Logística se organiza para escoar cargas no Sul

"Estamos voltando gradativamente, na região que vai de Joinville a Florianópolis, onde parte dos terminais de cargas foi destruída ao longo do caminho"

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O nó logístico originado pelas fortes chuvas que se abateram sobre Santa Catarina nos últimos dias, que chegaram a provocar em um raio de 200 quilômetros a parada de mais de 6 mil caminhões, começa a ser desatado pelas empresas responsáveis pelo escoamento de carga na região. Grandes terminais como os da Santos Brasil já registram o recebimento de cargas que deveriam ser movimentadas pelo Porto de Itajaí, enquanto docas como as da Administração Portuária de Paranaguá e Antonina (Appa) oficializaram a abertura de espaço para receber contêineres e auxiliar na operação. Profissionais do setor crêem que a movimentação de cargas volte se regularizar em pouco mais de duas semanas na região, e, enquanto isso não acontece, operadores logísticos como o Grupo Columbia reorganizam sua malha para atender à demanda dos clientes.

Nas estradas, os caminhões começam a circular e transportadoras como a Transportadora Plimor fazem as primeiras entregas ne região.

“Estamos voltando gradativamente, na região que vai de Joinville a Florianópolis, onde parte dos terminais de cargas foi destruída ao longo do caminho”, disse Pedro Lopes, presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de SC e membro da Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística (NTC & Logística).

Lopes contabilizou que o rodoviário levará por volta de duas semanas para se regularizar, e contou que, só em cargas, foi perdido R$ 1 milhão em danos diretos, o que, para ele, é impossível mensurar indiretamente.

Fabiano Basoti do Prado, coordenador de operações e logística da Plimor, do Rio Grande do Sul, contou que a empresa voltou a fazer entregas no entorno de Itajaí, mas que essas operações têm 400 remessas atrasadas. “Voltamos a operar depois da paralisação. Estamos acompanhando a situação dos clientes, porque em alguns casos eles não têm como receber mercadorias por estarem com sua empresa danificada”, disse. Na área, a Plimor perdeu quatro dias de operação.

Prado explicou que teve de redesenhar parte da operação, passando os caminhões a percorrer caminhos mais longos para não deixar de atender entregas. A Plimor crê que em poucos dias normalize suas operações. Ela cobre os três estados da Região Sul, além de São Paulo e Argentina, com uma frota de 250 veículos. A empresa presta auxílio às vítimas em parceria com O Boticário.

Terminais

Na área de terminais, o Grupo Columbia, que começou a operar em Itajaí uma unidade denominada Interporti Logística, está trabalhando com 10% da capacidade no local, passando a receber cargas via portos como o de Paranaguá, e tendo de complementar a operação pelo modal rodoviário para desembaraçar as cargas em Itajaí. “Nossa avaliação é de que tivemos problemas mínimos. No terminal, o índice de cargas atingidas foi no máximo de 2%. O que mais nos afetou foi a situação de nossos funcionários”, afirmou, ao DCI, Hario Tieppo, diretor da Columbia na Região Sul, ao colocar que, no primeiro momento, a empresa se concentrou em amparar seus trabalhadores, o que atrasou três dias a operação.

Para 2009, a Columbia garantirá o investimento de R$ 15 milhões na ampliação do Interpoti e crê na normalização ainda este mês. Trata-se de uma área portuária privativa alfandegada, que atende especialmente congelados, vocação da região. Por enquanto, a operadora logística trabalha com operações alternativas, com custo adicional, o que diminuiu a margem de lucratividade, e ainda não contabilizou essas perdas.

A Columbia mantém estrutura no Sul composta de dois portos-secos e centros de distribuição em Curitiba, além de unidade de transporte em Paranaguá e de uma outra alfandegada em Foz do Iguaçu. O Rio Grande do Sul tem três portos-secos, o maior deles em Uruguaina.

Um dos maiores grupos de terminais de contêineres do País, Santos Brasil, já recebeu 1.000 contêineres de cargas desviadas de Itajaí no Tecon Imbituba, também em Santa Catarina. Os terminais da empresa também presenciaram esse tipo de operação em Santos, onde os números estão sendo contabilizados.

A empresa afirmou que “por conta da situação em Itajaí, ajustes logísticos devem ser necessários até que a situação se normalize”. A empresa não acredita que haja um volume de carga muito expressivo desviado de Itajaí para o Porto de Santos, como vem sendo cogitado. “Mas estamos preparados para volumes adicionais caso isso se concretize”, disse Washington Flores, diretor superintendente do Tecon de Santos.

Portos

A Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) assinou na tarde de ontem uma ordem de serviço (OS) para atender cargas, em contêineres, oriundas de Itajaí. A assinatura da OS, com a disponibilização de mais dois berços para a operação destas cargas, terá inicio imediato a partir da chegada das demandas. “O ato vai permitir a operação de 10 a 12 mil contêineres em um mês”, disse Daniel Lucio Oliveira de Sousa, superintendente da Appa.

No último fim de semana, dois navios operaram 800 contêineres em Paranaguá, atendendo as cargas de Itajaí.

O Porto de Navegantes, que fica na outra margem e utiliza o mesmo canal para acesso das embarcações, não sofreu danos físicos, mas está com as operações paralisadas por conta dos estragos provocados com o acúmulo de entulho na área. O cálculo é de que a movimentação retorne na última semana de dezembro.

“A expectativa é de que, com a contratação da dragagem, até o dia 31 tenhamos um calado na ordem de 10 metros”, afirmou Osmari de Castilho Ribas, diretor superintendente do Portonave. O executivo calcula uma perda de R$ 20 milhões no faturamento, por 40 dias parados.

O porto montou postos para a obtenção de auxílio às vitimas. Navegantes é administrado pela Portonave S.A., que foi formada pela Triunfo Participações e Investimentos (TPI) e pela Backmoon Investments.

O nó logístico que derivou das inundações e bloqueios de estradas e portos em Santa Catarina já contabiliza mais de 6 mil caminhões de carga parados ou avariados em um raio de 200 quilômetros em torno de Itajaí, a cidade mais afetada. O setor de logística prevê que a movimentação seja regularizada em pouco mais de duas semanas.

Os terminais da empresa Santos Brasil, em Imbituba (SC), já receberam mil contêineres remanescentes de Itajaí. O Grupo Columbia reorganizou sua malha na região catarinense e a Administração Portuária de Paranaguá e Antonina (Appa), no Paraná, destinou mais espaço para contêineres. “A decisão vai permitir a operação de 10 a 12 mil contêineres em um mês”, diz Daniel de Sousa, superintendente da Appa.

O porto catarinense de Navegantes só deverá retomar suas operações no cais no final do mês.

A empresa alemã Kärcher acaba de trazer da Alemanha um purificador de água, de sua linha de produtos militares. Portátil, o equipamento é capaz de purificar 40 mil litros de água por dia, o que supriria tranqüilamente uma população de 20 mil habitantes. “As duas [cidades] que devem receber o equipamento seriam Itajaí e Pomerode”, diz o diretor da empresa, Abílio Hervê Cepera, que aguarda decisão das autoridades para enviar o equipamento.

Apesar de o entrave começar a ser resolvido, os estragos no agronegócio indicam alta nos preços do arroz e do feijão no início de 2009, reforçada pela quebra de safra da região catarinense, a segunda maior produtora da cultura de arroz no Brasil. (Fabíola Binas – DCI)

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