General Motors se dividirá e fatia “ruim” pedirá concordata

Fonte próxima da empresa disse que a GM está em uma intensa e determinada preparação para um possível pedido de concordata. Um plano para dividir a empresa, em uma nova companhia formada por unidades de maior êxito e uma velha empresa com os negócios menos rentáveis, vem sendo acelerado e é visto como a melhor configuração para o futuro

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As ações da General Motors (GM) despencaram ontem na Bolsa de Nova York depois de rumores de que a montadora já estaria preparando o pedido de concordata. Os papéis desabaram 11,89%.

Fonte próxima da empresa disse que a GM está em uma intensa e determinada preparação para um possível pedido de concordata. Um plano para dividir a empresa, em uma nova companhia formada por unidades de maior êxito e uma velha empresa com os negócios menos rentáveis, vem sendo acelerado e é visto como a melhor configuração para o futuro, segundo outra fonte.

Fritz Henderson, presidente-executivo da GM, já disse que a empresa prefere se reestruturar fora da Justiça, mas que pode recorrer a ela se necessário. Já o presidente norte-americano Barack Obama defendeu uma concordata controlada para o grupo.

“Preferimos fazer isto sem recorrer ao processo de quebra”, disse Henderson ao canal NBC, no momento em que o primeiro fabricante norte-americano de carros aplica uma dolorosa reestruturação com o apoio financeiro do governo. “Mas seria prudente assegurar que estamos planejando [uma quebra sob controle judicial], se precisar recorrer a isso”, afirmou.

Timothy Geithner, secretário do Tesouro, disse que o governo de Barack Obama contempla todas as alternativas para a GM após a substituição semana passada de Rick Wagoner por Henderson por ordem da Casa Branca.

Henderson indicou que também existia a perspectiva de novas demissões e fechamento de fábricas, em momentos em que a GM luta por sobreviver e antecipa que no futuro só fabricará quatro marcas principais.

Em dezembro, o governo do então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, anunciou um plano de ajuda a fabricantes de automóveis americanos que pode chegar a US$ 17,4 bilhões. O montante incluía General Motors e Chrysler. A Ford, em situação menos crítica, não está incluída nesse pacote.

O dinheiro é parte do pacote de US$ 700 bilhões de ajuda ao setor financeiro. Dos US$ 17,4 bilhões, US$ 13,4 bilhões seriam liberados em dezembro e janeiro. Os US$ 4 bilhões restantes ficaram condicionados a uma segunda parcela do pacote a ser aprovada pelo Congresso norte-americano.

No mês passado, a GM chegou a informar o Congresso que não precisaria da ajuda adicional de US$ 2 bilhões que havia requerido inicialmente.

Segundo a empresa, ela reuniu condições para protelar o recebimento da ajuda depois de ter aumentado o ritmo previsto de redução de custos e cortado alguns gastos que eram planejados para janeiro e fevereiro.

No mesmo período, a empresa conseguiu do governo dos EUA mais 30 dias para apresentar seu plano de reestruturação, no qual pediu US$ 16,6 bilhões.

Na tentativa de atender uma exigência do governo Obama para a produção de carros mais compactos e econômicos, a GM apresentou ontem o protótipo de um veículo de duas rodas elétrico desenvolvido junto com a fabricante Segway e denominado Puma, que as duas empresas elaboraram como resposta às necessidades de transporte urbano.

A Segway é a firma que desenvolveu e fabrica atualmente veículos elétricos de duas rodas que se mantêm em equilíbrio por eles mesmos graças a um sistema de giroscópios, já tendo lançado 60 mil unidades. Segundo a GM, o Puma permitirá que as pessoas “andem dentro das cidades com mais rapidez, segurança, limpeza e silêncio por um custo inferior”.

O nome nada tem a ver com o antigo carro esportivo brasileiro homônimo, mas sim com Mobilidade e Acessibilidade Pessoal Urbana (Puma, na sigla, em inglês).

As duas empresas disseram que o custo de operação do Puma deve ficar entre um terço e um quarto do que hoje custa um veículo convencional.

O Puma tem dois lugares, pode viajar a uma velocidade de até 56 km por hora e tem autonomia pequena, de apenas 56 km, antes de serem recarregadas as baterias, de íon-lítio, que alimentam dois motores elétricos.

Canadá

O governo do Canadá anunciou ontem medidas para dar garantias a quem comprar veículos de GM e Chrysler, e às empresas de autopeças, caso as duas montadoras se declarem em moratória. O anúncio foi feito pelo ministro da Indústria canadense, Tony Clement, para quem a situação do setor automotivo é “preocupante”. Para Clement, no entanto, o problema não afeta apenas as duas empresas. “GM e Chrysler são uma preocupação, mas estamos falando de todo um setor. Há 650 empresas no Canadá que fornecem peças a elas”, disse.

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