Sobra gente, falta aeroporto

Movimento de passageiros no Afonso Pena deve superar a meta estabelecida pela Infraero para 2010. Obras de ampliação, no entanto, só começariam dentro de três anos

Infraestrutura do Porto de Paranaguá estimula ampliação de empresa de sal
BNDES realiza chamada pública para implantação do Corredor Ferroviário entre os oceanos Atlântico e Pacífico
Webjet amplia a oferta de voos a partir do Recife

O terminal de passageiros do aeroporto internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, atingiu nos últimos 12 meses o fluxo de passageiros previsto só para 2010. A capacidade do local, projetado para receber 3,5 milhões de pessoas ao ano, deve ser extrapolada em 900 mil pessoas em 2008. Mais do que problemas com a superlotação já registrada, a preocupação se volta para a falta de perspectivas. A Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) pretende reformar o terminal somente depois de ampliar a pista, o que deve levar pelo menos três anos.

Os transtornos que já incomodam os passageiros vão da simples falta de cadeiras na sala de embarque à fila de espera para decolagem em alguns horários de pico. Um exemplo da dimensão do fluxo pode ser mensurado no recorde de movimentação deste ano. Em alta temporada, no dia 16 de julho, das 11 horas ao meio-dia, passaram pelo aeroporto 1 638 passageiros. Além deles, o local também recebeu parentes, amigos, visitantes, funcionários e afins. Todos tendo de usar a mesma estrutura de cadeiras, banheiros, corredores, escadas e esteiras de bagagem.

O superintendente do aeroporto, Antonio Filipe Barcellos, faz questão de frisar que o fato de a capacidade do terminal ter sido atingida não compromete as operações no local. Apenas em alguns momentos, como horários de pico, é que as dificuldades aparecem. “Temos um nível de conforto bem razoável”, diz. Ele salienta que a Infraero administra 67 aeroportos e precisa estabelecer prioridades de investimento. “Mas já chegou o momento de se pensar na ampliação do terminal de passageiros”, admite. Um primeiro passo foi dado com a realização de um estudo para a adequação de fluxo da área de embarque internacional. A adaptação no setor deve acontecer em 2009.

De 1996 – quando foi inaugurado – para cá, o terminal de passageiros recebeu reparos e melhorias, mas a ampliação ainda não tem previsão para acontecer. Nos últimos meses, com o aumento do uso do transporte aéreo, o movimento do Afonso Pena subiu acima da média nos demais aeroportos. O presidente da Associação Brasileira das Agências de Viagem no Paraná (Abav-PR), Antônio Azevedo, destaca que medidas precisam ser tomadas o mais breve possível porque obras aeroportuárias são demoradas e exigem planejamento.

De acordo com informações da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), outros aeroportos do Brasil também ultrapassaram o limite de passageiros para a infra-estrutura que dispõem – alguns estão em situação muito mais desconfortável do que o Afonso Pena. Com base em critérios técnicos de engenharia aeronáutica, a capacidade de um terminal de passageiros é calculada para garantir conforto e agilidade no serviço. Quantidade suficiente de guichês de check-in, número apropriado de equipamentos de raio X e espaço adequado nas salas de espera são aspectos avaliados.

COMMENTS