Logística busca diversificar contratos em 2009

No caso da Ceva, o novo contrato envolve cerca de 180 operações de transferências entre a fábrica da Santa Marina na capital paulista e a unidade de Canoas (RS)

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Os principais operadores logísticos do País ainda colhem os frutos do período industrial aquecido, anterior à crise financeira global, conseguindo garantir grandes contratos neste final de ano, em alguns casos por meio até de diversificação do portfólio de clientes, o que pode ser crucial para equilibrar as receitas no próximo ano. Um exemplo é a Ceva Logistcs, que tem sua principal base de negócios no setor automotivo, mas acaba de fechar um contrato com a francesa Saint-Gobain, para operações que envolvem a divisão brasileira Santa Marina, de utilidades domésticas. Já a Wilson Sons, que levou uma concorrência para atender a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) na movimentação de matérias-primas siderúrgicas, vê nova oportunidade de atuar para o recém-conquistado cliente.

No caso da Ceva, o novo contrato envolve cerca de 180 operações de transferências entre a fábrica da Santa Marina na capital paulista e a unidade de Canoas (RS). Para Paulo Franceschini, diretor de Desenvolvimento de Negócios da Ceva, trata-se de uma tendência dos negócios. “O contrato nos fez atingir o objetivo de diversificar o portfólio de clientes, avançando no segmento industrial”, comentou ele.

Ricardo Melchiori, que é diretor de Operações da operadora logística, lembrou que a empresa tem conseguido assumir outras grandes operações, como a que foi fechada com a Alcoa recentemente para o Maranhão. “Em alguns desses grandes clientes, conseguimos um pedaço da operação e pretendemos aumentá-las”, explicou.

Na Ceva, diversificar operações significa depender menos das operações no setor automotivo, sua principal fonte de receita, mas a empresa prefere não fazer projeções. “Na verdade qualquer comentário é especulação, estamos aguardando o primeiro trimestre de 2009. Mas concordo com que a diversificação é importante porque a crise afeta com intensidade diferente cada segmento”, analisou Melchiori.

A nova cliente Ceva atua em mais 70 países, mas tem forte presença nacional, especialmente com a Santa Marina. O contrato também envolve a Divisão Glass, em São Paulo, com a coleta de contêineres vazios nos terminais de Santos e Guarujá, para serem transportados à planta da fábrica em São Vicente. Globalmente, a Ceva ampliou seu faturamento 25%, no terceiro trimestre, ao fechar o período com receita de 1,7 bilhão de euros, na comparação com o mesmo período de 2007. A empresa comanda uma rede de mais de 100 países, e, depois da fusão com a EGL, elevou a receita global para mais de seis bilhões de euros.

Siderurgia

Depois de ser escolhida pela CSN para movimentar as matérias-primas da companhia na fábrica de Volta Redonda (RJ), a Wilson Sons Logística, vê uma possibilidade de ter outros negócios com a cliente. “O modelo de negócios com ganhos compartilhados está abrindo oportunidades em outros projetos com a CSN”, comentou Thomas Rittscher III, diretor executivo da Wilson Sons Logística, ao DCI. Rittscher contou que a nova operação pode surgir na área de cimentos e pode, ainda, impulsionar outras ações.

O executivo concordou em que a pulverização do segmento de atuação auxilia a minimizar os riscos financeiros, mas disse que as empresas buscam operadores de logística que conheçam os setores, e por isso é necessário ter um foco. “O siderúrgico é o mais forte, mas atuamos em papel e celulose, cosméticos, petroquímicos e agronegócios”, colocou.

A Wilson Sons atende, na área de siderurgia, os clientes Vallourec & Mannesman Tubes do Brasil, Gerdau, Villares, Teksid e Votorantim Metais. Em outras áreas, assegura portfólio com corporações como Merck, Cenibra , Monsanto Sementes, Petroflex, Xerox, Frangosul, General Electric e MRS Logística.

O Grupo Wilson Sons é especializado em serviços integrados em logística portuária e marítima, sendo o setor de logística contabilizou US$ 24,4 milhões de receita no terceiro trimestre deste ano, contra os US$ 18 milhões registrados do mesmo período anterior. O acumulado dos três trimestres de 2008 ficou em US$ 69 milhões no segmento – cerca de 45% de incremento em relação ao acumulado de 2007.

Liberação

Outra que segue a mesma trilha no atendimento a grandes corporações, a Log-In Logística Intermodal espera que sejam liberados em 2009 os US$ 167,9 milhões do Fundo da Marinha Mercante (FMM), do qual recebeu prioridade, e que garantirão a construção de dois navios graneleiros, para atender a operação que conquistou junto à Alunorte, prevista para iniciar-se em 2010. A operação envolverá a cifra de US$ 1 bilhão, recorde para o setor de cabotagem (navegação costeira). A previsão é de que sejam movimentados 120 milhões de toneladas de minério.

Operadores logísticos como Ceva Logistics e Wilson Sons ampliam atuação ao fechar contratos com empresas como a Santa Marina e a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). (Fabíola Binas – DCI)

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