Queda nas vendas de veículos acirra concorrência em seguros

As companhias deverão intensificar os trabalhos para elevar o índice de renovação de contratos, lançando mão de descontos e promoções para fidelizar o segurado

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As principais seguradoras do País estão revisando as contas e as estratégias comerciais para o segmento de automóveis este ano em conseqüência das projeções desanimadoras sobre o desempenho da indústria automotiva brasileira. Preocupados com a perspectiva de desaceleração da produção e das vendas de veículos novos, vários executivos do setor disseram à Gazeta Mercantil que a disputa por novas apólices do segmento será ainda mais acirrada no período.

As companhias deverão intensificar os trabalhos para elevar o índice de renovação de contratos, lançando mão de descontos e promoções para fidelizar o segurado, além de investir mais em serviços e novos produtos e até partir para a guerra de preços, embora existam argumentos de que as empresas não contam com margem financeira suficiente para baixar o valor do seguro e que o mercado já chegou no limite em termos de precificação nos últimos dois anos, quando as taxas de expansão dos prêmios das apólices se mantiveram em dois dígitos.

O problema é que dificilmente a dinâmica dos anos anteriores será mantida em 2009. Alguns representantes da indústria automobilística esperam que as vendas de carros novos caiam de 2,8 milhões de unidades em 2008 para 2,5 milhões neste ano. Os prêmios dos seguros de automóveis começaram a experimentar redução com o agravamento da crise financeira internacional, passando de R$ 1,715 bilhão em setembro para R$ 1,463 em novembro – variação negativa de 14,69%. De janeiro a novembro do ano passado, entretanto, as vendas de cresceram 15,52%, para R$ 18,376 bilhões em prêmios, de acordo com dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep).

Revisão de planos

Para Jabis de Mendonça Alexandre, vice-presidente da área de automóveis da Mapfre, a comercialização de apólices ficará a reboque da indústria automotiva. “A diferença deste ano é que o cenário econômico de setembro de 2008 para frente mudou rapidamente. Veículo zero quilômetro alimenta o mercado de seguros. À medida em que o carro fica mais velho e o consumidor não o troca por um novo, ele também deixa de renovar seguro”, explica.

O executivo revela que a virada na economia influenciou os planos da quarta maior seguradora do País no ramo automóvel. “Em três meses tivemos que mudar toda a nossa estratégia. Esperávamos crescer 15% em 2009, refizemos as contas e agora buscamos produzir o mesmo que em 2007, o que é uma boa produção.” A Mapfre acumulou R$ 922,7 milhões em prêmios de seguro auto em 2007; até novembro do ano passado, a companhia espanhola acumula R$ 1,041 bilhão.

Para enfrentar o cenário controverso, a seguradora aposta em prestação de serviços. Um dos destaques é o investimento de R$ 50 milhões na construção de centros automotivos para o segurado realizar vistorias e revisões gratuitas, realizar perícia no veículo em caso de acidente e até retirar um carro reserva. Neste fim de semana, a Mapfre inaugura uma oficina na Barra Funda, região Oeste da capital paulista, com investimento de R$ 4 milhões.

A Bradesco Auto/RE, que ocupa o segundo lugar no ranking de seguro de veículos, atuará agressivamente na renovação de apólices. A estratégia para alcançar o objetivo passa pela utilização das mais de 3 mil agências do Bradesco em todo o País e da força do seu exército de corretores. “Num momento de retração do mercado, o bolo fica menor e a competição fica mais agressiva. Sairá na frente primeiro quem tiver maior capacidade de reter, e nós vamos investir muito na relação com nossos corretores e explorar nosso canal de distribuição”, diz Ricardo Saad, diretor-geral da Bradesco Auto/RE.

O vice-presidente da área comercial da Tokio Marine, Sérgio Camilo, mantém o otimismo. “O consumidor pode não comprar carro novo como vinha fazendo nos últimos anos, mas terá necessidade maior de proteger seu bem, e as empresas de seguros terão de agir com criatividade, inovar em produtos, procurar novos nichos e agregar em serviços.” Em abril, a seguradora lançará um produto customizado. “Será um produto mais simples, voltado ao cliente que busca um preço melhor e um seguro mais compacto. Ele poderá montar o seguro com as coberturas que escolher”, acrescenta Camilo.

Líder de mercado, a Porto Seguro pretende seguir a linha conforto, custo-benefício e agilidade, que inclui até consultas gratuitas no veterinário para o animal de estimação do segurado. “Concedemos rastreadores dependendo do perfil de risco, oferecemos serviço residencial, veterinário gratuito, carro extra por tempo indeterminado em caso de colisão parcial, socorristas de bicicletas, que chegam mais rápido que o guincho e descontos de 5% em pagamento com cartão Porto Seguro”, lista Marcelo Sebastião, diretor do ramo automóveis.

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