Exportações de milho em janeiro são recorde com alta de 166,8%

Foram 18 navios carregados principalmente com milho de Mato Grosso que deixaram os portos de Santos (SP), Itacoatiara (AM), Vitória (ES), São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá (PR)

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As exportações de milho do Brasil no primeiro mês do ano somaram 1,046 milhão de toneladas, 126% mais que o antigo recorde batido em janeiro de 2007 de 462 mil toneladas. Foram 18 navios carregados principalmente com milho de Mato Grosso que deixaram os portos de Santos (SP), Itacoatiara (AM), Vitória (ES), São Francisco do Sul (SC) e Paranaguá (PR).

No ano passado, foram embarcadas em janeiro 392 mil toneladas, nesse caso a alta comparativa é de 166,8%. Em dezembro, o volume embarcado já havia sido expressivo, 1,3 milhão de toneladas. Essa alta contrasta com a queda de 16,5% no volume embarcado de soja, o principal grão de exportação do Brasil. No período, considerado entressafra da oleaginosa, 500 mil toneladas foram entregues no mercado externo contra as 599 mil negociadas em janeiro do ano passado.

O levantamento preliminar é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). A análise do pesquisador Lucílio Alves revela ainda que é grande o número de navios listados para serem abastecidos com o cereal brasileiro também em fevereiro. Corretoras calculam que neste mês podem ser embarcadas outras 700 mil toneladas de milho. Até então o País havia exportado o valor recorde de 357 mil toneladas em fevereiro de 2007. Em 2006, nem 200 mil toneladas ganharam o mercado internacional no período. “O fator dólar é o maior impulso no mercado agora”, declarou o analista Leonardo Sologuren, da Céleres.

Alves enumera as razões para o recorde batido em janeiro e que também poderiam justificar os volumes estimados para este mês: “o mercado já conquistado em 2007, a restrição de oferta na Argentina e a taxa cambial favorável”. Ainda segundo o pesquisador do Cepea, problemas de abastecimento de trigo poderiam ter motivado um incremento nas compras de milho, que na composição da alimentação animal substituiria o trigo. Outro fator seria o recuo nas vendas externas de milho americano, que teria permanecido no país para abastecer as usinas de etanol.

Os exportadores brasileiros alegam também o impulso dado pelos leilões de Prêmios por Escoamento da Produção (Pep), subvenção governamental que garante a remuneração ao produtor e incentivo à indústria promotora das exportações. A justificativa encontra respaldo no fato da maior parte do milho exportado ter origem mato-grossense, estado que negociou mais de 500 mil toneladas via Pep só em janeiro.

Para Sologuren, há possibilidade de manter essa tendência de alta nas exportações ao longo do ano. “O desafio é aproveitar a competitividade do dólar e ganhar market share, porque a princípio o trading global é menor, 19 milhões de toneladas menor do que no ano passado”, destacou Sologuren. O Brasil, terceiro exportador mundial de milho, fechou o ano de 2008 com vendas externas de 6,4 milhões de toneladas, ante um recorde de 11 milhões em 2007. Para este ano, o governo brasileiro prevê que 8 milhões de toneladas de milho devem ganhar o mercado externo.

Além do alto volume negociado, as divisas geradas pelas negociações também devem registrar alta. A valorização média do cereal em janeiro apurada pelo Cepea foi de 10,2%. Em Paranaguá, essa alta levou o preço da saca a R$ 22, em dezembro a média era de R$ 19. Na Bolsa de Chicago (CBOT), a mesma quantidade do cereal foi negociada durante o mês por um valor médio de US$ 9,75, com a taxa cambial a R$ 2,31, em dezembro o grão valia US$ 9,11, a uma taxa de R$ 2,40.

“O comportamento atual do milho brasileiro no mercado internacional e também no mercado interno alivia as perdas acumuladas em 2008”, analisa Lucílio Alves. De acordo com ele, no ano passado o preço real do milho recuou 43%.

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