BR-448: Ministro promete início das obras da Rodovia do Parque para agosto

A Agenda 2020 classifica o problema de tráfego no trecho entre Porto Alegre e Novo Hamburgo como o segundo maior do País. Nessa extensão da BR-116, densamente povoada e com a instalação de inúmeras indústrias, há um trânsito diário de mais de 120 mil veículos

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Durante a vinda do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, ao Rio Grande do Sul, na semana passada, para participar, junto com a ministra Dilma Roussef, de um balanço das obras do PAC no Estado, ele prometeu para agosto o início das obras de construção da BR-448, a chamada Rodovia do Parque. Com edital já publicado e licitações abertas, a rodovia, apesar de curta em seus 22,4 quilômetros de extensão, deverá ter um papel importante na redução dos congestionamentos diários que ocorrem na BR-116 na Região Metropolitana – que hoje se constituiu no maior problema de trânsito do Rio Grande do Sul e em um dos maiores do Brasil.

A Agenda 2020 classifica o problema de tráfego no trecho entre Porto Alegre e Novo Hamburgo como o segundo maior do País. Nessa extensão da BR-116, densamente povoada e com a instalação de inúmeras indústrias, há um trânsito diário de mais de 120 mil veículos. Nesse trecho, segundo os estudos feitos pelos técnicos que elaboraram a Agenda 2020, circulam produtos de valor equivalente a 65% da economia gaúcha. A Agenda 2020 propõe integrar as alternativas existentes ou criar novas visando a recuperação deste trecho da rodovia, por isso coloca a futura Rodovia do Parque como uma das suas prioridades.

A um custo estimado em R$ 850 milhões, a estrada passará por trás do Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio, indo até a BR-386, trecho Tabaí/Canoas e daí seguirá paralela ao rio dos Sinos, deslocando-se até a BR-290 (freeway), passando por cima do rio Gravataí, através de uma ponte com comprimento de 1.500 metros, e terminando no bairro Humaitá, em Porto Alegre.

Ela terá pista dupla em uma parte e três pistas de cada lado em outra. “É uma obra relativamente cara, que tem um trecho relativamente curto, devido à construção de muitas obras de arte. A obra, que vai ligar os municípios de Sapucaia do Sul, Esteio, Canoas e Porto Alegre vai mudar a realidade dessa área no Rio Grande do Sul”, afirmou Nascimento durante o anúncio. A estrada vai atravessar uma área pantanosa e alagadiça.

Pelo projeto divulgado, as propostas serão abertas no dia 26 de maio e, se não houver contestação judicial, as obras poderão ser iniciadas em agosto para ficarem prontas em 2011. A construção da rodovia federal prevê os seguintes serviços: terraplenagem, pavimentação, drenagem, construção de obras de arte especiais, sinalização e segurança viária, obras complementares e iluminação pública, recuperação ambiental, mobilização e desmobilização, instalação e manutenção de canteiro de obras e acampamentos.

Haverá a duplicação dos viadutos da RS-118,localizado no entroncamento com a BR-116, e no entrocamento com a BR-290 no valor de R$ 4.440.872,25. O projeto prevê a construção de uma ponte sobre o Arroio de Sapucaia com custo de R$ 4.119.488,21 e de passagem inferior rodoviária sob a BR-448 (R$ 2.154.167,28), e de passagens inferiores ferroviárias sob a BR-448 (R$ 1.959.3444,87) e no ramal de acesso a Esteio com custo de R$ 1.080.679,93.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) dividiu as obras de implantação e pavimentação da Rodovia BR-448 em três lotes:

Lote 1

Trecho: Entroncamento BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) – Entroncamento BR-290/RS (Porto Alegre);

Subtrecho: Entroncamento BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) – Entroncamento BR-290/RS (Porto Alegre);

Segmentos: km 0,0 – km 9,14;

Extensão: 9,14 km;

Orçamento: R$ 206.751.065,96 setembro de 2008

Lote 2

Trecho: Entroncamento BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) – Entroncamento BR-290/RS (Porto Alegre);

Subtrecho:Entroncamento BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) – Entroncamento BR-290/RS (Porto Alegre);

Segmentos: km 9,14 – km 14,44;

Extensão: 5,30 km;

Orçamento: R$ 179.945.411,76 setembro de 2008

Lote 3

Trecho: Entroncamento BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) – Entroncamento BR-290/RS (Porto Alegre);

Subtrecho: Entroncamento BR-116/RS-118 (Sapucaia do Sul) – Entroncamento BR-290/RS (Porto Alegre);

