Passado o momento emocional, a Petrobras deveria se engajar num projeto de produzir o combustível de melhor qualidade para a saúde pública", afirmou Grajew

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O presidente do conselho do Instituto Ethos, Oded Grajew, afirmou que a Petrobras deveria fazer uma “profunda reflexão” e admitir seu erro na questão da produção de um diesel mais limpo. “Passado o momento emocional, a Petrobras deveria se engajar num projeto de produzir o combustível de melhor qualidade para a saúde pública”, afirmou.

Grajew lamentou o anúncio da saída da Petrobras do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. A mobilização pela produção de um diesel com menor teor de enxofre foi liderada pelo Movimento Nossa São Paulo, presidido por Oded Grajew que também é presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos.

Grajew – que não foi citado nominalmente no comunicado – afirmou não entender por que o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, está irritado com a sua atuação em busca de um diesel mais limpo. “Não é papel só meu cobrar por um combustível mais limpo”, disse. “É obrigação de todo e qualquer cidadão brasileiro”, afirmou. Grajew afirma que a direção da Petrobras ficou mais irritada com o Ethos após ser desclassificada do índice da Bovespa que mede a responsabilidade social das empresas.

Uma resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente obrigava que o Brasil tivesse um diesel menos poluente a partir de 2009. Petrobras e montadoras, porém, disseram que não teriam tempo para se adequar à norma, criada em 2002, e acabaram firmando um Termo de Ajustamento de Conduta na Justiça.

A Petrobras critica a “ação politizada” de um grupo que promove a desinformação do público”. Segundo a nota, a Petrobras “vem sendo alvo de uma campanha articulada com o objetivo de atingir a imagem da companhia e questionar a seriedade e eficiência de sua administração”.

Grajew rebateu. Afirmou que a questão é muito séria para ser politizada e não sabe a qual grupo político a estatal se refere. “Todo mundo sabe que eu fui um dos principais empresários a apresentar o presidente Lula a vários setores”, afirmou Grajew. “Se alguém participou para o bem deste governo e para que pessoas como Gabrielli pudesse presidir a Petrobras, este alguém fui eu”, afirmou.

De acordo com Grajew, estudos da Universidade de São Paulo demonstram que 10 mil pessoas perdem a vida no Brasil todos os anos em razão do alto teor de enxofre no diesel fornecido pela Petrobras. “É mais que uma guerra do Iraque, é mais do que mata a dengue e mais que o grave problema das enchentes em Santa Catarina. É uma questão muito séria que não pode simplesmente ser politizada”, afirmou.

Na nota em que comunica seu desligamento do Ethos, a Petrobras contesta a informação de que o enxofre do diesel é responsável pelas doenças respiratórias. ” A afirmação de que a atual quantidade de enxofre no diesel é a única responsável pela qualidade de do ar e a conseqüente ocorrência de graves doenças respirató rias da população brasileira é questionável, mesmo no âmbito metropolitano.”

Grajew rebate o argumento, “Quer dizer então que todos os países que determinaram o uso de um diesel mais limpo estavam errados? É claro que não. A Petrobras é que não quer admitir o erro.” Grajew afirmou que a Shell fez uma grande campanha para divulgar que está produzindo um diesel com um teor de enxofre próximo do zero. “A Petrobras quer dar a entender que isto não é importante. Por que a Shell iria investir tanto para conseguir isto?”, questiona.

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