Soja precisa de espaço

Grão de maior valor agregado em relação ao milho corre, num primeiro momento, risco de ficar a céu aberto, mas Conab confirma remoção em MT

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No ano passado, mais de dois milhões de toneladas de milho chegaram a ficar a céu aberto em Mato Grosso, por falta de espaço nos armazéns. Houve perdas, ainda não quantificadas pelos produtores. Este ano a safra começa com o mesmo problema, mas agora, a soja é a cultura ameaçada de ficar sem acomodação nos armazéns.

Para evitar este problema durante a colheita da soja precoce – cerca de 40 mil hectares, segundo estimativas da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Estado (Aprosoja) – a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) dá início na próxima semana à remoção dos estoques de milho dos armazéns para dar espaço à oleaginosa.

“Já estamos fazendo reuniões com os técnicos e na próxima quinta ou sexta-feira eles estarão viajando para o interior do Estado para dar a largada à remoção dos grãos”, informou ontem a gerente de Operações em exercício da Superintendência da Conab/MT, Suzane Corrêa.

Ela disse que esta será a maior remoção de milho realizada pela Conab nos últimos anos, em Mato Grosso. “Todo o processo para a remoção já está concluído e só estamos aguardando mesmo o momento para autorizar o início”.

No total, serão removidas 279,99 mil toneladas de milho de mais de 30 armazéns localizados em vários pontos do Estado. A produção irá para vários destinos – Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e o interior de Mato Grosso – e a remoção deverá ser concluída em um prazo de 40 dias.

O problema da falta de armazéns no Estado pode mudar a partir deste ano com a instrução normativa que estabelece os requisitos para a certificação de armazéns em ambiente natural e que passou a vigorar ontem.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a certificação propiciará a modernização das técnicas operacionais e profissionais no setor, minimizando as perdas que ocorrem nos armazéns e que chegam a 10%, dependendo da situação do armazenamento e do transporte dos grãos.

A certificação tem por finalidade adequar os armazéns aos requisitos obrigatórios da Conab e às conformidades técnicas dentro da armazenagem. Em todo o Estado são 2.156 armazéns. De acordo com a Conab, 391 são credenciados e precisam se adequar às novas regras para continuar a receber e armazenar os estoques governamentais.

Além de reduzir as perdas no processo de armazenagem, o Sistema Nacional de Certificação de Unidades Armazenadoras, coordenado pelo Mapa, servirá para garantir a qualidade dos produtos no mercado interno, melhorar o relacionamento entre os produtores, armazenadores e a sociedade, e aumentar a competitividade internacional do agronegócio brasileiro.

CADASTRAMENTO – A Conab concluiu a primeira etapa do processo de cadastramento e recadastramento de armazéns em Mato Grosso, com o objetivo de atualizar os números do Cadastro Nacional de Unidades Armazenadoras de todo o país. No último trabalho, realizado em 2007, Mato Grosso contava com 2.053 armazéns, com capacidade estática de quase 24 milhões de toneladas, representando aproximadamente 19% da capacidade total do país. A previsão do cadastramento é de aumento dessa quantidade no Estado. Hoje, o Brasil tem estrutura para estocar até 130,8 milhões de toneladas de grãos, sendo 79,5% a granel e 20,5% para armazenagem convencional.

O cadastramento na Conab é um dos requisitos obrigatórios da certificação. Para isso, todo armazém deve estar cadastrado na Companhia, ou seja, seus dados técnicos devem estar disponíveis no banco de dados.

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