Aumento do IPI poderá ser gradual

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi evasivo ao comentar a possibilidade de estender o desconto do IPI por mais alguns meses

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Sem que o governo se posicione oficialmente sobre o futuro da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cobrado de automóveis e caminhões, crescem os rumores de que o benefício será renovado. Na noite de quarta-feira, o Jornal da Globo informou que o Ministério da Fazenda estuda uma forma de elevar gradualmente o imposto e que não há a possibilidade de o tributo retornar ao nível anterior a partir de primeiro de julho. A mesma informação havia sido divulgada por agências de notícias há dez dias.

Ontem, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi evasivo ao comentar a possibilidade de estender o desconto do IPI por mais alguns meses. Segundo Mantega, o governo está atento a todos os segmentos da economia e quer verificar quando o movimento de suas vendas, especialmente daqueles que receberam benefícios, retomará níveis normais sem precisar de mais de incentivos. “Estamos primeiro olhando o nível de atividade e em segundo lugar o problema fiscal”, disse. Esse discurso contrasta com uma entrevista concedida do começo do mês, em que ele descartava a hipótese de renovar o desconto no IPI.

“A economia não está consolidada e nós defendemos que a redução do IPI seja mantida por mais tempo”, diz Gláucio José Geara, vice-presidente nacional e diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). “O governo precisa ter certeza de que o mercado vai absorver a produção de veículos com um preço de 5% a 7% mais alto.” A medida do governo baixou a alíquota para carros 1.0 de 7% para zero, dos veículos 1.0 a 2.0 de 13% para 6,5%, e dos carros flex com motores acima de 1.0 de 11% para 5,5%.

Para Raphael Galante, consultor do setor automotivo, o aumento gradual da alíquota pode não ser a melhor alternativa para evitar que o mercado caia nos próximos meses. “Se o governo precisa aumentar o imposto, é melhor que seja de uma vez, mas talvez com alíquotas menores do que antes da crise”, opina. “A antecipação de compras em junho está sendo forte e julho será um mês com vendas mais fracas de qualquer forma.” Galante diz também que as montadoras teriam como absorver parte do aumento nos impostos. “Elas cortam as margens de acordo com o mercado. Por isso vemos tantos bônus neste mês”, diz. Segundo Geara, os preços dos veículos, com bônus e IPI mais baixo, são hoje 10% menores do que em janeiro de 2008.

Nas revendas, as dúvidas sobre a manutenção da redução no IPI fizeram com que a procura disparasse – segundo a Fenabrave-PR, as vendas nos primeiros 15 dias de junho estão 15% maiores do que em maio. “Junho tem tudo para ter as maiores vendas do ano”, diz Ricardo Davet, gerente comercial da concessionária Super Fiat. Ele diz que já faltam opções de cores e de opcionais em modelos de entrada, como o Mille.

Na Ford Slaviero Iguaçu, a tendência, segundo o gerente de carros novos Rogério Lechinski, é de que as vendas superem a marca de 230 unidades de março. “O resultado vai depender um pouco de como o governo vai tratar a questão do IPI. Se as pessoas notarem que não haverá a prorrogação, elas vão correr para comprar o carro do jeito que querem.”

Novas medidas – O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou ontem que, se for necessário, o governo fará “novos ajustes nas despesas”, a fim de permitir que continue adotando medidas anticíclicas “que estão dando resultados”. O ministro, porém, não detalhou as áreas nas quais os cortes poderiam ser feitos.

Mantega ressaltou que as demandas interna e externa foram muito afetadas pela crise financeira internacional e que os investimentos ficaram deprimidos. Segundo ele, para alavancar os investimentos no país, o governo pode adotar novas ações, mas também não especificou quais seriam elas. “Nós não podemos falar de medidas que ainda estão sendo amadurecidas pelo governo, mas que em breve serão apresentadas. Na área de crédito, haverá novidade e redução do custo de modo geral.”

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