Governo recupera poder de investimento em infraestrutura para transportes

Debate promovido pela Scania e NTC & Logística expos os parâmetros de investimento do poder público em infraestrutura e políticas para o TRC e analisou junto com empresários do setor a eficácia e andamento dos projetos

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A carência de investimentos em infraestrutura, que sejam suficientes para ao menos amenizar o cenário de degradação, encontrado ao longo de rodovias federais e estaduais no País, é resultado de cerca de 20 anos de má gestão que agora reflete em um obstáculo para o crescimento saudável para o transporte rodoviário de cargas e para o próprio crescimento da economia. Este panorama ilustrou o seminário “Perspectivas de Sustentabilidade para o TRC”, promovido pela Scania e NTC & Logística, em São Paulo.

A situação começou na última década a receber em conta gotas, a medicação necessária para sua recuperação. De acordo com o diretor de Planejamento de Transportes do Ministério dos Transportes, Francisco Batista da Costa, ressaltou que por muitos anos o governo não repassou verba suficiente nem para contratos de manutenção da malha já existente e que, órgão públicos responsáveis por essa infraestrutura, não tiveram capacidade de gestão para garantir condições de conservação e expansão adequadas a demanda.

Em 2002, o orçamento do Ministério dos Transportes destinado a investimentos para o setor era de R$ 1.7 bilhão, valor que em 2011 chegou a R$ 16.7 bilhões. O crescimento, por mais que significativo, é relativamente tímido, se comparado com o total do PIB nacional (Cerca de U$ 2 trilhões).

Condições como esta, ainda confirmam exemplos como o exposto pelo empresário Roberto Mira, que contestou durante o evento a eficiência dos investimentos. “A região Centro-Oeste onde minha empresa atua movimenta grande parte da produção nacional e gera um PIB comparado com o chinês, em proporção, e mesmo assim temos que escoar os produtos por estradas dos tempos das carroças”, ironizou Mira, presidente do Mira Transportes.

Costa admitiu que o valor investido está bem longe do adequado e lembrou que, países como Rússia, Índia e China investem 5% do PIB no setor e que o Brasil, nas décadas de 60 e 70, investia 2%.

Para chegar a essa mesma proporção hoje seriam necessários R$ 80 bilhões por ano. Em 2012 os investimentos no setor ficaram abaixo de R$ 9 bilhões e as irregularidades encontradas na pasta em casos de corrupção travaram o orçamento.

Para Costa, uma resposta do poder público para reativar o crescimento do setor é a criação da EPL (Empresa de Planejamento e Logística), estatal que vai gerenciar os investimentos direcionados à infraestrutura de transportes e logística. Para Costa um primeiro passo para uma adequação e nivelamento do planejamento feito pela EPL e a real necessidade do transportador brasileiro é que, os contratos de concessão de rodovias, comtemplados pela empresa terão como cláusula obrigatória a construção de pontos de parada e descanso de motoristas para atender as exigências da Lei dos Motoristas (12.619).

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