Agressões do Transporte ao Homem e Meio Ambiente

Hoje, nos grandes centros, o transporte e o trânsito de veículos têm sido considerados os principais agentes agressivos ao homem e ao meio ambiente. Precisamos entender que o veículo automotor é uma máquina extremamente perigosa, responsável por danos ao homem e ao meio ambiente. Temos que discutir permanentemente o tripé “Homem, Máquina e Meio”

Necessária sim, mas não suficiente
Convênio ICMS CONFAZ 59/2012 e o parcelamento das empresas em recuperação judicial
As máquinas que todos querem operar

OS TRANSTORNOS CAUSADOS POR UMA MOBILIDADE SEM CONTROLE

Hoje, nos grandes centros, o transporte e o trânsito de veículos têm sido considerados os principais agentes agressivos ao homem e ao meio ambiente. Precisamos entender que o veículo automotor é uma máquina extremamente perigosa, responsável por danos ao homem e ao meio ambiente. Temos que discutir permanentemente o tripé “Homem, Máquina e Meio”.

Se dentro de uma fábrica nos preocupamos com uma máquina fixa, imagine a preocupação com uma máquina móvel circulando entre outras máquinas, pedestres e meio ambiente sem um controle de saúde e segurança.

São Paulo, por exemplo, com uma frota de seis milhões e meio de veículos não cresceu o suficiente em vias, alamedas, avenidas, ruas para comportar essa quantidade de unidades móveis. Não vemos planejamento para médio e longo prazo compatíveis com o volume de veículos que já temos somado a expansão do mercado de automóveis que ora o governo investe. Máquinas e mais máquinas lançadas para um espaço virtual.

A fiscalização para o cumprimento do Código de Trânsito desapareceu. Os motoristas fazem o que bem entendem nas ruas. Engarrafamentos, lentidão no trânsito, acidentes, veículos quebrados nas ruas, agressões, tudo compõe um sistema de transporte obsoleto, assustador.

Essa indústria do transporte, vamos chamar assim, é responsável pela emissão de uma massa gasosa, vapores, poeiras, fuligens, ruído, vibração que comprometem a população como um todo. O Brasil é um dos cinco maiores emissores de material particulado do mundo. A quantidade de ozônio liberada é preocupante.

O padrão tolerado de poeira fina é:

  • Estados Unidos – 15 mcg/m³ de ar
  • São Paulo – 48 mcg/m³ de ar

É proibido fumar em São Paulo, mas não é proibido respirar os poluentes atmosféricos.

A Sociedade Brasileira de Cardiologia afirma que num congestionamento de trânsito a inalação de poluentes equivale a fumar oito cigarros.

Mas que lei é essa que nos tira uma fumaça e deixa outra?

Será que os legisladores identificam o absurdo?

Desta forma o motorista, o usuário do transporte, o pedestre, o indivíduo que desenvolve trabalho num escritório, no comércio ou mesmo aquele que está dentro de sua casa, são comprometidos por toda essa poluição gerada pelo transporte.

O meio ambiente sofre, e este é um dos agentes responsáveis pelo aquecimento do planeta, pela chuva ácida que tudo destrói e pela camada de ozônio.

Um dos componentes da agressão ao meio ambiente que causa danos no organismo de todos nós, danos estes que são irreversíveis, é o barulho produzido pelo transporte. Isso provoca lesão na orelha interna produzindo inicialmente um zumbido (Tinitus), que evolui para perda auditiva e surdez. Surge à incapacidade, limitações sociais, custos à saúde.

As pessoas não percebem a instalação da lesão. Quando vai perceber já tem a lesão instalada e o importante é que se trata de patologia evolutiva, irreversível e incapacitante. A surdez, por exemplo, é motivo de incapacidade social e muitas vezes profissional como é para os motoristas.

