MRV espera pelo menos repetir desempenho de 2008

Na semana que vem, a MRV divulga projeções conservadoras para 2009 e se prepara para um ano pelo menos igual a 2008

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Pelo menos duas décadas antes de o imóvel para a baixa renda virar moda, Rubens Menin, presidente da mineira MRV, já vendia apartamentos econômicos. Fundou a empresa em 1979 e já vivenciou várias crises. Como essa, porém, só no início dos anos 80. “Desta vez, grandes ícones se foram e a confiança do consumidor ficou abalada”, diz. Ainda assim, está otimista. Apesar da forte queda nas vendas – sobretudo nos meses de setembro e outubro – continua confiante no segmento que sempre apostou e que hoje é o preferido de analistas e investidores estrangeiros.

Na semana que vem, a MRV divulga projeções conservadoras para 2009 e se prepara para um ano pelo menos igual a 2008. “Ainda que haja um aumento do desemprego, não vai faltar renda para a compra do primeiro imóvel, que não deixa de ser um bem de primeira necessidade”, afirma. A manutenção da oferta de crédito ao mutuário, na opinião de Menin, ajuda o setor de imóveis econômicos a reagir melhor à crise. Os apartamentos da MRV custam, em média, R$ 100 mil. “Se o mercado se recuperar, temos condições de virar a chave rapidamente.”

Apesar da desaceleração do mercado a partir de setembro, a empresa conseguiu fechar 2008 bem perto do que havia prometido no início do ano passado, quando o vento ainda soprava a favor. Nessa época, a MRV divulgou que pretendia lançar entre R$ 2,5 e R$ 2,8 bilhões. A meta de lançamentos foi cumprida, mais próxima do valor mínimo, mas os números exatos não podem ser abertos porque não foram encaminhados à Comissão de Valores Mobiliários. Já as vendas, cuja estimativa inicial era encerrar 2008 entre R$ 1,8 bilhão e R$ 2 bilhões, não devem alcançar o valor mínimo do intervalo.

“A partir de setembro, o mercado ficou muito assustado e houve uma desordem na economia”, diz Menin. “Agora, começa um processo de ordenação e a cada mês que passa as vendas melhoram um pouco.” Um bom sinal, segundo o presidente da MRV, é que os investidores, principalmente os estrangeiros, estão novamente considerando os fundamentos do setor.

O histórico no segmento econômico garantiu à empresa mineira uma parceria sólida com a Caixa Econômica Federal, principal agente financeiro do setor – e esse pode ser considerado um dos principais trunfos da companhia. A MRV já tinha conseguido ser a única correspondente negocial da CEF e, na semana passada, ganhou o título de representante master da instituição. Isso significa que a empresa tem autorização, em todo o país, para receber os documentos, fazer toda a análise de crédito do comprador e definir se ele pode ou não tomar o empréstimo. Com isso, o tempo para assinatura do contrato, diz a MRV, cai de 60 para 20 dias.

Não por acaso, a construtora mineira criou peças publicitárias, inclusive de TV, para anunciar a redução das taxas de juros promovidas pela CEF. No início de dezembro, a Caixa reduziu das taxas dos financiamentos habitacionais para 4.5% ao ano, para trabalhadores com renda familiar até R$ 1.875,00 e pelo menos 36 meses de contribuição com o FGTS. “A regra vale para todo mundo, mas como temos um volume grande com a caixa decidimos investir nessa comunicação”, disse José Nunes Melo, diretor comercial da MRV.

Antes do crédito farto aos mutuários – fundamental para alavancar o segmento econômico – a MRV chegou a ter um sistema próprio de financiamento. A empresa mineira, que começou a sua expansão para outros estados a partir de 1994, é um bom exemplo do fôlego que o mercado de capitais deu ao setor.

Em 2006, ano anterior à abertura de capital- quando captou mais de R$ 1 bilhão – a MRV teve receita líquida de R$ 140 milhões, em 2006 e vendas contratadas de R$ 206 milhões. Nos nove primeiros meses de 2008, teve receita líquida de R$ 778 milhões e vendas contratadas de R$ 1,245 bilhão. Antes da abertura de capital, associou-se ao fundo americano Autonomy. “Houve uma mudança enorme na companhia, foi como se todos os funcionários tivessem feito um MBA”, diz Rubens Menin, o “R” do MRV – os donos das iniciais “M” e “V” saíram antes da abertura de capital.

Rubens é um empresário meticuloso, que faz questão de visitar as grandes cidades onde a empresa está presente pelo menos uma vez por mês. Hoje, a companhia tem empreendimentos em 64 cidades.

No início dos anos 90, a MRV criou o sistema de vendedores e lojas próprias – hoje são 144 pontos-de-venda onde monta até modelo decorado. Mas Menin se entusiasma mesmo ao falar da internet. Atualmente, segundo ele, a loja virtual da companhia responde, indiretamente, por 40% das suas vendas. O site recebe 25 mil visitas por dia. “As pessoas acham que alta renda prefere comprar por computador, mas não é verdade. Nosso público tem menos tempo e disponibilidade para procurar apartamento e, por isso, essa é uma ferramenta fundamental de vendas.”

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