Regimes especiais e colaboração: o que isso tem a ver com o futuro da indústria automobilística nacional?

Regimes especiais e colaboração: o que isso tem a ver com o futuro da indústria automobilística nacional?

Consultoria Becomex trabalha para dar mais competitividade às indústrias brasileiras, que pagam impostos em cascata e bitributados, perdendo feio para as competidoras estrangeiras

EFD-PIS/COFINS pode complicar a vida das empresas
Brasileiro já pagou mais de R$ 900 bi de impostos em 2017
Arrecadação de tributos do Brasil passa de R$ 1 trilhão

O Brasil não é para amadores. Essa afirmação vem carregada com uma série de estigmas e realidades do nosso país que fazem com que as coisas fabricadas por aqui custem mais caro do que em muitos outros países do mundo. E isso inclui veículos de passeio, caminhões, máquinas e qualquer outro bem importante para o transporte e a vida moderna.

Sistema tributário oneroso

O tão falado “custo Brasil” onera as operações nacionais e fazem com que percamos feio para muitos competidores estrangeiros. Nosso sistema tributário é complicado, caro, punitivo, unilateral, confuso e oneroso. Não faltam adjetivos negativos para o sistema tributário brasileiro, que cobra muitos tributos, cobra mal e com redundâncias.

Para se ter uma ideia, uma empresa de transporte brasileira paga até 55% de carga tributária em cima de seu faturamento por serviços prestados. Enquanto opera, a empresa brasileira acumula créditos tributários que não se valorizam com o tempo e precisam ser monetizados.

Diante deste cenário, as empresas brasileiras, principalmente a indústria e os fabricantes automotivos, buscaram soluções para se proteger desta bitributação e encontrar meios de amenizar o impacto dos impostos em seu caixa, além de amenizar a burocracia.

Em busca da solução

A empresa de consultoria estratégica e tecnologia Becomex tem 13 anos de mercado e se especializou em buscar soluções tributárias para as empresas. Para se ter uma ideia, seu trabalho com Regimes Especiais e cadeias colaborativas resulta em uma redução de até 5% no custo final de uma peça ou componente fabricado no Brasil. Uma diferença bastante significativa, que mostra como a aplicação de uma metodologia fiscal inteligente faz sentido para a competitividade de nossa indústria.

Nos últimos cinco anos, a Becomex proporcionou a redução de custos de R$ 7 bilhões para seus clientes, tudo a partir da utilização de regimes especiais. Seus clientes se concentram principalmente nos segmentos automotivo, óleo e gás, agroindústria, bens de capital e indústria de transformação.

Segundo a Becomex, o trabalho com regimes especiais envolve o uso de inteligência artificial e tecnologias avançadas por seus 250 especialistas de diversas áreas focados no trabalho com regimes especiais.

Paulo Paiva, da Becomex

“Os regimes especiais evoluíram ao longo do tempo. Hoje, eles não são mais aplicáveis apenas a empresas predominantemente exportadoras em podem beneficiar muitas empresas no âmbito local, fazendo com que a competitividade aumente. Temos clientes em diversos segmentos da cadeia automotiva, por exemplo, e a sinergia entre eles é grande. Muitas vezes o cliente principal traz novos clientes que fazem parte de seu ecossistema e, assim, vamos beneficiando um número cada vez maior de empresas brasileiras”, diz Paulo Paiva, vice-presidente do segmento automotivo da Becomex.

Os consultores contam que este conceito permite chegar a 90% de aproveitamento dos benefícios fiscais dados pelo governo. O modelo trouxe à Becomex um crescimento de mais de 30% no ano passado, em relação a 2018.

Cadeias de colaboração

As questões de impostos e créditos tributários é tão relevante para o segmento automotivo que ganhou a atenção de todos os fabricantes e da associação que os representa. Um levantamento da Anfavea mostra que as montadoras brasileiras têm um crédito tributário de R$ 25 bilhões para receber, relacionados a tributos como IPI, PIS e COFINS, do governo federal. Nos Estados, o montante de créditos chega a R$ 10 bilhões em ICMS.

As fabricantes têm se mobilizado para resgatar esses créditos e, ainda, fomentar sua produção e a exportação, buscando melhorias de competitividade. Com isso, a Becomex buscou parcerias estratégicas e colaboração com outras empresas de tecnologia e inteligência para formar uma cadeia colaborativa de negócios, que eles batizaram de BCC.

“Com o BCC podemos resolver esse desequilíbrio tributário existente na cadeia automotiva, permitindo recuperar os recursos retidos pelos governos federal e estaduais, além de, nas operações futuras, criarmos mecanismos de modo a minimizarmos significativamente esse acúmulo de impostos”, comenta Marcos Gonzalez, diretor da área automotiva da Becomex.

As empresas ganham fluxo de caixa, ficam mais fortes e competitivas, fomentando a nacionalização gradual de componentes e tecnologias. Um exemplo é o da General Motors da América do Sul. O diretor de Customs (operações alfandegárias) da montadora, Gilberto Oestreich declarou que o Brasil não é mais competitivo lá fora, pois existem muitos impostos acumulados na cadeia interna, que geram um preço final entre 10% e 15% maior do que em outros países, como o México, por exemplo. “Todos os fornecedores que consultamos neste ano demonstraram interesse na colaboração quando passam a entender as vantagens dessa estratégia”, disse o executivo.

Paulo Paiva, responsável pelo segmento automotivo na Becomex, conclui a questão, na entrevista que deu à reportagem da Agência Transporta Brasil: “A potencialização das estratégias colaborativas na cadeia automotiva é primordial nesse momento de crise e para o futuro das empresas. Nossas estimativas projetam um valor entre um a três bilhões de reais em créditos tributários sendo monetizados por ano de forma direta pelas empresas, a partir da aplicação da estratégia de colaboração. Nesta relação, todos ganham”, disse Paiva.

Ainda bem que existe tecnologia e inteligência aplicadas a soluções contra o paquidérmico fantasma da burocracia e da fome voraz de arrecadação do Estado brasileiro.

Leo Doca – especial para a Agência Transporta Brasil
leodoca@transportabrasil.com.br

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Agência Transporta Brasil – ATB

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