Petrobras amplia investimento a R$ 415 bilhões e corta metas de produção em 10%

Petrobras amplia investimento a R$ 415 bilhões e corta metas de produção em 10%

Mercado de capitais recebeu notícia com pessimismo e ações da empresa seguem em baixa nesta sexta após cair quase 4% no dia anterior. Setor de exploração e produção fica com 60% dos recursos e logística terá R$ 6,6 bilhões para projetos de ampliação de projetos. A capacidade de refino continuará a ser a mesma do plano anterior

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A Petrobras voltou a ampliar expressivamente o seu Plano de Negócios para o período de 5 anos. A estatal passou de um investimento previsto de US$ 224,7 bilhões para US$ 236,5 bilhões, aumento de 5,25%.

Na moeda brasileira, R$ 416 bilhões. A prioridade da empresa será o segmento de exploração e produção de petróleo e gás natural que ficará com 60% desses recursos no País. Outra novidade é que a empresa oficializou três novos programas para utilizar melhor os recursos, referentes a controle de custos, melhoria operacional das atuais áreas de exploração de petróleo na Bacia de Campos e privilegiar o conteúdo nacional. Logística terá US$ 3,3 bilhões da área de Distribuição.

Apesar disso, a empresa reduziu em cerca de 10% a meta de produção de petróleo para 2020. A presidente da empresa, Maria das Graças Foster, afirmava que a empresa – conforme o plano de negócios anterior – trabalhava para obter no final da década uma produção de 6,4 milhões diários de barris de petróleo, mas, agora, essa meta foi rebaixada para 5,7 milhões de barris diários, em média.

Essa medida está alinhada ao que a executiva afirmou em São Paulo na semana passada, de que o novo plano levaria a empresa a metas mais claras e realistas às condições da companhia.  A empresa não detalhou o plano e os projetos que foram incluídos ou retirados da meta de cinco anos, fato que deverá ser feito nas próximas semanas.

Novas metas

No comunicado da empresa publicado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a Petrobras informou que a meta da produção de óleo, LGN (líquido de gás natural) e gás natural, no Brasil e no exterior, para 2016 é de 3,3 milhões barris de óleo equivalente (boe) ao dia, sendo que deste volume, 3 milhões boe/dia no Brasil.  Já em relação à produção de óleo e LGN no Brasil, a expectativa é de alcançar a produção de 2,5 milhões barris de petróleo ao dia apenas em 2016. Um acréscimo de cerca de 500 mil barris à produção atual, que não deverá apresentar uma alta expressiva até 2014, ano que espera um aumento da curva de produção mais expressivo.

A partir de então, a expectativa de crescimento sobe para algo ente 5% e 6% ao ano para o período 2014-2016. “Para os anos de 2012 e 2013, a expectativa é de manutenção da produção em linha com o nível de 2011, cerca de 2%”, informou a empresa em comunicado assinado pelo diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Almir Barbassa.

Esse é um dos motivos que levou a empresa a instituir o novo programa de eficiência operacional em Campos, região onde está concentrada 80% da produção brasileira de petróleo, atualmente. A nova curva de produção está baseada na revisão da eficiência operacional dos sistemas em operação naquela região e no cronograma de entrada de novas unidades ao longo do período.
O aumento ocorrerá, segundo o plano da estatal, a partir de 2016, com a entrada de diversas novas unidades no pré-sal da Bacia de Santos e na área da Cessão Onerosa, também na megarreserva.

De 2012 a 2015, 12 novas unidades de produção já em construção entram em operação, representando um acréscimo de 1,2 milhão bpd de capacidade para a Petrobras.  Já no período 2016-2018, 7 novos sistemas por ano agregam mais 2,3 milhões bpd de capacidade para a companhia.

Destinação dos recursos

O segmento de Exploração e Produção no Brasil tem um orçamento de US$ 131,6 bilhões, sendo 69% deste valor destinado ao desenvolvimento da produção, 19% para exploração e 12% em infraestrutura. Apesar de não apresentar uma produção significativa frente ao volume nacional, o investimento no pré-sal corresponde a 51% dessa área de atuação.

Já em termos de ampliação de capacidade, não houve mudanças em termos de projetos de expansão de capacidade de refino que entrarão em operação até 2016. Conforme reportagem do Portal Transporta Brasil dessa semana, encontrada no Link (https://www.transportabrasil.com.br/2012/06/petrobras-bate-recorde-de-processamento-de-petroleo-no-brasil/) são a Refinaria Abreu e Lima e o 1º Trem de Refino do Comperj, que já estão na fase de implementação. “A estratégia da Companhia permanece sendo de manter as metas de  capacidade de refino do plano anterior, buscando para as duas novas refinarias em avaliação, o alinhamento com métricas internacionais”, indicou a Petrobras.

Alem disso para a logística, o negócio de Distribuição investirá US$ 3,3 bilhões, com destaque para os projetos visando acompanhar o crescimento do mercado doméstico e assegurar a posição de liderança no setor. Já em termos de biocombustíveis, o foco da empresa está no etanol. O segmento prevê investimento total de US$ 3,8 bilhões, dos quais US$ 1,9  bilhão alocado em projetos em implantação e aquisições.

Reação negativa

Apesar da Companhia garantir que a financiabilidade do plano está assegurada, com a estabilidade de necessidade de captação de recursos em cerca de US$ 18 bilhões ao ano (mesmo volume que a empresa vem implementando desde o ano passado), o mercado de capitais não reagiu bem ao Plano, derrubando a cotação das ações a quase 4% e pressionando a bolsa de valores de São Paulo, já que é o papel com maior peso do índice da BM&FBovespa, o Ibovespa, encerrou com declínio de 0,54%, aos 55 351,67 pontos.

Já na última sexta-feira (15), o humor dos investidores melhorou e há pouco a cotação das ações da estatal já apresentava leve baixa de 0,26%, a R$ 18,82 para as ações ordinárias (PETR3) e de 0,28% para as ações preferenciais (PETR4), cotadas a R$ 18,12. Esses papeis iniciaram o dia em leve alta de cerca de 0,4%, tendência revertida minutos após a abertura do mercado o que indica a insatisfação e o pessimismo quanto ao desempenho da empresa.

Apesar disso, a presidente da empresa afirmou em São Paulo, semanas atrás, que essa avaliação do mercado não condiz com a realidade da companhia e as perspectivas de crescimento. “Somos uma companhia de 15,7 bilhões de barris de óleo equivalente e daqui há 2 ou 3 anos, quando formos terminando os testes de longa duração, novas reservas serão incorporadas e o petróleo será descoberto, certamente, alcançará entre 30 e 31 bilhões de barris de reservas. É só uma questão de tempo, por isso, o investidor precisa acreditar no potencial de valorização das suas ações”, afirmou a presidente da Petrobras.

Ontem (19), com o anúncio do aumento do preço dos combustíveis, feito pelo Ministério de Minas e Energia, as ações preferenciais da Petrobras tiveram alta de 4,5% e fecharam em R$ 19,75.

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