Venda de caminhão cresce com o País

O crescimento de setores como logística, bebidas e frigoríficos tem impulsionado a venda de caminhões

Scania tem excedente de 500 trabalhadores e pode demitir
Santos Brasil abre com perda a safra de balanços trimestrais
Operações da Continental Airlines crescem em agosto

BRASÍLIA – O crescimento de setores como logística, bebidas e frigoríficos tem impulsionado a venda de caminhões, que tem apresentado altos índices de aumento da produção. Liderado pela Mercedes-Benz, o segmento também se beneficia com o aquecimento da indústria automobilística.

A Ford, por exemplo, terceira no ranking nacional, em julho, cresceu mais que o dobro do segmento (29,6%) e registrou 1.998 unidades no varejo, que lhe deram uma participação de 17%.

Por sua vez, a Volkswagen Caminhões e Ônibus aproveita o momento favorável para alavancar a produção não só de caminhões como de ônibus. A estratégia vai de encontro à necessidade de um setor, que segundo especialistas, chegou a ver filas de espera de até seis meses para compra, demonstrado que há uma bela fatia de mercado a ser abocanhada.

Para se ter uma idéia, no segmento, a Volkswagen mantém grandes clientes no setor de logística, como a Binotto e a Julio Simões, que recentemente fecharam grandes compras, além de distribuidores de bebidas como a AmBev e a Femsa. No agronegócio, a empresa fornece unidades para frigoríficos como Bertin e Friboi.

Na Volkswagen, a idéia é aumentar de 47 mil caminhões produzidos no ano passado para 60 mil em 2008, enquanto no segmento de ônibus urbanos, a montadora pretende ampliar seu market share de 33% para 38% até o final deste ano, com o lançamento de um novo modelo, esquentando a disputa no setor.

“Queremos produzir 60 mil veículos na fábrica de Resende e esse número tende a aumentar ano que vem, podendo chegar a 75 mil”, contabilizou Antonio Roberto Cortês, presidente da Volkswagen Caminhões e Ônibus, em entrevista ao DCI.

Cortês explicou que no segmento de caminhões, a empresa tem hoje 31,4% de participação de mercado. No ranking nacional, a Volkswagen perde apenas para a Mercedes-Benz, e é seguida por Ford Caminhões, Scania, Volvo e Iveco, na seqüência. No ano passado, imediatamente um modelo de caminhão da Volks quebrou um tabu de anos ao ser o mais vendido do ano, posto garantido por um bom tempo pela Mercedes-Benz.

Ainda nos ônibus, a Volks tem como meta para este ano, de chegar a casa dos 10 mil coletivos fabricados. “O negócio representa hoje 20% dos negócios da divisão”, comentou o presidente.

A Volkswagen exporta unidades nos dois segmentos de atuação. No caso dos caminhões, eles saem de Resende para mais de 30 países, e, além disso, são mantidas linhas de produção no México e na África do Sul. Quanto aos ônibus, cerca de 10% da produção é exportada para países da América Latina, África e Oriente Médio.

Em relação às filas de espera, a Cortês afirma que elas estão diminuindo, ao passo que a produção vem aumentando. Ele salientou que “alguns modelos são vendidos em pronta entrega e outros, que se encontram nos segmentos mais movimentados, são entregues em até 90 dias”.

No caso dos ônibus, onde a empresa dobrou a fabricação entre 2005 e 2007, chegando a 7 mil unidades, o tempo médio para receber um veículo está na casa de dois meses. Entre os compradores dos ônibus, as principais praças estão Rio de Janeiro, Salvador, Belém e Goiânia, entre eles estão empresas como Real, Rápido Araguaia, HP Transportes, Cotego e Reunidas.

Em 2007, o faturamento bruto da montadora no segmento de ônibus e caminhões foi de R$ 5,2 bilhões, enquanto o faturamento líquido total da montadora foi de R$ 21,2 bilhões. No Brasil, existem 140 autorizadas de caminhões; destas, mais de 60 também atendem os clientes de ônibus.

No início do mês, a Volkswagen Caminhões anunciou seu plano de expansão para até 2018, quando pretende exportar o equivalente a 25 mil veículos da fábrica em Resende, para serem montados na China, Índia e Rússia. O aumento na demanda dos principais países emergentes do mundo irá puxar a ampliação da capacidade da montadora.

Os investimentos devem alcançar R$ 2 bilhões nos próximos 10 anos. “Nossa vocação é crescer 20% a cada ano e a estratégia é estar em todos os países em desenvolvimento”, disse Roberto Cortes, na ocasião. Para o executivo, a idéia é abrir unidades nos três países para montar os veículos com peças exportadas de Resende. A companhia já conta com filiais com esse mesmo perfil de produção na África do Sul, Colômbia e México.

As exportações da Volkswagen de caminhões e ônibus já alcançam 30% da produção atual da fábrica de Resende. No início de julho, a empresa anunciou o terceiro turno de produção a partir de setembro, com a contratação de 1,3 mil funcionários. (Fabíola Binas – DCI)

Link para a matéria

COMMENTS