China abre guerra comercial por restrição dos EUA a pneus

Os chineses abriram investigação sobre as importações de carne de frango e de produtos automotivos dos Estados Unidos

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A China reagiu de imediato e apresentou queixa formal ontem na Organização Mundial do Comercio (OMC) contra os Estados Unidos, sob alegação de considerar abusivas as taxas impostas pelo governo norte-americano às importações de pneus chineses, anunciou a embaixada chinesa em Genebra. Foi a reação mais rápida já registrada para contestar uma medida comercial tomada por outro país.

Além disso, os chineses abriram investigação sobre as importações de carne de frango e de produtos automotivos dos Estados Unidos.

A resposta imediata da China parece ter assustado os Estados Unidos. O presidente norte-americano, Barack Obama, disse que sua decisão a respeito das tarifas sobre os pneus chineses não teve a intenção de ser provocativa, mas a resposta da China causa preocupação sobre o risco de uma guerra comercial.

“Essa administração tem o compromisso de expandir o comércio e os novos acordos comerciais”, disse ontem em Nova York, o presidente norte-americano. “Mas nenhum sistema comercial vai funcionar se não formos capazes de cumprir os nossos acordos comerciais.”

Sinalizando que o país poderá retaliar os EUA, o Ministério de Comércio da China declarou que está investigando reclamações feitas por empresas domésticas de que alguns produtos norte-americanos estariam sendo vendidos a preços abaixo do custo no mercado chinês ou ainda, estariam sendo beneficiados por subsídios.

“Em 14 de setembro, a China apresentou um pedido formal de consultas aos Estados Unidos como parte do entendimento sobre solução de divergências da OMC sobre as medidas especiais de salvaguarda dos Estados Unidos contra os pneus chineses”, diz a embaixada em comunicado. A denúncia apresentada pela China abre o caminho para consultas entre as duas partes. Se fracassarem ao fim do prazo de 60 dias, o órgão de solução de divergências da OMC ficará responsável pela decisão do caso.

Segundo a rádio estatal chinesa, a investigação a respeito das exportações de frango e peças automotivas “obviamente não é uma medida de retaliação, mas uma resposta às preocupações da indústria doméstica”. Na última sexta-feira à noite, o governo dos EUA decidiu taxar as importações de pneus de carros de passageiros e caminhões leves da China em 35% no primeiro ano de imposição da tarifa, a partir de 26 de setembro. A alíquota cairá a 30% no segundo ano e a 25% no terceiro. A decisão foi tomada após a Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos concluir que o aumento das importações de pneus prejudicou o mercado norte-americano. O governo chinês respondeu rapidamente ao anúncio norte-americano, dizendo que se opõe fortemente ao que chamou de “um ato grave de protecionismo comercial”.

A decisão sobre os pneus ocorreu uma semana antes do previsto e depois que o governo dos EUA impôs tarifas sobre as importações de certos tubos de aço da China. Ainda no último sábado, o Ministério de Comércio da China disse que se reservará o direito de relatar o caso à Organização Mundial do Comércio (OMC). Yao Jin, porta-voz do Ministério, afirmou que “[a iniciativa dos Estados Unidos] não apenas viola as regras da OMC, mas vai contra as promessas do Grupo dos 20 [G-20, grupo que reúne as 20 maiores economias do mundo] e configura um abuso comercial”. Além disso, segundo o porta-voz, a atitude abre um mau precedente em meio à crise econômica mundial.

Yao acrescentou que a decisão dos EUA colocará o protecionismo na agenda da reunião do G-20, que ocorrerá em Pittsburgh (EUA), dias 24 e 25 de setembro.

O Conselho norte-americano de Exportação de Aves e Ovos disse que a reação da China foi provocada, em parte, por más políticas comerciais dos EUA. O Conselho, que representa produtores responsáveis por 90% das exportações de frango e ovos dos EUA, é contrário a ambas as políticas.

“Nosso próprio governo está criando esses problemas mais do que o chinês”, disse James Sumner, presidente do Conselho de Exportação de Aves e Ovos. Segundo Sumner, ao mesmo tempo que o Conselho compreende a frustração da China nesse caso, entende que as alegações de dumping são infundadas.

A China é o maior mercado para as exportações de aves dos Estados, consumindo cerca de 800 mil toneladas de carne de frango do país no ano passado, no valor de US$ 722 milhões, de segundo o Conselho de Exportação de Aves.

As notícias de um possível contencioso entre Estados Unidos e China derrubaram as bolsas de valores no mundo, ontem pela manhã. À tarde, os mercados americanos reagiram, mas possibilidade de uma guerra comercial continua a preocupar principalmente a Europa.

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