A vibração produzida pelo veículo leva a contraturas musculares involuntárias o que concorre para maior utilização de toda musculatura, comprometimento das articulações e atua no sistema circulatório permitindo liberação de placas de gorduras ou coágulos que podem circular levando ao que chamamos embolia ou tromboembolismo (deslocamento de placas ou coágulos que ao circular levam a entupimento de vasos com calibre menor). As dores musculares e a fadiga sempre são notadas em decorrência da vibração.

O estresse é a principal patologia desenvolvida pelos motoristas. Quando falamos em estresse queremos demonstrá-lo em três fases:

  • Estresse Físico – devido aos movimentos repetitivos na direção veicular e também decorrentes da vibração.
  • Estresse Psicológico – devido à fadiga mental em decorrência de múltiplos fatores como o medo de causar danos a terceiros, provocar colisão, ser assaltado, sequestrado,etc.
  • Estresse Social – devido às preocupações com relação ao trabalho, a família, a situação econômica, a falta de apoio direto a esposa aos filhos, etc.

Com o trabalho repetitivo na direção veicular o motorista pode desenvolver o que chamamos LER (Lesão por Esforço Repetitivo) ou DORT (Doença Osteo Articular Relacionada ao Trabalho) onde aparecerão fibromialgias, tendinites, doenças articulares e outras.

A massa gasosa, poeiras e fuligens são capazes de gerar problemas respiratórios como:

  • Rinite
  • Sinusite
  • Laringite
  • Traqueíte
  • Bronquite

Os que têm antecedentes de alergia sofrem mais, entre esses estão às crianças, idosos e gestantes.

Além disso, esses poluentes são capazes de produzir irritação conjuntival (olhos), obstrução dos poros cutâneos, principalmente em nível da face, predispondo ao aparecimento da acne (espinhas).

No inverno, a dissipação desses poluentes atmosféricos torna-se mais difícil, concentrando ainda mais tais agentes e por isso neste período ocorrem mais queixas com relação ao aparelho respiratório.

O estresse que citamos anteriormente, dependendo da capacidade de adaptação e tolerância de cada um, pode evoluir para o “Road Rage” (violência no trânsito) o que é hoje responsável pelas agressões físicas e mortes no trânsito como temos observado no nosso dia a dia. Além disso, podem ocorrer outros distúrbios de comportamento, síndrome depressiva, síndrome do pânico e outras fobias.

Quando você pergunta se esses distúrbios são crônicos eu tenho que afirmar que são proporcionais a difícil evolução do transporte nos grandes centros. Os órgãos governamentais não sinalizam soluções definitivas em curto prazo para resolver a cronicidade do problema. Desta forma tenho que afirmar que os problemas que encontramos no trânsito devem evoluir por muito tempo e pior, com comprometimento cada vez maior da saúde de todos nós e do meio ambiente.

Para amenizar esses problemas há necessidade de ações governamentais mais rígidas e rápidas, com fiscalização, multas, retirada de veículos mal conservados, limitação do acesso a determinados pontos, rodízio, rodoanel funcionando, criar transporte coletivo de qualidade com trens de superfície e metrô. Substituir os veículos movidos a derivados de petróleo e álcool por elétricos ou biodiesel. Programar e implantar o uso da bicicleta como solução alternativa como já vemos em múltiplas cidades da Europa, como Barcelona, Paris, Frankfurt, etc.

Dr. Dirceu Rodrigues Alves Júnior, médico, diretor da ABRAMET (Associação Brasileira de Medicina de Tráfego – www.abramet.org.br)
drdirceu@transportabrasil.com.br

dr-dirceu2 Visite o perfil do articulista

É proibida a reprodução do conteúdo deste artigo em qualquer meio de comunicação,eletrônico ou impresso, sem autorização escrita do Portal Transporta Brasil. As opiniões emitidas nos artigos são de inteira responsabilidade de seus autores e não refletem necessariamente a opinião do Portal Transporta Brasil.

COMMENTS