MT fecha fronteiras

De acordo com o superintendente federal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Mato Grosso, Francisco Moraes Chico Costa, o abate, industrialização e exportação de carne suína no Estado seguem sem alterações

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Toda entrada de produtos derivados de suínos, produzidos no exterior, será barrada nos portos, aeroportos e fronteiras rodoviárias de Mato Grosso. A proibição é uma medida de precaução para que a gripe suína, detectada em animais do México, possa contaminar o Estado, que é exportador de carne suína e tem o mercado europeu como seu principal cliente.

De acordo com o superintendente federal da Agricultura, Pecuária e Abastecimento em Mato Grosso, Francisco Moraes Chico Costa, o abate, industrialização e exportação de carne suína no Estado seguem sem alterações. “A nossa preocupação é mais em relação ao que está entrando no país, especialmente produtos derivados de suínos”, explicou.

Como Mato Grosso não tem tradição em importar materiais genéticos de origem suína, o fechamento das barreiras para a entrada desses produtos não deverá trazer forte impacto para o Estado. A última compra externa de materiais genéticos derivados de suínos, realizada pelo Estado, foi em 2003.

De acordo com estatísticas da Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) referentes a 2007, o Estado conta com 209,65 mil matrizes e um rebanho total de mais de 1,2 milhão de cabeças. No comparativo apresentado pela entidade, o Estado tem o maior número de matrizes do Centro-Oeste e um dos principais plantéis do Brasil, perdendo apenas para os rebanhos localizados na região Sul.

“Além disso, até agora nunca foi encontrado qualquer tipo de doença ou vírus na carne suína produzida no Estado, o que deverá manter a credibilidade sanitária mato-grossense tanto no mercado interno quanto no exterior”, informou Chico Costa.

Segundo informações do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, todas as importações de produtos da categoria serão analisadas e autorizadas pelo Departamento de Saúde Animal do Mapa, em Brasília, antes de serem adquiridas.

Para o superintendente Chico Costa, a iniciativa de centralizar em um só local a fiscalização dos produtos e materiais genéticos de suínos que chegam ao Brasil visa impedir que vestígios da gripe suína mexicana possam contaminar a produção do país. “Estamos atentos a esta situação e vamos continuar acompanhando a evolução da situação”, disse.

Costa informou estar sendo procurado a todo instante pelos produtores e entidades de classe do Estado, em busca de informações sobre as medidas a serem adotadas pelo Mapa. “Temos procurado tranqüilizar os produtores, mas estamos recomendando também muita cautela”.

O fiscal federal agropecuário Donizete Mesquita, do Departamento de Sanidade Agropecuária da SFA/MT, disse que o órgão está em estado de “alerta máximo”. Segundo ele, não existe qualquer impacto da gripe na saúde animal. “Por enquanto, temos apenas um problema de saúde pública e o consumo, abate, industrialização e exportação de animais estão normais em Mato Grosso e no restante do país”, garantiu.

SEM REGISTRO – O Mapa confirmou por meio de nota de esclarecimento que no Brasil não há registro da doença em animais e que o consumo da carne ou de outros produtos derivados do suíno continua sem qualquer restrição. O mapa esclareceu ainda que, qualquer eventual alteração da situação animal no país será imediatamente comunicada à população.

Só em 2008, o Brasil exportou carne suína para 76 países, o que representou um faturamento de mais de US$ 1 bilhão para o país, que faz da produção brasileira de suínos, a quarta maior do mundo.

Um comunicado deverá ser publicado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), alertando que não existe um problema de saúde animal e que medidas de restrições ao consumo não precisam ser adotadas. O comunicado seria para tranqüilizar os países exportadores, uma vez que chegaram a circular rumores de que a Ucrânia iria barrar toda a carne suína das Américas, inclusive a do Brasil.

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