Indústria do petróleo busca fornecedores de bens e serviços

Indústria do petróleo busca fornecedores de bens e serviços

Todas as multinacionais e a Petrobras correm atrás de empresas brasileiras para adequar operações à obrigatoriedade de alcançar índice de conteúdo nacional

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A indústria do petróleo e gás vai liderar os investimentos no Brasil nos próximos anos. De acordo com dados divulgados pelo BNDES, os investimentos do segmento no Brasil podem chegar a R$ 378 bilhões nos próximos três anos, compreendendo exploração, produção, refino, transportes, gás e energia.

A perspectiva de investimentos na indústria até 2014 é da ordem de R$ 614 bilhões nos setores de petróleo e gás, extrativa mineral, siderurgia, química, papel e celulose, veículos, eletroeletrônica e têxtil/confecções. O grande destaque do estudo é o segmento de petróleo e gás (inclui extração e refino de petróleo), com R$ 378 bilhões, que representa 62% do mapeamento.

Dentre esses aportes o mais expressivo é, sem dúvida, o da Petrobras, que tem um Plano de Negócios de US$ 224,7 bilhões para o período entre 2011 e 2015 e que é atualizado todos os anos. Apesar desses números grandiosos, há dois problemas críticos no setor que podem inviabilizar esse ciclo virtuoso e forçar as empresas a recorrerem à indústria de outros países: a capacidade de fornecimento para as empresas que atuam em exploração e produção em campos brasileiros e a falta de mão de obra especializada.
O primeiro item desta pauta está centrado na falta de interesse das empresas em comprovarem o chamado – e obrigatório – conteúdo local, que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) obriga as petroleiras a aplicarem em suas concessões.

Hoje, de acordo com a Organização Nacional da Indústria do Petróleo (ONIP), há uma necessidade grande de que novos fornecedores de bens e serviços que comprovem o nível de conteúdo nacional se cadastrem em um banco de dados que a entidade mantém e está no http://www.cadfor.com.br/instrucoesGerais.html para ter acesso a empresas como Shell, British Petroleum, Maersk FPSOs, Statoil, Repsol Sinopec, entre outras. Esse cadastro, o CadFor, possui cerca de 470 empresas cadastradas. Para se ter uma ideia, o Banco de Dados da Petrobras conta, no total, com mais de 120 mil empresas cadastradas.

De acordo com o superintendente da entidade, Roberto Magalhães, é natural que a Petrobras esteja à frente porque responde por cerca de 80% do mercado brasileiro de petróleo. Mas disse que o segmento que representa possui um amplo campo de atuação. Na avaliação do diretor de upstream da Shell, Antônio Guimarães, há cerca de US$ 18 bilhões em investimentos que essas outras empresas de exploração devem realizar apenas em termos de conteúdo nacional já compromissados com a ANP.

A entidade justifica a preocupação com o fornecimento por empresas brasileiras ao revelar os dados de uma pesquisa feita com as cadastradas no CadFor. Apenas uma possui o documento conhecido como certificado de conteúdo local, exigido pela ANP para habilitar a empresa nacional a entrar na cota destinada ao conteúdo brasileiro e assim não entrar em competição com outras fornecedoras estrangeiras, que muitas vezes apresentam mais competitividade, ainda mais agora em tempos de real valorizado ante o dólar, moeda utilizada para as transações internacionais.

A ANP e a ONIP estão realizando eventos pelo País para divulgar a necessidade desse documento para as companhias adotarem o documento como uma vantagem competitiva. As informações mais detalhadas de como tirar o certificado estão no site da autarquia no endereço www.anp.gov.br onde os interessados encontram todos os campos de atuação que podem se candidatar a ter a possibilidade de fornecimento a grandes multinacionais.

De acordo com o diretor da Shell, a maior deficiência do País está no fornecimento de equipamentos que ficam em cima da unidade de produção (plataforma), porém, há oportunidades em todas as áreas de bens e serviços para esse segmento da economia brasileira.
Uma dessas oportunidades está também na qualificação de mão de obra que entre outras coisas ajuda na qualificação profissional para a prestação de serviços. Um desses programas é o Prominp – Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural, patrocinado pela Petrobras. A estatal prorrogou o prazo para pedido de isenção da taxa de inscrição no processo seletivo que oferecerá mais de 11 mil vagas em cursos gratuitos de qualificação profissional para o setor.

De acordo com a empresa, pode solicitar isenção da taxa quem tiver Número de Identificação Social (NIS) e comprovar renda familiar mensal de até três salários mínimos. Os pedidos devem ser feitos no ato da inscrição no processo seletivo, através do site do Prominp (www.prominp.com.br). Não há necessidade de envio de documentos para solicitar a isenção, basta inserir no formulário eletrônico as seguintes informações: a) Número de Identificação Social (NIS) no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal – CadÚnico.

Para aqueles que não atenderem os critérios de isentos, a taxa é de R$ 25,00 para candidatos a cursos de nível básico; R$ 42,00 para níveis médio e técnico, e R$ 63,00 para as categorias de nível superior. O processo seletivo do Prominp encerrará o período geral de inscrições em 12 de abril.

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