Queda no preço do álcool não chega à bomba nos postos

O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig) denunciou ontem que a queda do preço do etanol na produção não estaria sendo repassada para o consumidor

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O Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Minas Gerais (Siamig) denunciou ontem que a queda do preço do etanol na produção não estaria sendo repassada para o consumidor. De acordo com a entidade, desde o início de fevereiro o valor do produto caiu 22% – de R$ 0,82 na primeira semana de fevereiro para os atuais R$ 0,64 por litro. O valor é o menor dos últimos cinco anos, no mês de março, diz a entidade.

No entanto, a redução na distribuidora foi de apenas 2,66% no mesmo período. Nos postos, a entidade não detectou nenhuma alteração do preço.

O sindicato dos postos (Minaspetro) diz que, aos poucos, o consumidor sentirá a queda. Segundo o presidente da entidade, Sergio de Mattos, o preço já teve leve queda no último mês e vai cair mais nas próximas semanas. “As grandes distribuidoras trabalham com estoque elevado e, por isso, demoram um pouco a repassar as variações do preço”, explica.

Segundo a Agência Nacional de Petróleo (ANP), em fevereiro o valor médio do litro do álcool em Belo Horizonte era R$ 1,612 e em fevereiro e passou para R$ 1,609 em março. Já o consumo cresce bem mais. Em janeiro, último dado disponível, a alta foi de 30,3% na comparação com o mesmo mês de 2008.

Caso a queda no preço para o produtor fosse repassada para a bomba, o preço médio do álcool em Minas Gerais poderia ser R$ 1,54, 5% a menos em relação ao preço do litro cobrado hoje nos postos de combustíveis.

O Siamig afirma que “muitas empresas não encerraram a safra em novembro e permaneceram moendo para fazer capital de giro, além de algumas as estarem adiantando a safra 2009/10 pelo mesmo motivo”.

O presidente da entidade, Luiz Custódio Cotta Martins, diz que a indústria está vendendo abaixo do custo de produção. Porém, o consumidor não está sendo beneficiado. “As quedas não estão ocorrendo em toda a cadeia produtiva”, diz. O preço do álcool corresponde a 69% do litro da gasolina. Até 70%, o álcool é mais competitivo para carros com motor flex.

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