Banco Mercedes-Benz quer expandir empréstimos em 28%

O banco espera encerrar o ano com um volume de R$ 2,6 bilhões em novos empréstimos, elevando a carteira de crédito para R$ 4,6 bilhões, enquanto a projeção anterior indicava R$ 2,4 bilhões e R$ 4,2 bilhões, respectivamente

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“Em tempos de crise, uns choram, outros vendem lenços e o Banco Mercedes-Benz do Brasil está na posição de vendedor.” A afirmação de José Francisco Ribeiro, diretor comercial da instituição, não deixa dúvidas sobre o otimismo do braço financeiro da montadora alemã Daimler com seus negócios no País. O banco espera encerrar o ano com um volume de R$ 2,6 bilhões em novos empréstimos, elevando a carteira de crédito para R$ 4,6 bilhões, enquanto a projeção anterior indicava R$ 2,4 bilhões e R$ 4,2 bilhões, respectivamente. Se os números forem alcançados, representarão um crescimento de 14% no saldo de novos negócios e de 28% sobre a carteira total de 2007. Os veículos comerciais (ônibus e caminhões) respondem por 99% da carteira.

Os reflexos da crise do subprime no Brasil, com a escassez de recursos entre meados de setembro e outubro e os impactos no crédito, também não arranharam as perspectivas de expansão para o próximo ano. Ribeiro disse que mantém inalterada a estimativa anterior de elevar para R$ 2,7 bilhões o volume de novos negócios e a R$ 5 bilhões a carteira total de empréstimos. “O problema de liquidez já passou. O governo fez intervenções consistentes para minimizar os efeitos da crise.” A instituição projeta crescimento de 3% para o Produto Interno Bruto (PIB) em 2009, ante previsão anterior de 5%. “Mas vai continuar crescendo, ao contrário de Estados Unidos e Europa. Hoje, o cenário é diferente no País, os fundamentos econômicos são sólidos.”

Em pleno mês de outubro, quando o mercado sofreu o forte impacto de liquidez, a montadora bateu recorde de vendas de caminhões no Brasil, com aproximadamente 3,4 mil unidades, e a sua instituição financeira realizou R$ 220 milhões em novos negócios. Em setembro, o banco, que financia uma média de 30% das vendas da montadora e planeja chegar a 40%, registrou volume histórico de novos empréstimos, com R$ 304 milhões. Sua média mensal gira em torno de R$ 170 milhões. O banco fechou outubro com uma carteira de crédito de R$ 4,5 bilhões, 28,6% superior em relação a igual mês de 2007. Os novos negócios cresceram 16% no acumulado do ano até outubro, para R$ 2,2 bilhões .

“Um banco de montadora em momentos de crise tem de acelerar e criar promoções para atrair o consumidor.” Um dos diferenciais do Mercedes-Benz, afirmou, é a taxa, na média de 1,49% ao mês, diante de uma média entre 1,80% e 2,50% mensais praticada pelo mercado. Não depender de capital externo também ajuda. O funding do Banco Mercedes-Benz é formado com capital próprio e recursos de terceiros, particularmente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que, por meio da Agência Especial de Financiamento Industrial (Finame), financia cerca de 80% dos novos negócios realizados pela instituição. “E o BNDES tem atuado extraordinariamente nesse período.” Conforme Ribeiro, o banco de fomento aumentou em setembro o limite da instituição neste segundo semestre, de R$ 980 milhões para R$ 1,2 bilhão. No primeiro semestre, colocou à disposição R$ 1,004 bilhão, sendo que R$ 980 milhões foram utilizados no período.

Um dos executivos que participou da montagem do recente plano do governo para prover maior liquidez às montadoras, em que o Banco do Brasil colocou à disposição do setor R$ 4 bilhões em empréstimos e o Banco Nossa Caixa mais R$ 4 bilhões, Ribeiro disse, contudo, que a instituição que dirige ainda não precisou recorrer a essas linhas. “Mas elas trouxeram a liquidez de volta a esse mercado. Com essa ação, os outros bancos voltaram às suas operações normais.”

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