Aviação: Serra gaúcha luta por um novo aeroporto para aviões cargueiros

Responsável pela geração de um PIB anual de cerca de R$ 20 bilhões e com uma população estimada em 1,2 milhão de habitantes, a região serrana do Rio Grande do Sul sabe bem o quanto pesa uma logística multimodal eficiente para a produção e escoamento das mercadorias

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O desenvolvimento econômico dos estados e do País depende diretamente da infraestrutura logística disponível em cada região. E o ideal é que haja um equilíbrio entre os modais aéreo, marítimo e rodoviário.

Responsável pela geração de um PIB anual de cerca de R$ 20 bilhões e com uma população estimada em 1,2 milhão de habitantes, a região serrana do Rio Grande do Sul sabe bem o quanto pesa uma logística multimodal eficiente para a produção e escoamento das mercadorias. Por considerarem necessário um aeroporto com maior capacidade para o transporte de cargas e de passageiros, empresários, sindicatos e associações de classe, além da população da região estão lutando pela construção de um novo terminal aéreo na Serra.

Segundo o diretor de política urbana da Câmara de Indústria, Comércio e Serviços de Caxias do Sul (CIC), João Alberto Marchioro, o aeroporto da cidade – Hugo Cartegiani – é voltado para o transporte de passageiros e tem limitações. Além disso, houve crescimento de moradias no seu entorno, o que impede uma ampliação para o tamanho necessário para as operações de aviões de carga. Os números da indústria da região demonstram a importância de um novo aeroporto. De todo o aço que chega ao Estado, a região consome 53%. Deste percentual, Caxias do Sul fica com 80%, o equivalente a 700 mil toneladas. “Para este transporte ser feito via rodoviária são necessários 17,5 mil caminhões com capacidade para 40 toneladas”, destaca Marchioro.

A estimativa de entidades empresariais locais é de que o custo da tonelada da carga que precisa ser transportada de caminhão até o Aeroporto Internacional Salgado Filho, em Porto Alegre, que também apresenta restrições em virtude da extensão da pista, ou a Viracopos, em São Paulo, para só depois ser despachada para o destino final, triplica em função dos gastos com pagamento de fretes. “Não é só o custo do transporte que nos faz perder em competitividade, mas também a perda de tempo com o deslocamento via rodoviária que muitas vezes impede a viabilização dos negócios”, justifica Marchioro.

Mas, a construção de um novo aeroporto na Serra depende, primeiramente, da solução de um impasse: a escolha do local mais apropriado. A disputa está dividida entre uma área em Mato Perso (Monte Bérico), localizada entre Flores da Cunha e Farroupilha, e Vila Oliva, situada no distrito industrial de Caxias do Sul. Pelo menos, em um ponto todos concordam. Independente da área, o importante é que a obra seja executada.

Locais em discussão

Na defesa da implantação do aeroporto em Mato Perso, o presidente do Centro da Indústria Comércio e Serviços (CIC) de Bento Gonçalves, Ademar Petry, destaca que a análise realizada pela Anac indica que os dois locais avaliados apresentam condições técnicas favoráveis para a instalação do aeroporto. Mas lembra que os laudos não levaram em conta os fatores socioeconômicos, que podem impactar de forma diferente no empreendimento.

A área, próxima do centro gerador de demanda, vai contemplar uma região composta por 40 municípios. Além disso, é um local de fácil acesso e deslocamento, especialmente em relação a Caxias do Sul, por contar com trecho duplicado na RS-453, entre Farroupilha e Caxias do Sul. A proximidade com os demais municípios que integram a região, segundo Petry, também é um fator que tende a atrair o deslocamento pela relação custo-benefício.

Do lado que defende o aeródromo em Vila Oliva, o secretário municipal do trânsito, transportes de mobilidade de Caxias do Sul, Vinicius de Tomasi Ribeiro, argumenta que a cidade leva como vantagem o fato de já ter inserido no Plano Diretor de 2006 uma zona especial para a construção do novo aeroporto. Vila Oliva está situada a 34 km do centro de Caxias do Sul, sendo 23 quilômetros de via pavimentada. A Vila Oliva também tem o entorno com uma densidade ocupacional pequena.

O presidente da Randon Implementos, Raul Randon, concorda com a necessidade urgente de um novo aeroporto, tanto para passageiros quanto para cargas na Serra. “O aeroporto Hugo Cartegiani é muito pequeno; não condiz com o nível industrial e econômico da região. Chega a nos causar vergonha quando recebemos estrangeiros”, afirma. Randon defende a área de Vila Oliva, pois acredita que o local é o mais adequado pelo fato de possuir área suficiente e distante da cidade para a construção de um aeroporto que atenda as necessidades da região serrana por um horizonte de pelo menos 50 anos.

