Governo só investe 20% do necessário para adequar logística do País

Para Bernardo Figueiredo, presidente da EPL, investimentos de R$ 80 a R$ 100 bilhões ao ano seria o adequado para diminuir o déficit do setor

Aeroporto de Guarulhos (SP) terá as duas pistas reformadas em 2013
Câmara propõe audiência pública para debater valor de pedágio no Rio de Janeiro
Ministério dos Transportes vai privatizar a BR-040

O presidente da Estatal EPL (Empresa de Planejamento Logístico), Bernardo Figueiredo, defendeu em debate promovido pela LIDE Logística (Grupo de Líderes Empresariais), que o valor adequado para investimentos para sanar o déficit logístico do País seria de R$ 80 a R$ 100 bilhões por ano.

“Em 2003, o orçamento para transporte era de R$ 1,5 bilhão ao ano e, atualmente, está em R$ 20 bilhões. Já revertemos parte deste déficit”, afirmou Figueiredo, que citou estudos indicando um déficit acumulado de R$ 400 bilhões.

Para Figueiredo, o crescimento do Brasil mostrou que não havia logística adequada e que agora o mercado vê e pede solução. Ele lembrou que, a partir de 1980, vieram 20 anos de recessão, havia frota grande de caminhões, o preço do frete caiu pela concorrência predatória entre as empresas e ninguém mais falou em logística. “Hoje, a ampliação da economia, com mercados em lugares mais distantes e onde os custos de transporte são maiores, revela que os problemas estão aí há bastante tempo e não serão resolvidos rapidamente”, completa.

O presidente da EPL lembrou que, no Brasil, a idade média da frota de caminhões é de 20 anos, enquanto nos EUA é de sete anos. “Não é sustentável ancorar a logística numa frota antiga, em motoristas que são obrigados á trabalhar 19 horas por dia, sete dias por semana, em caminhões que viajam com excesso de peso”, explica.

De acordo com Figueiredo as principais dificuldades na realização das ações são bons projetos, estudos econômicos e licenciamentos. “Temos que trabalhar as ações com antecedência, temos um programa agressivo e o que queremos é mostrar ao mercado que vamos cumprir os cronogramas”, garante.

O objetivo é ter a maior parte dos eixos rodoviários duplicados e com administração privada. “Não vamos esperar a rodovia congestionar para duplicar porque a logística tem que estar na frente”, acrescenta. Ele citou o exemplo da Bahia, onde a ferrovia que será construída já está com 100% da demanda vendida antes mesmo de ela estar pronta.

COMMENTS