Frete baixo ainda não remunera custos

"O mundo todo sofre com a queda da demanda. Em muitas rotas que partiam do Brasil tivemos que rever a capacidade. Mas, ainda não paramos navios"

Terminal no Porto do Recife terá edital em agosto
Montadoras reduzem taxa de juros para evitar retração
Anfavea aponta redução no ritmo de vendas de veículos em agosto

A queda na demanda na América do Sul fez com que os armadores que operam na região reduzissem a capacidade instalada nos navios. O diretor da Hamburg Süd no Brasil, Julian Thomas, disse que depois de uma queda brusca, o frete se estabilizou na região, mas em níveis baixos, o que não paga os custos da operação.

“O mundo todo sofre com a queda da demanda. Em muitas rotas que partiam do Brasil tivemos que rever a capacidade. Mas, ainda não paramos navios”, disse Thomas, durante a feira de logística, Intermodal. Segundo ele, 11% da frota mundial está parada – cerca de 453 navios. “A previsão mais pessimista prevê que cerca de 20% da capacidade instalada no mundo não será movimentada. Serão em torno de 1 mil embarcações”, ressaltou Thomas.

Dentro da readequação de capacidade, a Hamburg Süd deverá escalar, a partir de meados do próximo ano, 10 navios de 7,2 mil TEUs de capacidade nas rotas que servem o Brasil. “Essa é uma medida necessária para que o frete se recupere e o custo seja compatível com a operação”, afirmou o executivo.

Outro armador que reduzirá a capacidade nas rotas para o País é a CMA CGM. O presidente da empresa, Nelson Carlini, disse que a companhia já está trocando os dois navios que podem movimentar 2,8 mil TEUs para a linha para a Ásia por uma embarcação de 4,2 mil TEUs. “Em março percebemos uma recuperada no volume, mas ainda o valor do frete está aquém dos custos. Isso não se recuperou. Por isso a decisão de adequar a demanda à capacidade”, disse Carlini. “Nos tempos áureos, trabalhávamos com 90% da capacidade; No auge da crise em janeiro, reduzimos para 55%.”

COMMENTS