Falta de crédito e competição com carros zero quilômetro prejudicam usados

Desde que houve a redução do IPI para veículos novos, em dezembro do ano passado, as revendas de usados têm sofrido mensalmente queda das vendas

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As facilidades para comprar veículos novos com a redução do IPI e a menor oferta de crédito estão causando tempos difíceis para as revendas de carros usados e seminovos no Rio Grande do Sul. Diversos comerciantes têm relatado dificuldades para vender seus estoques de veículos, levando a uma queda dos preços e à redução dos ganhos das empresas.

Desde que houve a redução do IPI para veículos novos, em dezembro do ano passado, as revendas de usados têm sofrido mensalmente queda das vendas. Um exemplo é a rede Qualiauto. A associação, que possui 15 revendedoras distribuídas em oito cidades, viu sua comercialização caírem em cerca 40% no período. Essa queda resultou em perdas de 25% a 30% no valor dos veículos em estoque. “Um Vectra 2002, que custava R$ 33 mil em setembro, hoje vale R$ 24 mil”, afirma Edson Rodrigues Santos, presidente da Qualiato.

Uma das causas da queda na comercialização seriam os altos juros em comparação com os carros novos. De acordo com Santos, enquanto os financiamentos para veículos 0 km possuem taxas de 1,4%, para os seminovos são cobrados juros de 1,7% e 1,8%. “Não bastasse isso, as financeiras também estão restringido o crédito para setor”, reclama. A queda na receita levou diversas lojas a reduzir seu quadro de funcionários, ou mesmo a fechar as portas. A Tradição Veículos, na avenida Ipiranga, em Porto Alegre, foi obrigada a reduzir custos, passando de oito para três funcionários apenas. No entanto, a medida não foi suficiente.

De acordo com seu proprietário, Leonardo Pinto, a revenda deverá fechar as portas até o fim do mês. “Apenas aqui, na região próxima à nossa loja, outras três revendas já encerraram atividades, e outras duas tiveram que se mudar para cortar gastos”, comenta.

Segundo Pinto, as instituições financeiras estão impondo muitas dificuldades para oferecer crédito a compradores de veículos seminovos. “Os bancos fecharam o crédito, estão fazendo exigências absurdas e só aceitando fazer com quem possui fichas excelentes”, aponta. As restrições têm contribuído para a falta de clientes na loja. De média de comercialização que era de 15 carros mensalmente, a empresa chegou a realizar apenas uma venda no mês passado.

Localizada ao lado da Tradição Veículo, a revenda Vitrine do Carro também está sofrendo dificuldades com a estagnação do mercado. “Desde o final do ano passado o movimento caiu 90% na loja. Se em 2008 vendíamos em média cinco ou seis carros por semana, hoje é apenas um ou mesmo nenhum”, informa o vendedor Roberto Furtado. Segundo ele, embora os preços da loja já tenham sido reduzidos em torno de 20%, isso não foi suficiente para atrair a atenção dos clientes. “Tem dias em que só entram duas ou três pessoas aqui, mas apenas olham, e você percebe que não têm real interesse em adquirir o carro”, lembra.

O presidente da Federação Nacional das Associações de Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), Ilidio Gonçalves Santos, afirma que o governo federal já sinalizou que deverá adotar medidas para liberar mais crédito ao setor de veículos usados a partir deste mês. Segundo ele, as dificuldades para a obtenção de financiamentos devem-se à alta inadimplência do setor que ocorreu nos primeiros meses do ano. “Como esse fator já está se reduzindo, a promessa das instituições financeiras é de que poderemos ter em breve mais flexibilidade nas liberações”, explica.

No entanto, Santos também defende que os revendedores necessitam de outros benefícios para atenuar a crise, como a isenção de tributos federais e de ICMS nos estados. “O único bem usado que paga imposto no País é o carro”, afirma.

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