Iveco Hi-Road chega mais equipado e mais econômico frente ao Stralis

Iveco Hi-Road chega mais equipado e mais econômico frente ao Stralis

O caminhão oferece os mesmos itens de série dos modelos posicionados como Premium e por isso ganha status de veículo para o caminhoneiro

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Quando o Iveco Hi-Road foi lançado, no final do ano passado, muito se comentou nas redes sociais que o novo caminhão era muito parecido com o antecessor Stralis.

Bom, em se tratando de design eles até podem ter a mesma aparência – afinal seguem o mesmo DNA do desenho da marca italiana. Contudo, se o foco estiver na lista de equipamentos e do trem-de-força muita coisa mudou, e para melhor.

O Hi-Road já chega com uma cabine imponente, pois ela é oferecida com opções leito teto alto como item de série. Para este veículo não há versão leito teto baixo. E para melhorar a sua aerodinâmica a engenharia da Iveco promoveu melhorias que para quem tiver um olho clínico, verá que se trata de um caminhão que nada tem a ver com o Stralis.

As aletas laterais estão maiores e em cumprimento e largura para que além de aprimorar a aerodinâmica evite que o caminhão fique com as laterais e portas sujas quando passar por estradas de terra, por exemplo.

As novas aletas laterais melhoram a aerodinâmica

O para-lama e os estribos ficaram na cor do veículo e no Stralis eram no plástico preto. E por se tratar de uma cabine mais alta, ganhou defletor frontal com iluminação em led e isso, além de ter deixado o Hi-Road com uma cara mais robusta frente ao seu antecessor, lhe deixou com um aspecto de caminhão Premium, como o Hi-Way.

Hi-Family

No interior da cabine é notória a diferença em relação ao Stralis. Muito mais bem acabado, e graças ao teto alto, espaço não falta ao motorista. De série ele é vendido com climatizador, ar-condicionado, trio elétrico, desembaçador de retrovisores, rádio com MP3 e entrada auxiliar e, assim como o banco do motorista, o banco do passageiro tem suspensão pneumática. A diferença é que o banco do condutor possui múltiplas regulagens de altura e de profundidade para melhor se adequar a posição de dirigir.

O cockpit entrega conforto de sobra

Outra novidade e que não é comum em caminhões posicionados como de entrada no segmento de pesados rodoviários é o box térmico. Para quem quer economizar gastos com refeição em restaurantes, o equipamento faz toda a diferença. Nele é possível levar alimentos, água e frutas, por exemplo. Os portas-objetos a bordo também indicam se tratar de um caminhão que foi inteiramente direcionado para quem vai rodar por longas distâncias e ficar dias afastados de casa.

Box térmico é de série, assim como todos os espaços de armazenamento

Para se ter uma ideia de quanto o caminhão é completo, os itens opcionais dele são a geladeira e as rodas de alumínio.

Para se posicionar como um caminhão bem superior ao antecessor, a Iveco também promoveu melhorias no trem de força. Na estrada nota-se um veículo mais valente. Andamos na versão Hi-Road 600S44T 6×2 que é equipado com motor de 13 litros fabricado pela FPT. Denominado Cursor, esse motor desenvolve potência de 440 cv a 1.900 rpm e seu torque é de 230 mkgf entre 1.000 e 1.400 rpm.

Mas não é só pela valentia de rapidamente obedecer às demandas do acelerador que faz desse propulsor renovado. Ele atua em baixa rotação. A 80 km/h com a caixa automatizada ZF em 16ª marcha, mantendo a velocidade de cruzeiro, a rotação fica entre 1.100 e 1.200 rpm, carregando 40 t PBTC – lembrando que esse veículo em composição convencional de três eixos permite PBTC de 53 t e na vanderleia 57 t.

Na descida de serra, pela rodovia Anchieta, o caminhão que é equipado com um freio-motor CEB de 415 cv de poder de frenagem, logo no início do trecho, segura bem a composição no primeiro estágio, onde funciona por exaustão. Mais adiante, onde a descida fica mais intensa é necessário acionar o segundo estágio do freio motor que atua por descompressão e nesse trecho a velocidade oscila entre 30 km/h em 8ª marcha a 1.500 rpm.

