Frete marítimo já tem aumento de até 150% em 2008

Aumento do frete marítimo para exportações é resultado de pressões como o aumento do preço do petróleo no mercado internacional e já desestimula produção de alimentos

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Com as pressões internacionais do preço do petróleo e, ainda por cima, os gargalos de infra-estrutura nos portos brasileiros, os exportadores enfrentam grandes problemas para dar continuidade em suas vendas ao comércio exterior. Um dos itens mais graves deste “pacote” de problemas é o aumento dos preços do transporte marítimo para exportações.

Segundo reportagem publicada na Folha de São Paulo e na Gazeta Mercantil, somente em 2008 o custo para o transporte marítimo aumentou 57% para as exportações de automóveis e até 150% no caso do minério de ferro, produto responsável pela maior tonelagem embarcada nos portos brasileiros.

Um dos motivos para esta alta nos fretes marítimos é a oscilação dos preços do petróleo no mercado internacional. De acordo com um levantamento do Ministério do Desenvolvimento, cada US$ 10,00 de aumento na cotação do barril da commodity causa o encarecimento de U$ 500,00 por dia no frete de navios cargueiros. Para se ter uma idéia, o preço do barril do petróleo passou de US$ 71,47 para US$ 115,20 nos últimos 12 meses, chegando a bater a casa dos US$ 145,00.

Recordes históricos

Com estas pressões, o valor do frete marítimo cobrado no Brasil está atualmente no maior patamar da história. Segundo levantamento de especialistas do setor, este cenário já representa uma tarifa adicional de 9% sobre os produtos comercializados.

No Brasil, a situação está ainda mais grave devido aos gargalos de infra-estrutura encontrados nos portos. Estes gargalos já causaram prejuízos, entre multas e taxas por causa de atrasos, de até R$ 5 bilhões na última safra colhida.

Segundo Luiz Antônio Fayet, consultor de Logística da CNA (Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil), estes entraves já vêm ocasionando a redução na produção de soja e milho em vários Estados brasileiros.

O presidente da Associação Nacional do Transporte de Cargas de Logística (NTC&Logística) está preocupado com a saúde financeira de seus associados. “Nenhuma empresa de transporte tem gordura suficiente para absorver este aumento”, diz.

Para o governo brasileiro, será preciso que os empresários encontrem estratégias para lidar com este novo cenário: “Acabou a era do petróleo a US$ 30,00”, diz Weber Barral, secretário de Comércio Exterior.

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