Empresas voltam ao nível de produção de 2006

Diferentemente de 2008 quando todas as montadoras haviam ampliado suas cotas de pedidos junto aos fornecedores e começaram o ano e embaladas num ritmo intenso para dar conta de atender longa fila de espera, em 2009 o programa de produção não é igual para todas as empresas

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A indústria de autopeças prepara-se para produzir 2,6 milhões de veículos em 2009, o que significa reduzir a produtividade da indústria automobilística ao nível de 2006, com volume 15% inferior a 2008.

Para janeiro a Dura Automotive e a Elring Klinger, com grande participação na indústria automobilística têm encomendas para uma produção de 180 mil veículos, volume 39% abaixo das 250.200 unidades fabricadas nem igual mês deste ano. “Mesmo assim é uma quantidade desafiadora porque os estoques estão elevados e, além disso, demora para retomar a produção depois de um longo período de férias coletivas, que envolveu todos os setores que abastecem as montadoras”, disse Mario Butino, presidente da Dura Automotive.

Diferentemente de 2008 quando todas as montadoras haviam ampliado suas cotas de pedidos junto aos fornecedores e começaram o ano e embaladas num ritmo intenso para dar conta de atender longa fila de espera, em 2009 o programa de produção não é igual para todas as empresas. “As montadoras que lançaram novos produtos e estão mais confiantes no futuro têm apresentado um planejamento mais firme para o próximo ano”, afirma Butino.

Apesar das incertezas, as montadoras não estão cancelando os novos projetos. Só a Volkswagen terá 16 novidades para o próximo ano, segundo informou o presidente Thomas Schmall. “Além de atender as necessidades do mercado, como a redução do consumo de combustível, de emissões e de melhorar o desempenho, os novos produtos também vão garantir maior produtividade em toda a cadeia de produção”, disse Luiz Alberto Timm Mirara, gerente comercial da Elring Klinger, empresa que fornece junta de cabeçote para todas as montadoras no País (exceto a Toyota).

Assim como os demais dirigentes da indústria de autopeças, Mirara também prevê que 2009 será um ano muito difícil. “Se não conseguir reduzir o nível de estoque de carros a maioria das montadoras irá esticar as férias coletivas em janeiro. Em fevereiro os indicativos ainda mostram um volume baixo de produção, com perspectiva de começar uma retomada a partir de março”, diz o gerente da Elring Klinger.

A TRW Automotive, que entrou em férias coletivas dia 15 deste mês, também tem pedidos menores para o primeiro trimestre de 2009. “A expectativa agora é se o mercado vai reagir com a redução do IPI para os automóveis e se o estoque diminuirá até o final deste mês”, disse Wilson Rocha, diretor de vendas e engenharia.

Além de aguardar com muita expectativa as programações das montadoras para o próximo ano, a indústria de autopeças também se queixa dos custos acumulados com a compra de matéria-prima e, com o aumento dos turnos de produção que envolveu a contratação de novos empregados.”Mudar as estruturas da empresa de repente é difícil, porque até demitir custa caro”, afirmou o diretor comercial da Eletromecânica Dyna, que abastece a linha de montagem com limpadores de pára-brisa.

“Muitas empresas estão sem caixa e ainda têm que pagar o salário de dezembro, o 13º, a PLR (participação nos lucros e resultados) e os impostos. Como conseguir honrar todos os compromissos sem ter vendas”, questiona o presidente da Dura.

O gerente da Elring Klinger informou que a empresa está redimensionando sua estrutura para se adaptar a uma produção menor. “Já eliminamos o terceiro turno e demitimos 35 empregados neste mês”, disse Mirara.

A BorgWarner, que fornece turbocompressores para as montadoras de caminhão, já demitiu 40 pessoas até agora e vai eliminar a partir de janeiro o terceiro turno na sua fábrica de Campinas (SP). “Algumas pessoas serão transferidas para o primeiro e o segundo turno. Outras serão demitidas”, afirmou o diretor geral da empresa, Sergio Castioni Veinert.

Com 40 anos de experiência no setor automotivo, Veinert disse que essa é a maior crise que já enfrentou. “E o mercado só deverá retomar no segundo semestre”, prevê.

Para 2009 a produção da BorgWarner voltará ao nível de 2006, com queda de 20% nos pedidos em relação a 2008. “Antes conseguia equilibrar a retração no Brasil com exportação. Agora não tenho opção porque a queda nas vendas é mundial”, afirmou.

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