Governo empresta US$ 17,4 bi mas intervém em montadoras

A falência provavelmente não funcionará para as montadoras a esta altura e não pode ser permitida, disse Bush, na Casa Branca

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A General Motors Corp. e a Chrysler LLC vão receber US$ 13,4 bilhões em empréstimos iniciais do governo, para se manterem em operação, em troca de reestruturação, segundo um plano de socorro anunciado pelo presidente dos EUA, George W. Bush.

A falência provavelmente não funcionará para as montadoras a esta altura e não pode ser permitida, disse Bush, na Casa Branca.

“Estas não são circunstâncias normais”, disse Bush. “No meio da crise financeira e de uma recessão, permitir o colapso do setor automobilístico dos EUA não é um curso de ação responsável.”

O dinheiro será retirado do Programa de Ajuda a Ativos Problemáticos (TARP, pelas iniciais em inglês) e as montadoras receberão mais US$ 4 bilhões do fundo em fevereiro, em um total de US$ 17,4 bilhões de assistência, segundo uma declaração do governo Bush. Os recursos deverão permitir que a GM e a Chrysler se mantenham em operação até março.

Essa ajuda é um alívio para a GM, a maior montadora dos EUA, e para a Chrysler, a terceira maior, que disseram que ficariam sem recursos para funcionar já neste mês. Bush está intervindo depois que a recusa, por parte dos senadores republicanos, na semana passada, de ratificar um socorro aprovado pela Câmara levantou a perspectiva de quebra das empresas, que custaria milhões de empregos.

A GM cambaleia sob o peso de quase US$ 73 bilhões em prejuízos desde 2004 e uma queda de 22% nas vendas deste ano. O declínio das vendas na Chrysler, sediada em Auburn Hills, estado do Michigan, é de 28%, o mais acentuado entre as principais montadoras.

O plano estipula que, se as empresas não conseguirem demonstrar a sua viabilidade financeira até 31 de março, os empréstimos podem ser suspensos e o dinheiro terá que ser devolvido, segundo o comunicado. A dívida para com o governo norte-americano teria prioridade sobre quaisquer outras.

Em troca do dinheiro, as montadoras têm que dar bônus de subscrição de ações sem direito a voto, aceitar limites na remuneração dos executivos, dar ao governo acesso aos registros financeiros e não emitir dividendos até que a dívida seja paga. O governo terá poder para bloquear transações acima de US$ 100 milhões.

As montadoras terão que reduzir as suas dívidas em dois terços, trocando-as por ações, fazer a metade dos pagamentos devidos a um fundo de aposentadoria sindical em ações, eliminar um programa que paga os trabalhadores sindicalizados quando não há trabalho para eles, e tornar os custos e regras sindicais competitivos com as montadoras estrangeiras até 31 de dezembro de 2009. As exigências podem ser modificadas através de negociações com o sindicato e com os detentores de bônus.

As autoridades vão examinar todos os balanços e registros financeiros das empresas. O pacote teve inicialmente como objetivo a GM e a Chrysler; a Ford Motor Co. disse que pode se manter em operação nas atuais circunstâncias.

O governo Bush concordou, em 12 de dezembro, em considerar opções, inclusive o uso do TARP, depois que os republicanos do Senado rejeitaram o plano apoiado pela Câmara. Os senadores republicanos queriam a imposição de condições mais específicas para as montadoras, como salários alinhados ao das operações das montadoras estrangeiras nos Estados Unidos.

Disputa sindical

Líderes do sindicato United Auto Workers (UAW) concordaram este mês em suspender um programa segundo o qual empregados demitidos são pagos depois do afastamento e em adiar as contribuições das montadoras para novos fundos administrados pelo sindicato para cobrir a assistência médica dos aposentados.

A disputa no Congresso reflete a tensão entre os republicanos dos estados do sul dos EUA, onde operam montadoras asiáticas e européias, e o UAW, que basicamente apóia os democratas nas campanhas políticas. O próximo Congresso dos EUA terá uma maior maioria democrata mais numerosa.

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