Concordata da GM vai cortar fábricas e empregos no mundo

Inicialmente o acordo com os credores era visto como uma forma de evitar o pedido de proteção ao "Capítulo 11" da Lei de Falências americana - o equivalente a concordata ou recuperação judicial, no Brasil

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O anúncio de que 54% dos credores da General Motors aceitaram trocar parte dos US$ 27 bilhões de seus débitos por 10% da “nova GM”, que surgirá depois da reestruturação empresa – eles têm autorização para comprar mais 15% depois – pavimentou o caminho para o pedido de concordata com que a montadora deve entrar hoje junto ao tribunal de falências em Nova York. A empresa já convocou a imprensa para uma entrevista coletiva, mas não revelou os motivos.

Entre os credores, estão grupos como a Fidelity Investments e a Franklin Templeton Investments, e 100 mil investidores individuais.

Inicialmente o acordo com os credores era visto como uma forma de evitar o pedido de proteção ao “Capítulo 11” da Lei de Falências americana – o equivalente a concordata ou recuperação judicial, no Brasil. Entretanto, agora a posição dos credores é importante para que a montadora saia rápido do processo de recuperação. De acordo com o que foi publicado ontem pelo jornal Financial Times, a montadora trabalha para deixar a situação de concordata em 1º de agosto.

Antes da decisão dos credores no final de semana, na última terça-feira, o grupo havia rejeitado um acordo que se limitava a oferecer 10% das ações da empresa em troca da quitação da dívida. Os credores eram considerados peças-chave do processo de recuperação judicial.

A GM corre ainda para cumprir o prazo de apresentar hoje o plano de reorganização. A empresa já recebeu cerca de US$ 20 bilhões em empréstimos do governo e pode receber mais US$ 30 milhões caso declare a concordata, que deve durar de 60 a 90 dias. Entretanto, segundo o The Wall Street Journal, deve demorar cerca de 18 meses até que a GM se torne uma companhia aberta novamente. No processo de reestruturação da montadora, há fechamento de fábricas, demissão de funcionários, venda de marcas e acordos para reorganizar seus mercados. Também é esperado que o executivo Al Kohn seja nomeado novo chefe do escritório de reestruturação.

O presidente Barack Obama deverá fazer um pronunciamento para anunciar os próximos passos do governo – que se prepara para assumir o controle de mais de dois terços da GM em troca de bilhões de dólares. A mensagem de Obama deverá ser a de que o governo pode salvar a GM e a Chrysler, que já aderiu ao “Capítulo 11”, e recuperar os investimentos dos contribuintes.

“O presidente Barack Obama está satisfeito, independentemente do que acontecer até o fim do prazo”, disse Robert Gibbs, porta-voz da Casa Branca. “O presidente obviamente vai observar o que acontecer e terá alguma coisa para dizer”, acrescentou Gibbs.

O porta-voz disse que a Chrysler, que pode emergir da concordata em breve, é um bom exemplo para a GM. Gibbs também reiterou as garantias do governo de que o presidente Obama não quer controlar ou administrar empresas privadas.

Por enquanto, o Tesouro dos EUA permanece como principal detentor da futura companhia, com 72,5% de participação acionária, seguido pelo sindicato United Auto Workers, com 17,5% dos títulos.

Desde dezembro, a General Motors está funcionando graças aos US$ 19,4 bilhões que Washington emprestou à empresa. Além disso, o fabricante disse que precisará de mais US$ 7,6 bilhões a partir de hoje para manter a produção em suas unidades.

No Brasil, as atenções estarão voltadas amanhã à subsidiária da GM, que promove entrevista coletiva à imprensa para comentar os negócios da montadora no País. O presidente do grupo para o Brasil e Operações Mercosul, Jaime Ardila, dará entrevista.

Na sexta-feira, as ações da montadora desabaram mais de 30% (aos US% 0,75), ficando cotadas abaixo de US$ 1 pela primeira vez desde 1933.

Maratona

Desde a semana passada a General Motors entrou em uma maratona para completar uma série de negociações na intenção de agilizar a concordata ou mesmo evitá-la. Entre esses detalhes finais estavam a renovação de contrato com o sindicato United Auto Workers, que ratificou um acordo trabalhista com a empresa, acabando com um dos maiores obstáculos aos esforços de reestruturação da companhia.

Além disso, a montadora aguardava acordo com o governo alemão e a fabricante canadense de autopeças Magna International para assumir o controle da Opel, subsidiária alemã da montadora. Esta negociação tinha como objetivo proteger a Opel de cobranças no caso de recuperação judicial da GM nos Estados Unidos.

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