Armazenagem é desafio para o segmento primário

No entanto, se por um lado o processo de implantação e desenvolvimento das lavouras costuma ser eficiente, o pós-colheita, especialmente a fase da armazenagem, ainda deixa muito a desejar e há alguns anos é considerada com um dos principais gargalos do setor primário do País

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A cada ano uma fórmula que alia alta tecnologia, clima propício e aumento de área cultivada tem feito com que os resultados das lavouras no País registrem crescimento médio que oscila entre 4% e 5%. À exceção de safras como a corrente, que sofreu com os efeitos da estiagem, a tendência, segundo especialistas, é de que esse crescimento prossiga, em função dos investimentos feitos nas lavouras, além do emprego crescente de tecnologia.

No entanto, se por um lado o processo de implantação e desenvolvimento das lavouras costuma ser eficiente, o pós-colheita, especialmente a fase da armazenagem, ainda deixa muito a desejar e há alguns anos é considerada com um dos principais gargalos do setor primário do País.

O crescimento da capacidade de estocagem de grãos não ultrapassa 2% ao ano, o que em termos de Brasil significa um volume descoberto de 40 milhões de toneladas, de um total de 135 milhões previstas para este ano. Se a dificuldade de acesso à armazenagem persistir, é possível que na safra 2014/2015 o déficit chegue a 70 milhões de toneladas. O diretor da Agrocult Consultoria e Treinamento em Armazenagem, Adriano Mallet, afirma que, no caso do Rio Grande do Sul, a capacidade de armazenagem é de 23,5 milhões de toneladas e que o déficit médio gira em torno de 4,3 milhões de toneladas. “São 4.020 unidades armazenadoras e o crescimento estimado da capacidade é de 2,5% ao ano.” Dados da Conab divergem um pouco e dão conta de que a capacidade estática é de 22,64 milhões de toneladas, para uma produção estimada de 22,37 milhões de toneladas, na safra 2008/2009. “Estamos operando com a capacidade ajustada, o ideal é que tivéssemos uma folga, ou seja, que a capacidade fosse 20% acima do volume produzido, para se falar em tranquilidade, em função dos sucessivos recordes de produção”, afirmou o superintendente da Conab no Estado, Carlos Farias. O dirigente afirma que no caso de culturas como o trigo, soja e milho, o Estado conta com a vantagem da sazonalidade, onde no momento em que sai a cultura de inverno, entra a de verão. “No entanto, a soja está com escoamento lento e o trigo com lentidão na comercialização, mas se há fluidez, a capacidade é normal.”

No caso do arroz, existem armazéns disponíveis para receber a produção. “Contamos com espaço suficiente para o produto, mas mesmo assim buscamos incrementar”, afirmou o presidente da Federarroz, Renato Rocha. Segundo o dirigente, é importante que mais armazéns estejam cadastrados junto à Conab, para que os produtores possam usufruir de mecanismos de negociação oferecidos pelo governo federal, como AGF’s e contratos de opção. Rocha acrescenta que o setor está pleiteando junto ao Banco do Brasil a criação de um programa específico para fomentar a armazenagem nas propriedades que cultivam arroz. “No caso da orizicultura, 75% dos agricultores são arrendatários e não conseguem construir seus silos, pois têm apenas imóveis na cidade como garantia.” Hoje no Brasil, 80% dos silos estão em mãos de cooperativas, indústrias, cerealistas e traddings, e apenas 20% são gerenciados pelos próprios produtores.

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