British Airways e a espanhola Iberia negociam fusão

A empresa britânica afirmou ontem que ambas as companhias passarão vários meses discutindo os termos de uma fusão acionária que pode criar uma companhia aérea com valor combinado de US$ 8,6 bilhões

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A British Airways e a espanhola Iberia estão em negociações para criar a terceira maior companhia aérea do mundo, no que pode formar a base para uma conexão transatlântica de três companhias e desencadear uma nova onda de acordos na indústria.

A empresa britânica afirmou ontem que ambas as companhias passarão vários meses discutindo os termos de uma fusão acionária que pode criar uma companhia aérea com valor combinado de US$ 8,6 bilhões. A nova empresa voará para cerca de 200 destinos e que poderá expandir significativamente a presença da British Airways no crescente mercado latino-americano.

Notícias sobre as negociações fizeram as ações da Iberia disparar 21%, enquanto a BA se valorizava em 6%.

O presidente-executivo da British Airways, Willie Walsh, e o presidente do conselho da Iberia, Fernando Conte, disseram em conferência de imprensa em Madri que a nova empresa operará com as duas marcas separadas, mas que se beneficiarão com corte de custos, maior poder de compra e maiores sinergias de receitas graças à uma maior rede de atuação.

“Isso cria uma companhia aérea muito mais forte, capaz de competir num ambiente bastante alterado da indústria aérea”, disse Walsh.

O presidente da British Airways confirmou que as duas empresas ainda conversam com a companhia norte-americana American Airlines sobre um acordo transatlântico.

O grupo combinado terá receita de € 16,5 bilhões sendo cerca de 60% disso vindo da BA  aproximadamente 450 aeronaves e maior capacidade de competir com as rivais Air France-KLM e Lufthansa.

A British Airways tem sido acionista da Iberia desde sua privatização, há quase 10 anos, e detém 13,5% do grupo espanhol. A Iberia possui 2,99% de participação direta na BA. O banco espanhol Caja Madrid detém 22,99% do capital da empresa aérea espanhola.

A British Airways afirmou que ambas as partes estão confiantes de que haverá aprovação de um acordo por parte de autoridades de defesa da concorrência. A empresa acrescentou que a União Européia já permitiu que as duas companhias cooperem abertamente e que os órgãos reguladores espanhóis e franceses reagiram positivamente à notícia sobre uma possível fusão.

A British Airways e a Iberia controlarão cerca de 45% dos slots de pousos e decolagens no aeroporto britânico de Heathrow, centro de vôos entre Europa e os Estados Unidos.

A British Airways disse há duas semanas que reduzirá sua capacidade de transporte de passageiros e suspenderá as contratações num momento em que enfrenta dificuldades para registrar lucro.

“O cenário da aviação está mudando e a consolidação das empresas aéreas está bastante atrasada”, disse Willie Walsh, principal executivo da British Airways, no comunicado. “A combinação dos balanços das duas empresas, as sinergias esperadas e a adaptação da rede das duas empresas transformam a fusão em uma proposta atraente, especialmente no atual ambiente econômico.”

Os preços recorde do petróleo e a desaceleração das economias mundiais levaram as empresas aéreas a se fundir ou fortalecer suas parcerias. A Ibéria, sediada em Madri, é atraente para possíveis parceiros devido a uma rede de rotas que inclui a maior parte dos serviços entre cidades européias e latino-americanas como Buenos Aires e Rio de Janeiro.

As ações da Iberia subiram 4,3% em Madri antes de as negociações terem sido suspensas, o que atribui à empresa aérea valor de mercado de € 1,63 bilhão (US$ 2,6 bilhões). Os papéis da British Airways, cujo valor de mercado é superior ao dobro do da Iberia, avançaram 7,5% em Londres.

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