Carga refrigerada mostra suas armas anticrise

No caso das especializadas no armazenamento e o transporte de cargas refrigeradas, tanto para o atendimento às redes de varejo quanto para a exportação a meta é buscar alternativas para não perder mercado

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A queda nas exportações por conta da crise econômica internacional começa a mexer na prática com os negócios das empresas de transporte de cargas. No caso das especializadas no armazenamento e o transporte de cargas refrigeradas, tanto para o atendimento às redes de varejo quanto para a exportação a meta é buscar alternativas para não perder mercado, além de manter sua infraestrutura no País, já que muitas são estrangeiras.

Francesa, a companhia de navegação CMA CGM, não pretende aumentar o espaço para esse tipo de carga nos navios, uma vez que a área reservada para os produtos tem saído com 70% da ocupação preenchida. O objetivo é elevar esse percentual até a totalidade. Já a Standard Logística, que desembolsou R$ 10 milhões em aportes no último ano, garantindo para a empresa um avanço de 30% nos negócios também em 2008, acredita que voltará a investir no mercado brasileiro no segundo semestre, quando o período mais crítico da crise deverá ter passado. A América Latina Logística (ALL) vê o avanço de suas operações de itens refrigerados. Já o Grupo Localfrio, que se originou por meio da movimentação destes produtos, vê a carga seca avançar sobre os congelados, mas ainda garante parte da estrutura para atender, grandes clientes do setor alimentício.

Segundo Alan Fuchs, diretor de Gestão da Standard, a empresa tinha a meta de avançar 40% em 2008, e deve fechar próximo a meta – acima dos 30%. “Na exportação, nossos clientes estão vendendo menos e, com isso, os armazéns estão lotados por efeito da crise”, analisou.

O que o diretor quis dizer é que trata-se de um efeito negativo, mas, por outro lado, gera receita com as diárias pagas pela armazenagem dos produtos. Mesmo com o cenário de mercado ainda incerto, Fuchs está otimista e acredita que este ano será bom para a Standard, pois ele diz que a empresa está atenta aos desdobramentos desse cenário e acredita que o setor de alimentos sofrerá efeitos menores.

No último ano, a Standard operou com diversos mercados, mas pouco com carne bovina e, ao conseguir uma certificação permitindo o manuseio destas cargas com destino a Rússia pelo terminal de Cubatão, acredita que a receitas devem aquecer. A maior estrutura da empresa está em Itajaí, mas, para o diretor, o terminal Cubatão-Santos tem potencial para avançar mais, podendo se tornar a maior unidade no futuro.

A partir de Santos, a Standard trabalha em parceria com a ALL, onde, no decorrer da malha ferroviária da operadora, diz utilizar três terminais de recarga, além de espaços para movimentar contêineres, tudo preparado e resfriado. A Standard também atua no mercado interno e atende grandes redes varejistas, como Wal-Mart e Carrefour.

Navegação

Responsável por parte dos negócios da CMA CGM, o diretor Comercial, Paulo Gudergues, explicou que todos os navios possuem parte da capacidade, até 300 TEUs (cada TEU corresponde a uma unidade de contêiner), para a acomodação de carga refrigerada. Porém, o espaço tem saído com, no máximo, de 70% da ocupação preenchida. “Nossa intenção é lotar essa capacidade primeiro, antes de aumentar o espaço. Já que há muita concorrência nesse segmento”, explicou.

Gudergues avisou que, apesar do esforço para avançar essa operação, a capacidade a empresa cresceu razoavelmente (ele não deu um número), e o esforço comercial será incrementado para as cargas refrigeradas. A CMA CGM transporta, em viagens de longa distância, a partir do sul brasileiro, frango e carne.

Já a partir do norte e o nordeste, frutas e pescados, para fora do País. A empresa saiu de um patamar pouco expressivo três anos atrás, para 11,8% de market share – 5ª do ranking neste segmento. Em relação a crise, o diretor da CMA disse que, apesar do crescimento ter arrefecido, o mercado brasileiro é um dos que deve superar bem o período.

No Brasil, a companhia francesa conseguiu aumentar seu market share, que no último ano estava na casa dos 7%, para a atual casa dos 10%. Aqui, ela opera com navios de até 1,8 mil TEUs, e deseja passar para embarcações de 3,8 mil ainda este ano.

Origem

A Localfrio nasceu da logística de frigorificados, que representa, atualmente, 15% das operações. Hoje, a corporação vê a carga seca e os contêineres aumentando cada vez mais nos terminais.

Eduardo Assumpção, diretor da Localfrio afirmou que, apesar da carga geral ter crescido significativamente, toda a infraestrutura da empresa é adaptável ao transporte de refrigerados. Para estas cargas, ela mantém duas unidades, na região da rodovia Anhangüera e no bairro da Mooca em São Paulo, respectivamente, onde, no ramo alimentício de frangos e carnes, atende a grandes clientes como Carrefour, Wal Mart e o Grupo Pão de Açúcar. Há ainda unidades no Guarujá e em Itajaí, além de outro braço da empresa, a transportadora Trasnlocal movimenta cargas pelo modal rodoviário. Em 2008, o grupo fechou o faturamento em R$ 180 milhões, mais 30% de incremento sobre o ano anterior.

Trilhos

Já a ALL completou cinco anos de operações para a Sadia e, neste período, a operação para a empresa de alimentos , cresceu mais de 100 vezes. O projeto que funcionava inicialmente com o transporte de cargas resfriadas pelo Paraná, acabou se estendendo até o Rio Grande do Sul. A ALL também atende outros clientes de cargas reefers (refrigeradas), como o frigorífico Friboi , em que a movimentação por ferrovia permitiu a exportação de carnes via o porto de Paranaguá. Com a Perdigão, a operadora trabalha com curto prazo, fechados separadamente.

Atualmente, a ALL mantém cerca de 40% do mercado captável de frigorificados com destino a Paranaguá, sendo que, no Paraná transporta 1.000 TEUs dessas cargas. A empresa anunciou que investirá R$ 600 milhões este ano. Mas, entre os principais projetos, está a otimização do trecho de ferrovia entre Alto Araguaia (MT) e Santos (SP). (Fabíola Binas-DCI)

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