Obras da Nova Tamoios revelam sítio arqueológico em Paraibuna (SP)

Profissionais da arqueologia foram contratados pela DERSA para analisar áreas de influência das obras de duplicação da rodovia próxima ao local; em primeira análise, estima-se que índios tenham vivido na região por volta de 1400

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O grupo de arqueólogos contratados pela DERSA – Desenvolvimento Rodoviário S/A encontrou em Paraibuna, no Vale do Paraíba, em São Paulo, vestígios arqueológicos relacionados a um grupo indígena de tradição cultural Aratu.

A descoberta foi feita há cerca de oito meses pelo grupo enquanto analisavam as áreas de influência das obras de duplicação que estão localizadas no Trecho de Planalto da Rodovia dos Tamoios.

Segundo a DERSA, o sítio tem mais de cinco mil metros quadrados e está localizado próximo à margem do Reservatório de Paraibuna. No local foram encontrados fragmentos de utensílios cerâmicos como tigelas e potes, além de material lítico lascado, predominantemente em sílex e quartzo, utilizados geralmente como ferramentas de corte e perfuração. Há também fragmentos de urnas funerárias, utilizadas para armazenar os restos mortais dos antigos ocupantes.

dersa-indios-2Pela quantidade de peças encontradas, o grupo de arqueólogos estima que o local tenha sido uma grande aldeia, capaz de abrigar centenas de pessoas. Estima-se também que os índios tenham vivido nessa região antes do período de colonização do Brasil, por volta de 1400, pois os vestígios encontrados não apontam indícios de que a tribo tinha contato com os portugueses, que chegaram ao Brasil em 1500. O período específico só poderá ser apontado após a análise de amostras de carvão, encontradas no solo.

A presença do Grupo Aratu é rara na região do Vale do Paraíba, cuja população indígena mais comum era a Tupiguarani. Os Aratus são conhecidos pela agricultura (plantio de milho, feijão mandioca e amendoim) e produção de peças cerâmicas.

A área em que os vestígios foram encontrados não será afetada diretamente pelas obras, por isso será preservada e utilizada para pesquisas. A partir de sua descoberta ela passa a ser patrimônio arqueológico da União. Os objetos resgatados como amostras serão estudados em laboratório e reconstituídos com auxílio de computação gráfica e posteriormente disponibilizados para exposição à população. Para o local preservado há um projeto para transformá-lo em sítio-escola.

Os trabalhos de prospecção e resgate arqueológicos promovidos pela DERSA fazem parte do Programa de Gestão do Patrimônio Arqueológico, Histórico e Cultural, que por sua vez está inserido no processo de Licenciamento Ambiental da Nova Tamoios Planalto.

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