Ônibus e carretas voltam a ter financiamento de 100%

Em agosto de 2008, a instituição fixou o limite de 80% para empresas com faturamento anual acima de R$ 60 milhões

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Os fabricantes de chassis e carrocerias para ônibus, caminhões, caminhões-trator, cavalos-mecânico, reboques, semi-reboques, chassis e carrocerias para caminhões acolheram positivamente o retorno das regras do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para 100% de participação das operações de financiamento do Finame. Em agosto de 2008, a instituição fixou o limite de 80% para empresas com faturamento anual acima de R$ 60 milhões. Todavia, empresários e dirigentes de entidades estão céticos quanto à retomada de pedidos no curto prazo.”As carteiras no nosso segmento estão baixas. Não saberia dizer quanto, mas, na média, estão muito baixas”, afirma o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), e do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), José Antônio Fernandes Martins. No período em que vigorou o limite de 80%, a participação do Finame nas vendas de carrocerias para ônibus manteve-se inalterado, ou seja, situou-se na faixa de 70%. Na avaliação de José Martins, este índice deverá ser conservado.

Prognóstico similar faz o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Implementos Rodoviários (Anfir), Rafael Wolf Campos, cuja participação do Finame, na média, fica em 70%, e em alguns casos, chega a 90%. “Temos hoje muitos fabricantes com os pátios lotados. A situação está instável”, comenta o dirigente, que condiciona uma movimentação maior nas vendas de reboques e semi-reboques a redução das taxas de juros – cujos reflexos aparecem de forma cruel nos “spreads” cobrados pelos bancos privados repassadores das linhas do BNDES: de 1% a 2%, dobraram para 2% a 4%, de acordo com fontes do mercado.

“Os tomadores de financiamento precisam passar pelo controle mais rigoroso e seletivo de crédito e depois aceitar juros elevadíssimas”, observa Campos. A sua avaliação é a de que o mercado vai aguardar mais um tempo para deixar a taxa de juro cair e o spread também seguir o mesmo caminho. “A medida em si é melhor do que não tê-la”, conta o presidente da Anfir, “mas ela sozinha não é solução”, salienta.

Se havia algum tipo de pressão sobre a possibilidade de demissões no setor de equipamentos para o transporte de carga, o presidente da ANFIR salienta que a mudança do BNDES pode trazer certo alívio e oferecer mais tempo. “Esta é uma das nossas grandes preocupações no momento: não ter trabalho na volta das férias coletivas. Os recursos que tínhamos a disposição foram usados”, explica Campos, acrescentando que segunda-feira grande parte das empresas encerram o período de férias.

José Antônio Martins está convicto de que, mesmo com demanda reduzida, os preços dos ônibus não sofreram nenhum tipo de redução de preços, “porque a maioria das empresas estava estocada de pedidos quando a crise financeira mundial mostrou a sua cara”, explica o empresário. “Não houve queda”, faz questão de ressaltar. Ele não soube dizer o tamanho da queda de produção no comparativo de janeiro desde ano com igual mês do ano passado. Argumenta que janeiro de 2008 foi atípico pelo volume expressivo de encomendas.

“Eu estou acompanhando o registro de emplacamento quase que diariamente e noto uma queda acentuada entre janeiro deste ano e janeiro de 2008”, diz o presidente da Anfir, devidamente cauteloso ao passar informações. “A rigor precisamos ser otimistas e pensar que o mercado vai reagir”, torce Campos.

Entre renovação e ampliação da frota, a Transportadora Plimor, situada na cidade de Farroupilha, na serra gaúcha, adquiriu 36 caminhões ano passado e estuda novos projetos para o segundo semestre deste ano.

“A pergunta que se faz hoje é: mas qual é a taxa de juro”? A questão é levantada pelo diretor administrativo e financeiro, Juliano Bortoncello, e está sintonizada com as dúvidas dos dirigentes empresariais.

“Anteriormente o spread era aceitável”, diz o diretor da Plimor. Ele elogia o governo federal ao estimular os bancos a emprestarem mais dinheiro, mas ao mesmo tempo critica a taxa de juros. “Ela é que mais trava a economia”, diz o diretor administrativo e financeiro que comanda uma frota de 250 caminhões.

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