Segmentos: km 14,44 – km 22,34;

Extensão: 7,90 km;

Orçamento: R$ 463.539.084,05 setembro de 2008

Especialista prevê gargalo em 10 anos

O traçado da Rodovia do Parque, segundo o engenheiro civil Mauri Adriano Panitz, professor da Fijo/PUC e especialista em engenharia de trânsito, resolve emergencialmente os problemas causados pelo esgotamento do tráfego na BR-116 no trecho mais congestionado – entre Porto Alegre e Esteio. Mas a construção da rodovia é apenas um paliativo. “Entre cinco e dez anos o segmento entre Sapucaia e Novo Hamburgo será um gargalo”, afirma Panitz.

Para o professor, se a nova rodovia fosse construída do lado leste da BR-116, seria mais útil. “Existe um projeto feito há mais de 20 anos, que na época não foi executado por falta de recursos. O traçado da via começaria na Assis Brasil e iria até Campo Bom passando por trás da zona urbana dos municípios que fazem parte do trajeto”, destaca.

A vantagem, explica Panitz, é que a via seria construída em terreno sólido, enquanto a Rodovia do Parque será implantada sobre um terreno pantanoso. Em função disso, o custo da obra será de três a quatro vezes mais caro. Outra medida que poderia ter sido implementada, na opinião de Panitz, seria o aproveitamento das ruas laterais inacabadas da BR-116. “Há uma sucessão de segmentos que não foram finalizados. Do aeroporto Salgado Filho até São Leopoldo, há cinco interrupções que poderiam completar a capacidade de escoamento da rodovia. Estas vias laterais deveriam constituir uma via contínua”, afirma.

Professor diz que estrada é um paliativo

Para o professor da disciplina de rodovias da Escola de Engenharia da Ufrgs, João Fortini Albano, a construção da Rodovia do Parque é positiva, mas representa apenas uma das alternativas para desafogar o trânsito saturado da BR-116. “A obra é uma solução parcial, que vai contribuir para amenizar os problemas atuais na BR-116”, destaca. Ele conta que as previsões indicam que a estrada terá a capacidade de comportar uma demanda de até 50 mil veículos por dia.

Concomitantemente à obra da nova rodovia, outras alternativas devem ser estudas para reduzir os congestionamentos da BR-116. Uma delas já está em estudo e prevê a construção de uma estrada ligando o pólo petroquímico de Triunfo a São Jerônimo. Para viabilizar o projeto será necessária a construção de uma ponte sobre o rio Jacuí.

Albano explica que já existem intenções de desenvolvimento do projeto e que a obra da ponte ficaria a cargo da prefeitura de Triunfo e a construção da estrada caberia ao Daer. “Esta estrada serviria para desviar uma parcela importante do tráfego da BR-116”, revela.

A construção de uma via que iniciaria na intercessão da freeway em Cachoeirinha, margearia a região suburbana do bairro Niterói, em Canoas, até a RS-118, também é uma medida importante para reduzir a circulação de veículos na BR-116. “A viabilização desta obra está sendo estudada pelo Estado, através de uma PPP”, afirma Albano.

Licença ambiental foi liberada

As obras da Rodovia do Parque já têm o licenciamento ambiental desde 24 de março quando a governadora Yeda Crusius entregou, no Palácio Piratini, a licença prévia (LP) para construção da estrada. O estudo do impacto ambiental foi apresentado pela Fepam durante audiência pública realizada em janeiro. O próximo passo é a solicitação de licença de instalação pelo empreendedor. Na cerimônia de licenciamento, o secretário do Meio Ambiente, Berfran Rosado, disse que a licença ambiental tem um grande alcance social, já que possibilita a execução da obra planejada para evitar centenas de acidentes e mortes na BR-116, desafogar a principal via de acesso a Porto Alegre e melhorar a capacidade de escoamento da produção. “Com estes objetivos, mais a garantia da preservação e conservação ambiental, toda a sociedade ganha”, disse Rosado. A Fepam tomou todos os cuidados relativos à preservação, já que a nova estrada será limítrofe do Parque Estadual do Delta do Jacuí. Para emitir a licença, a Fepam condicionou o prazo de 90 dias para o Dnit apresentar medidas compensatórias a danos ambientais irreversíveis pelo empreendimento. As medidas serão implementadas na recuperação de matas ciliares na bacia hidrográfica do Rio dos Sinos. Ficou estabelecido que 0,6% do investimento total será destinado para compensações, por meio de investimentos em unidades de conservação do grupo de proteção integral.

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