Direção noturna

Necessidades para transitar com segurança sob condição adversa. Será que a atividade na direção veicular é diferente à noite? Os riscos aumentam? A percepção do ambiente muda? E por que algumas pessoas preferem viajar durante a noite?

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Essas são interrogações comuns diante da legislação recentemente aprovada que determina o treinamento dado pelas auto-escolas também no período noturno.

À noite, ocorre desorientação espacial

À noite é comum a desorientação espacial, isto é, não conseguimos dimensionar espaços, distâncias, velocidades. Tudo se torna mais difícil, como uma ultrapassagem, manter distância ideal do veículo da frente e outras situações.

As reações oculares tornam-se mais lentas. Delimitar o asfalto, a guia, isso não é feito com a precisão que se faz durante o dia. Nossa percepção cai cerca de 50% e dependendo de patologia ocular pré- existente a dificuldade é muito maior. Identificar um buraco no asfalto, um veículo com luzes apagadas na escuridão, a imagem que se vê nos retrovisores não dá o perfeito dimensionamento para transitar com segurança. A imagem é mais de contorno, vamos chamar vulto, não conseguimos detalhes dessa imagem. O pedestre atravessando a via é o exemplo do vulto.

Observe que as pessoas acima de 50 anos não gostam de dirigir à noite. A capacidade de adaptação nesse caso torna-se mais difícil.

Além de tudo isso são necessários treinamento e adequação com as luminárias internas e externas. O ofuscamento é fator extremamente perigoso porque após cruzar o foco de luz passa-se 3 a 4 segundos com a visão totalmente prejudicada predispondo ao acidente. Nesses 3 a 4 segundos se a velocidade for de 100 Km/ h o motorista percorrerá cerca de 80 a 120 m sem perceber o que está a sua frente. Como se conduzir diante desse foco é essencial. Quando enfrentamos de frente ou mesmo através dos retrovisores um feixe de luz ocorre uma contratura da pupila com objetivo de reduzir a quantidade de luz que deve chegar à retina. Ao desaparecer subitamente o foco de luz, temos a escuridão e nessas condições a pupila tende a se dilatar com objetivo de permitir maior entrada de luz. A inexistência momentânea da mesma faz com que se passe um curto período de tempo para que ocorra a adaptação. Nessas condições tem-se uma cegueira momentânea como afirmamos anteriormente.

A aplicação das lanternas e faróis é essencial para não ofuscarmos o motorista que vai à frente e o que vem no sentido contrário. Saber da utilização dos faróis altos e de neblina, das lanternas, do pisca alerta, da sinalização noturna durante uma pane do veículo é parte integrante na formação do motorista.

Por outro lado, os faróis funcionam em determinadas condições como sinal de alerta, perigo, aviso que se está aproximando de uma curva fechada. O relampejo do farol alto é uma alerta para quem vai à frente e os que transitam em sentido contrário. Pode significar perigo a frente e é motivo para a redução da velocidade.

Na direção veicular tudo que se passa à noite tem mais risco.

Mas não é só isso que é preocupante. Chuva, neblina, nevoeiro, utilização de freios, desvio de obstáculos são outras situações importantes que estão previstas em resolução do CONTRAN, porém somente em aulas teóricas.

Independente de todas as manifestações comentadas, outro fator preponderante a ser comentado diz respeito à transição entre o dia e à noite.

O organismo humano na ausência de luz produz, através da glândula hipófise, o hormônio chamado melatonina. Esse neuro- hormônio é que produz sono e tem sua produção máxima por volta de 2 a 3 horas da madrugada. Esse é outro fator essencial para conhecimento de todos que transitam no período noturno.

Alguns motoristas alegam que preferem a direção veicular no período da noite, principalmente quando estão se deslocando em rodovias. Para isso há necessidade de perfeito treinamento e adequação, mas não é o que se recomenda, tendo em vista alterações fisiológicas e condições das vias que são capazes de levá-lo ao acidente.

Diante de tantas situações de risco e acidentalidade no trânsito urbano e rodoviário, com milhares de óbitos, vítimas e sequelados precisamos ampliar conhecimentos, treinamentos, reciclagem, buscando ensinar o motorista a se defender da adversidade. Ensinar a rotina é importante, mas caracterizar a máquina sobre rodas como extremamente perigosa e fazer todos vivenciarem as adversidades, os perigos, não tenho dúvida que teremos um ganho fabuloso com a conscientização, responsabilidade, conhecimento dos riscos e o transitar mais seguro.

O treinamento em equipamentos simuladores de todas as adversidades será o ensinamento básico para dali partir para a prática nas ruas e estradas, de dia e à noite.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – www.abramet.org.br)
drdirceu@transportabrasil.com.br

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