A conclusão do negócio não será tão fácil, tendo em vista incertezas que vão desde o momento que atravessa o mercado automobilístico mundial até a situação financeira da Ford
A montadora americana Ford começou a buscar propostas indicativas de possíveis compradores para a Volvo, sua marca de automóveis sueca, num processo de venda que deverá se prolongar até o fim do ano.
A conclusão do negócio não será tão fácil, tendo em vista incertezas que vão desde o momento que atravessa o mercado automobilístico mundial até a situação financeira da Ford.
A ambivalência do governo chinês em relação as aquisições no exterior por parte de suas nascentes companhias automobilísticas – num momento em que está incentivando o setor a consolidar-se em seu mercado interno -, adiciona outra camada de incertezas.
Pessoas envolvidas na venda dizem que a Volvo atraiu interesse preliminar de pelo menos três fabricantes de automóveis chineses.
Conversações também ocorreram sobre a formação de um consórcio investidor liderado por suecos, em meio a preocupações em alguns círculos da indústria automobilística sueca sobre o possível vazamento de propriedade intelectual para a China.
Gestores da Volvo fizeram, no mês passado em Londres, aos possíveis interessados, apresentações sobre o negócio. A Ford está agora buscando propostas indicativas de compra da marca que atualmente está operando no vermelho, mas apesar das notícias de uma data em meados de março para a apresentação de propostas, não existe um limite de prazo absoluto, segundo essas pessoas.
Será solicitado aos compradores em potencial que apresentem suas propostas com base em um memorando de informações, mas eles não serão convidados a visitar as duas fábricas da Volvo na Suécia e na Bélgica. O JP Morgan e o Citigroup estão assessorando a Ford sobre a venda.
A Ford não está comentando sobre seu empenho em vender a Volvo. Ela diz apenas que está reavaliando suas opções em relação à marca, inclusive uma venda. A companhia solicitou aos interessados em potencial que firmem um acordo de confidencialidade.
A Volvo compartilha setores de engenharia, compras, motores e outros componentes com a Ford, de modo que a venda exigirá que o comprador assuma esquemas de suprimento de longo prazo e outros arranjos com o fabricante automobilístico de Detroit, como ocorreu no caso da compra da Jaguar Land Rover pela Tata Motors por US$ 2,3 bilhões no ano passado.
A conclusão de uma venda da Volvo levará “uns bons cinco a seis meses, se não mais tempo”, segundo um executivo bancário.
Fontes do setor dizem ser improvável que a Ford sequer chegue perto de obter os US$ 6,45 bilhões que pagou pela Volvo em 1999, mas a venda tem menos a ver com levantar dinheiro do que com permitir que o fabricante automobilístico de Detroit concentre-se em suas operações essenciais nos EUA.
A Ford, diferentemente da GM ou da Chrysler, não está atualmente recebendo ajuda federal, mas analistas advertiram que poderá necessitar de socorro no segundo semestre de 2009, caso persista o profundo desaquecimento no mercado americano.
A Geely, fabricante automobilístico chinês, está preparando uma proposta para compra da Volvo, segundo uma pessoa bem informada sobre os planos da companhia. Apesar dos desmentidos, na semana passada, de Li Shufu, seu presidente, de que apresentaria proposta de compra da Volvo.
A Dongfeng e a Chang’an – que produzem carros Volvo na China em regime de joint venture com a Ford – também manifestaram interesse preliminar na marca, mas não está claro se apresentarão propostas.
A Chang’an recusou-se a fazer qualquer comentário. E não foi possível contactar a Dongfeng para obter seus comentários.
Autoridades do governo chinês desencorajaram publicamente a fragmentada indústria automobilística no país a realizar aquisições no exterior. A China, com vendas anuais de automóveis inferiores a 6 milhões de unidades, tem cerca de 45 fabricantes de carros, e o governo está pressionando-os a formar grupos maiores, capazes de competir com maior eficácia.
“Trata-se de uma aquisição muito arriscada para os chineses, e duvido que tenhamos capacidade suficientemente adequada para digerir a compra”, disse um consultor no setor, que atua em Xangai e pediu anonimato.
Algumas montadoras chinesas podem estar se posicionando como possíveis compradores da Volvo visando melhorar seu status na China à medida que avança a consolidação do setor, segundo fontes.
A Geely, segundo maior fabricante automobilístico privado chinês, procurará financiar sua possível compra da Volvo fora da China – muito provavelmente em Hong Kong – como fez ao adquirir uma participação minoritária na Manganese Bronze, fabricante britânica dos taxis pretos londrinos, em 2007.
A General Motors até agora não conseguiu vender sua marca Hummer, apesar dos esforços para interessar chineses e outros interessados em potencial.

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