Menos ruidoso

O desenho identifica se tratar de um caminhão Hi-Family

Vale mencionar que nesse trecho chamou a atenção o baixíssimo ruído a bordo da cabine. Em aferição com um decibelímetro o resultado foi 69 dB, ou seja, baixo para os padrões em descida de serra. Ganha o motorista que termina a viagem menos fadigado por não ouvir por longas horas o barulho excessivo do motor.

Por todo trecho de descida, a velocidade média ficou entre 30 km/h e 35 km/h, entre 8ª e 9ª marchas, não passando de 1.500 rpm de rotação porque, apesar da pista livre do tráfego de caminhões, a ideia foi evitar colocar o pé no pedal do freio e deixar o freio motor protagonizar. Isso mantém as lonas de freios preservadas e rende em maior vida útil de todo o sistema de freios, rendendo na maior economia com manutenção.
Mesmo com o freio motor trabalhando por todo o trecho de descida, a rotação não ultrapassou os 1.500 rpm, uma prova de que esse caminhão trabalha em baixa rotação mesmo na faixa de torque.

Na subida da serra, também pela rodovia Anchieta que é mais íngreme em relação à Imigrantes, o Hi-Road não vacilou e entre 35 km/h e 40 km/h em 10ª marcha, aos 1.400 rpm, venceu o trecho mais inclinado da rodovia rumo ao planalto paulista.

A boa performance do motor durante os 193 km rodados se deve a nova turbina do motor que também graças a nova calibração ajudou a melhorar a comunicação com a caixa, reduzindo o tempo de resposta nas trocas de marchas e rendendo no melhor consumo de combustível. O torque também aumentou e na pista isso é perceptível. Contudo, tais novidades prometem uma economia de até 7% de combustível, se comparar o Hi-Road ao Stralis Eurotronic.

Competidores

O Hi-Road ainda é o mais leve em relação aos seus principais concorrentes: o Axor 2544 e o DAF XF85 410. Uma olhada rápida na ficha técnica, o Hi-Road trucado tem o peso em ordem de marcha de 8.860 enquanto que o competidor da estrela, também trucado, tem peso em ordem de marcha de 9.213 kg. O outro potencial competidor da DAF o peso em ordem de marcha é de 8.900 kg.

Aliás, a DAF foi a primeira marca a nivelar para cima os caminhões de entrada do segmento pesado rodoviário, quando trouxe o seu XF85 mais bem-acabado e cheio de detalhes que remetem ao irmão maior XF105 como a curvatura do painel, acabamento de bancos, portas e o amplo espaço a bordo.

O Axor 2544 está entre os pesados mais vendidos da Mercedes-Benz. Isso porque em 2018 ele chegou com aprimoramentos. Não tem a lista de equipamentos de série como o da marca italiana, mas trás itens como ar-condicionado e o diferencial de iluminação da 5ª roda, além de acompanhamento da pressão da turbina pelo computador de bordo, com intuito de ajudar o motorista a ter mais controle da média de consumo. Aliás, ele leva a boa fama de ser econômico.

Em termos de cabine, o Hi-Road é superior em relação aos competidores por ter detalhes que no dia a dia vão fazer a diferença para o motorista, sobretudo se ele viajar com acompanhante. Cabine teto alto, banco do acompanhante com suspensão pneumática, box térmico, rádio, além de um volante multifuncional hidráulico, mas que dá a sensação de ser elétrico, tamanha leveza ao dirigir, lhe dão vantagem.

Nossa conclusão

A Iveco desenvolveu um caminhão pesando em quem vai morar nele por dias. Mas também aprimorou o trem de força, melhorando a comunicação entre motor e a caixa com o objetivo de oferecer um caminhão mais econômico. Por tudo isso, vale a pena conhecer o modelo.

Andrea Ramos, Editora-executiva da Agência Transporta Brasil (ATB)
andrearamos@transportabrasil.com.br

Fotos: Anderson Peter/Iveco

Assista ao vídeo da avaliação na TV Transporta Brasil

 

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Agência Transporta Brasil – ATB

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