Transportadoras de MT reclamam

“A queda foi muito pequena e apenas ajuda a minimizar os prejuízos dos transportadores”, afirma o diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), Miguel Mendes

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A redução de 9,6% nos preços do óleo diesel anunciada recentemente pelo governo federal não chegou integralmente aos postos de Mato Grosso. Em Cuiabá, a queda máxima chegou a 6,53%, média também registrada em Rondonópolis, ao sul do Estado, onde o combustível está sendo vendido por R$ 2,10. Na Capital, o preço mínimo é de R$ 2,22 em alguns postos. Há estabelecimentos que não repassaram a diferença e ainda exibem R$ 2,38.

“A queda foi muito pequena e apenas ajuda a minimizar os prejuízos dos transportadores”, afirma o diretor executivo da Associação dos Transportadores de Cargas de Mato Grosso (ATC), Miguel Mendes. Segundo ele, 50% do faturamento das empresas é para pagar o óleo diesel.

Mendes acredita que a culpa é do governo estadual, que ainda não ajustou o Preço Médio Ponderado ao Consumidor Final, o PMPF, que serve de base para a tributação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

“O momento ainda é muito ruim para o setor”, avalia Mendes, acrescentando que o diesel em Mato Grosso é um dos mais caros do Brasil. “Teríamos de estar com um preço de no máximo R$ 2”.

Mendes diz que os caminhões estão trabalhando “no limite”, mas não podem parar de rodar. “A maioria são caminhões financiados que não podem parar. O problema será no futuro, quando o caminhoneiro precisar renovar a frota, pois ele estará descapitalizado”.

Ele conta que muitas empresas recorreram ao Finame – linha de crédito do BNDES utilizada para a aquisição de veículos novos e usados para transportadores – outros estão refinanciando os contratos porque estão com dificuldades.

De acordo com o diretor da ATC, muitas transportadoras ainda abastecem fora de Mato Grosso por causa dos preços dos combustíveis. “Caminhões que vão para o terminal rodoviário da América Latina Logística (ALL), em Alto Araguaia, enchem seus tanques em Santa Rita do Araguaia (GO), na divisa com Mato Grosso”. Miguel Mendes estima que pelo menos 30% do abastecimento de diesel é feito fora do Estado.

Em Cuiabá, os motoristas reclamam dos preços em vigor no Estado. “Evito abastecer em Mato Grosso”, diz Paulo Couto, motorista de uma Scania emplacada na cidade de Cascavel (PR). “O combustível lá no Paraná é bem mais barato, pago em média R$ 1,85. Aqui só abasteço o necessário para chegar até outra cidade”, diz o motorista.

José Leôncio, que trabalha para uma transportadora de Marechal Rondon, também do Paraná, diz que abastece “o mínimo” em Mato Grosso. “Só quando o combustível está acabando é que abasteço aqui. Geralmente saio com o tanque cheio do Paraná e só venho abastecer em Coxim (MS)”.

Os frotistas também reclamam dos preços do diesel em Cuiabá. Segundo Renato Ribeiro, que trabalha em uma empresa de transporte no Distrito Industrial de Cuiabá, muitos caminhoneiros abastecem fora da Capital. “Eles só abastecem aqui quando não há outro jeito mesmo”, diz, lembrando que os preços do diesel estão consumindo parte do lucro do setor. Segundo ele, a margem de lucro está cada vez mais achatada e os motoristas “evitam abastecer em Mato Grosso”.

Os preços em toda a cadeia de produção e comercialização de combustíveis – produção, distribuição e revenda – estão livres desde janeiro de 2002.

ANP – Como revela a nova rodada de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), que monitorou os preços no varejo brasileiro entre os dias 21 e 27 de junho, Mato Grosso tem o terceiro preço médio de bomba mais caro do país, R$ 2,28. Perde apenas para Roraima (R$ 2,41) e para o Acre (R$ 2,37). O valor médio mato-grossense é calculado por meio da coleta de preços em oito cidades, nas quais se encontrou preço mínimo de R$ 2,13 (Rondonópolis) e máximo de R$ 2,62 (Alta Floresta, a 800 quilômetros ao norte de Cuiabá).

Considerando a média da ANP, o preço do diesel na bomba mato-grossense recuou apenas 3,38% de 31 de maio a 27 de junho, período que equivale ao monitoramento de quatro semanas feito pela Agência. O governo federal previa uma redução ao consumidor de 9,6%.

PMPF – Em maio, a secretaria de Fazenda do Estado, ‘descongelou’ o valor do PMPF e o reajustou em 10,21%. O PMPF saiu R$ 2,1269 para R$ 2,3399, valor este que está em vigor desde 1° de maio. Há dois anos o valor da pauta (PMPF) estava inalterado em R$ 2,1269. Durante o anúncio, o secretário Eder de Moraes Dias anunciou “que este mesmo valor permanecerá congelado até dezembro deste ano”.

Na ocasião, quando foi questionado sobre o ajuste que eleva a pauta em pouco mais de 10%, Moraes explicou que a medida foi adotada como uma resposta à falta de reconhecimento do segmento revendedor “ao esforço que o Estado fez por durante dois anos”. Como completa: “O congelamento da pauta que na prática reduziu a alíquota do óleo diesel de 17% para 15%, não beneficiou o consumidor. O subsídio ao varejo concedido pelo Estado não chegou à bomba, então, como o nosso objetivo não foi alcançado, retomamos as condições de mercado”.

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