Embraer diz a funcionários que pode não atingir meta para 2009

O informe "Em Tempo", uma comunicação regular do presidente da companhia Frederico Fleury Curado para os empregados, causou tensão no pólo aeroespacial ao apresentar um quadro nada promissor para 2009

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A crise global começa a bater nas portas da indústria aeronáutica do País. A direção da Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer) divulgou um comunicado interno no qual alerta os funcionários sobre os efeitos da retração do mercado pela falta de crédito junto ao sistema financeiro internacional. O informe “Em Tempo”, uma comunicação regular do presidente da companhia Frederico Fleury Curado para os empregados, causou tensão no pólo aeroespacial ao apresentar um quadro nada promissor para 2009.

Para o sindicato dos metalúrgicos de São José dos Campos pelo tom adotado no informativo existe a possibilidade real de demissões em larga escala na empresa, hoje com um efetivo em torno de 23 mil empregados. Especialistas da área acreditam que mesmo para a demanda atual, ainda sem os efeitos da crise sobre a cadência produtiva da empresa, a Embraer estaria com dois mil empregados a mais em seus quadros.

A Embraer informou que não comentará sobre questões trabalhistas e o documento emitido faz parte da política de transparência junto aos empregados, inclusive com o intuito de esclarecer e evitar o fomento de boatos. Porém, uma cópia chegou às mãos dos dirigentes do sindicato, que divulgaram o seu conteúdo, datado de 28 de novembro último.

Restrição de crédito – “O mercado de transporte aéreo tanto na aviação comercial quanto executiva é muito dependente de disponibilidade de crédito, pois a grande maioria dos clientes adquire suas aeronaves através de operações de leasing ou financiamento direto. Com a atual restrição de crédito, os clientes vêm enfrentando enormes dificuldades para assegurar os fundos necessários para pagar e receber seus aviões”, destacou o texto.

Entretanto, a colocação que mais chamou atenção entre funcionários e fornecedores com acesso ao comunicado interno, foi o trecho em que Curado coloca os possíveis reflexos da situação dentro da Embraer. O que, inclusive, motivou ontem uma reunião entre dirigentes da empresa e do sindicato.

“Em outras palavras, a existência de uma boa carteira de pedidos – um ponto forte da Embraer – já não é suficiente para assegurar produção e receitas futuras. A capacidade dos clientes de obterem financiamento e efetivamente receberem as aeronaves que contrataram é que irá ditar, por um bom tempo, o ritmo e o nível de produção dos fabricantes”, afirmou o presidente em seu boletim.

Pelas análises divulgadas pela própria Embraer ainda em 2007, a expectativa para o ano de 2009 era alcançar o volume de entrega entre 315 a 350 aeronaves. Contudo, esse número foi revisado devido a crise e agora se encontra na casa das 270 unidades para os mercados da aviação comercial, executiva e de defesa.

Queda de volume – No informe, Curado reconhece que a crise chegou à empresa e isto refletirá em praticamente todas as famílias de aviões produzidos no Brasil e no exterior.

“Estamos trabalhando da melhor forma possível para minimizar o impacto da crise em nossa empresa, mas a verdade é que, já em 2009, estaremos sofrendo uma redução nas entregas dos jatos da família Embraer 170/190, bem como dos Legacy 600 e dos segmentos do ERJ 145 que são enviados para a Harbin Embraer, na China.

Além disso, no caso do Phenom, também teremos que reduzir o ritmo de crescimento anteriormente previsto”, informou o executivo.

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