“É hora de investir”, diz diretor da Petrobras

"Na hora em que todo mundo deixa de investir, é a hora de investir", disse Costa. "Esta é a avaliação que está sendo feita dentro da companhia, dentro da sua capacidade financeira de execução", acrescentou o executivo

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Às vésperas de divulgar seu plano de negócios para os próximos cinco anos, a Petrobras vem otimizando custos e, segundo o diretor de abastecimento da estatal, Paulo Roberto Costa, poderá manter um nível relevante de recursos entre 2009-2013, seguindo a máxima de que crise é oportunidade.

“Na hora em que todo mundo deixa de investir, é a hora de investir”, disse Costa. “Esta é a avaliação que está sendo feita dentro da companhia, dentro da sua capacidade financeira de execução”, acrescentou o executivo.

O plano de negócios da Petrobras será avaliado pelo Conselho de Administração da estatal no dia 19 de dezembro. Só depois de aprovado, o plano poderá ser divulgado ao mercado. Costa não quis dar detalhes sobre o novo plano de negócios, afirmando que ainda está em estudo, mas voltou a descartar adiamentos ou cancelamentos de projetos ligados ao pré-sal ou a obras iniciadas.

O plano de negócios atual (2008-2012) prevê investimentos de US$ 112,4 bilhões.

Já as refinarias de petróleo planejadas para o Nordeste, uma no Ceará e outra no Maranhão, estariam ainda sendo alvo de avaliação, como já era esperado pelo mercado. As duas juntas acrescentariam capacidade de refino de mais 900 mil litros por dia, metade da capacidade total atual. “Ainda estamos estudando (as refinarias), mas elas têm um cronograma de fases, a primeira fase entra em 2013 e a segunda fase em 2016. Tudo isso estamos avaliando, não batemos o martelo”.

Costa lembrou que, mesmo que haja retração no consumo global, como prevê a Agência Internacional de Energia – da ordem de 500 mil barris diários em 2009 -, o esgotamento natural de campos de petróleo é de 8 a 10% da produção total ao ano. “Mesmo que o mercado fique estagnado tem que entrar 8,6 milhões de barris de petróleo novo, se não entrar não vai ter petróleo suficiente”, disse, levando em conta o consumo de petróleo em 2008, que, segundo a AIE, será de 86 milhões de barris.

Costa disse que, em sua avaliação pessoal, o preço de US$ 50 por barril de petróleo não é sustentável e a tendência é de alta.

Demanda por combustíveis

O consumo de combustíveis no País este ano não foi abalado pela crise econômica mundial e até novembro acumula alta de 3,2% sobre igual período do ano passado, informou ontem o diretor de abastecimento.

De acordo com Costa, houve uma redução sazonal do consumo de diesel, devido “à conclusão da safra agrícola”, mas os demais combustíveis apresentaram um bom desempenho. “Estamos vendendo no mercado brasileiro 3,2% a mais do que em 2007”, disse Costa a jornalistas após participar de um seminário sobre biocombustíveis no Rio de Janeiro.

A venda de combustíveis no Brasil voltou a subir no ano passado, depois de dois anos seguidos de queda.

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