Antes da decisão haverá um debate na região

A Anac realizou três estudos das áreas sugeridas. O último relatório classificou Vila Oliva com 74,1 pontos e Mato Perso com 69,1 o que, segundo o diretor regional da Anac, Roberto de Carvalho Netto, mostra que as duas localidades têm condições para a implantação do aeroporto regional da Serra. Entre as vantagens de Mato Perso, estão a infraestrutura disponível tanto de estradas quanto de energia e a proximidade de centros urbanos.

A seu favor, Vila Oliva tem área disponível e pouca ocupação. “O mais importante é que o aeroporto seja visto como parte integrante do sistema aeroportuário estadual, e respeitando a vocação de cada um”, explica Netto. Além disso, a obra deve considerar um horizonte de no mínimo 20 anos.

A característica do aeroporto, se voltado para transporte de cargas ou de passageiros, também é importante. “Para ser viável financeiramente o transporte de produtos e mercadorias pelo modal aéreo, a carga precisa ser leve e de alto valor agregado, como produtos eletroeletrônicos e calçados. Caso contrário o transporte se torna muito caro”, diz Netto. Mas, destaca que a decisão final sobre a área caberá ao governo do Estado.

O diretor do Departamento Areoportuário do Estado (DAP), Fernando Coronel, diz que o DAP está fazendo uma análise técnica minuciosa das duas áreas para entregar ao Secretário de Infraestura e Logística do Estado, Daniel Andrade. Depois, o objetivo é fazer um debate com os empresários e organizações dos municípios da região serrana, para dar encaminhamento ao empreendimento.

Coronel diz que o novo aeroporto precisa agregar uma plataforma logística para permitir a integração dos modais ferroviário e rodoviário. Mas, enquanto a obra está em discussão, Coronel revela que o aeroporto de Caxias do Sul, parte do projeto estruturante do governo, deve receber R$ 3 milhões que serão aplicados em melhorias das instalações e equipamentos. O DAP administra nove aeródromos no Estado – o de Caxias do Sul, Carazinho, Erechim, Ijuí, Passo Fundo, Rio Grande, Santa Rosa, Santo Ângelo e Torres. Nestes aeroportos, a responsabilidade pela segurança patrimonial dos sítios aeroportuários, cabe aos municípios. Isso acontece através dos chamados acordos de gestão. A única exceção é o aeroporto Regional de Rio Grande.

Obras planejadas nos aeródromos gaúchos

SANTIAGO

– Pavimentação da pista de pouso/decolagem, taxiway e pátio em Convênio com a Prefeitura Municipal
Custo: R$ 1.600.000,00

CAXIAS DO SUL

– Instalação do scanner de bagagem de mão
– Implantação da Sinalização Vertical com painéis Luminosos
– Obra de ampliação e reforma do Terminal Passageiros Custo: R$ 3.014.493,40

PASSO FUNDO

– Instalação do scanner de bagagem de mão
– Cercamento separação da área restrita/operacional
– Esteira de Bagagem e sistema de informações de voo
– Aquisição de Carro Combate Incêndio
Custo: R$ 2.129.630,34

VACARIA

– Obra de implantação do novo aeródromo
– Supervisão da obra, Convênio com a Prefeitura Municipal
Custo: R$ 16.742.260,45

CACHOEIRA DO SUL

– Projeto de restauração da pista de pouiso/decolagem
Custo: R$ 50.000,00

SANTO ÂNGELO

– Projeto de restauração e reforço do pavimento asfáltico
– Obra de restauração e reforço do pavimento asfáltico da pista de P/D, taxiway e pátio
– Implantação da Sinalização Vertical com painéis luminosos
– Obra de reforma do Terminal Passageiros
Custo: R$ 1.852.621,00

RIO GRANDE

– Complementação do muro de proteção
– Implantação da Sinalização Vertical com painéis luminosos
– Obra de construção da Seção de Contra-Incêndio
– Implantação dos Voos por Instrumentos
Custo: R$ 3.020.000,00

ERECHIM

– Obra de reforma do Terminal Passageiros
– Implantação da Sinalização Vertical com painéis luminosos
– Obra de restauração do pavimento da pista de P/D, taxiway e pátio
– Projeto para instalação de equipamentos de Voos por Instrumentos
Custo: R$ 2.550.000,00

SANTA ROSA

– Cercamento do sítio patrimonial
Custo: R$ 200.000,00

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