Exportações chinesas caem pela primeira vez em 7 anos

As exportações chinesas declinaram 2,2% em novembro em relação ao mesmo mês de 2007, disse ontem o departamento da alfândega, em uma nota postada no seu site

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As exportações da China caíram pela primeira vez em sete anos, em mais um indício de que as recessões nos EUA, na Europa e no Japão estão empurrando a quarta maior economia do mundo para uma crise.

As exportações chinesas declinaram 2,2% em novembro em relação ao mesmo mês de 2007, disse ontem o departamento da alfândega, em uma nota postada no seu site. As importações despencaram 17,9%, o que fez com que o superávit comercial do país atingisse o recorde de US$ 40, 09 bilhões, superando todas as expectativas. Economistas previam um superávit comercial de US$ 32,4 bilhões, com alta de 15% das vendas externas e de 12% das importações.

O colapso do comércio externo intensifica a pressão sobre as autoridades chinesas para reduzir juros, aumentar o plano de 4 trilhões de iuanes (US$ 581 bilhões) em gastos e permitir a desvalorização da moeda. As exportações da China quadruplicaram depois que o país entrou para a Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001, o que permitiu que se tornasse a economia que mais cresce no mundo e a que mais contribui para a expansão mundial.

“Os dados são horrorosos”, disse Lu Zhengwei, economista-chefe do Industrial Bank, em Xangai. “A queda das importações mostra que, além da redução da demanda mundial, a demanda doméstica também está encolhendo com o enfraquecimento da economia.”

A queda nas importações foi a maior desde, pelo menos, 1995, quando a Bloomberg começou a compilar esses dados. O declínio dos preços das commodities e a desaceleração da indústria de transformação e da construção reduziram a demanda por matérias-primas. A queda anterior ocorreu há sete anos. Os economistas excluem os dados referentes a janeiro e fevereiro de cada ano, devido às distorções causadas pelos feriados do Ano Novo lunar.

Em outubro, as exportações da China cresceram 19,2% e as importações tiveram alta de 15,6%. O valor das exportações foi US$ 115 bilhões, o mais baixo em oito meses; o patamar mais alto foi de US$ 136,6 bilhões, registrado em julho.

“Esses dados são absolutamente terríveis”, disse Mark Williams, economista da Capital Economics, em Londres. “Isso vai alimentar a especulação de que o governo vai forçar uma desvalorização do iuanes. Mais cortes nas taxas de juros são inevitáveis.”

Em 1 de dezembro, o iuane teve o maior declínio em apenas um dia num período de três anos. Isso alimentou a especulação de que a China possa permitir que a sua moeda desvalorize, o que ajudaria os exportadores, ao tornar os seus produtos mais baratos nos mercados externos.

Foco no crescimento

As autoridades chinesas reuniram-se esta semana para tomar decisões sobre os rumos da política econômica, depois de o Banco Popular da China (o BC do país) ter feito, no mês passado, o maior corte nas taxas de juros em 11 anos.

Os líderes do governo encerraram ontem uma reunião de três dias do Partido Comunista com a promessa de aumentar os gastos públicos e reduzir impostos para estimular a demanda doméstica.

Considerando que a pressão de baixa sobre a economia aumentou, a Conferência Central de Trabalho Econômico determinou o propósito de crescimento estável como a principal prioridade para 2009, informou a rádio estatal.

Os líderes reafirmaram a política de manutenção do iuane basicamente estável e a um patamar razoável e equilibrado.

Os dados divulgados ontem mostram que está em risco a contribuição da China para a expansão mundial, projetada em 60% para o ano que vem pela Merrill Lynch.A economia da China cresceu 9% no terceiro trimestre, a menor expansão em cinco anos. Os preços ao produtor tiveram em novembro o menor crescimento dos últimos dois anos e o investimento externo direto caiu 36,5% em relação a novembro de 2007, informou ontem o governo chinês em relatórios paralelos.

Queda nos preços

A inflação nos preços dos imóveis urbanos na China recuou abruptamente em novembro para apenas 0,2%, indicaram os dados divulgados ontem, que enfatizaram os temores oficiais a respeito de uma desaceleração na economia e no mercado de propriedades.

A alta dos preços com relação ao ano anterior foi a menor para qualquer mês desde que a Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma (NDRC) começou a publicar as informações em julho de 2005, comparando com um incremento de 1,6% nas cifras de outubro.

Apenas em março os preços das propriedades aumentaram a um ritmo de dois dígitos sobre uma base anual.

A média dos preços das propriedades abrangendo 70 cidades recuou 0,5% em novembro frente a outubro, informou a NDRC em seu site na internet. Os preços retrocederam na maioria das cidades, algumas registrando o declínio mais profundo. Os preços das propriedades em Pequim estavam em novembro 2,9% mais elevados que no mesmo período do ano anterior, enquanto que em Xangai caíram 0,8%.

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