Log-In quer driblar crise com rodovia e porto

O diretor presidente da companhia, Mauro Dias, disse que uma das frentes para minimizar a queda no comércio exterior em seu terminal marítimo operado no porto de Vila Velha (ES) é atrair cargas para exportação de portos próximos, como do Rio de Janeiro

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Mesmo não revendo os investimentos para o próximo ano e as estimativas de crescimento da operação, a Log-In Logística Intermodal se prepara para tempos difíceis em 2009. O diretor presidente da companhia, Mauro Dias, disse que uma das frentes para minimizar a queda no comércio exterior em seu terminal marítimo operado no porto de Vila Velha (ES) é atrair cargas para exportação de portos próximos, como do Rio de Janeiro.

Segundo ele, a estratégia é utilizar o braço rodoviário para levar cargas até o Terminal de Vila Velha. “Não sabemos ainda quanto o fluxo internacional irá cair no próximo ano. O que temos certeza é que haverá uma retração na economia mundial e por conseqüência o movimento no TVV. Com isso, vamos trabalhar com o rodoviário para atrair cargas, por exemplo de Minas Gerais com destino para exportação, para o terminal”, explicou Dias.

A operação rodoviária da Log-In foi iniciada em abril deste ano e ainda é inexpressivo o volume movimentado. Já o TVV, movimentou 70,88 mil TEUs no terceiro trimestre deste ano, representando uma queda de 7,7% em relação ao mesmo período de 2007, quando foram movimentados 76,77 mil TEUs. “Por isso, é importante aumentarmos tanto a participação do rodoviário quanto o movimento no TVV, ainda mais em tempos de crise. Temos outros segmentos que podemos melhorar a produtividade e nos proteger da retração econômica que está por vir”, disse Dias. Segundo ele, a Log-In trabalha com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil de 2% a 2,5%. “Não será fácil”.

Além da estratégia de aumentar a participação do braço rodoviário e do TVV, a Log-In estuda a adoção de ‘hedge’ para combustível já no próximo ano. “Será a primeira vez que vamos contratar essa operação”, disse Dias. O executivo explicou que o preço do combustível, bunker fuel, está sendo cotado a US$ 300 a tonelada. “No auge da crise do petróleo chegamos a pagar US$ 800 a tonelada e não podíamos repassar o aumento desse custo para o frete já que nos balizamos com o caminhão”, afirmou.

Segundo Dias, a empresa ainda não definiu qual será o preço definido para a contratação do ‘hedge’, mas que grande parte do consumo (70%) será protegido “Essa é a nossa maior parte, já que na operação no Mercosul temos a compensação do câmbio e não há a concorrência com o caminhão. Assim tenho que travar esse desequilíbrio com o frete rodoviário com os mecanismos que temos a disposição no mercado, como o hedge”, ressaltou o executivo.

Hoje, conforme Dias, o combustível representa cerca de 20% dos custos da área de navegação. “A variável não é tão impactante quanto as despesas com a movimentação nos portos brasileiros. Esse custo representa 30% de todo os nossos gastos com a operação da Log-In”.

“Tem que haver bom senso”

A maior parte das despesas é com o custo de movimentação e a espera por disponibilidade de berço para atracação nos terminais nacionais. “Por isso, a necessidade de se investir em terminais privados para minimizar estes gastos e diminuir a burocracia que existe na atividade”, ressaltou. Dias explicou que o navio de cabotagem segue as mesmas regras que uma embarcação de longo curso, de bandeira estrangeira. “Não faz sentido, eu que levo uma carga de Santos a Fortaleza, passar pelas mesmas regras que um navio que vem da Ásia. Tem que haver bom senso nessa regulamentação”, reclamou o executivo.

Além do TVV, a Log-In tem um projeto para construção de um novo terminal em Manaus. O investimento previsto nesse empreendimento é de R$ 200 milhões e a implantação deverá ser feita em 22 meses, após o início da construção. O terminal terá capacidade inicial para movimentação de 250 mil TEUs por ano e um calado de 15 metros de profundidade. O executivo acrescentou que, com o decreto que regulamentou os investimentos privados em portos público no Brasil, a empresa vai avaliar as possibilidades de licitação e investir em novos terminais. “Santos, por exemplo, é bem representativo em nossa operação, então se tiver oportunidade vamos participar com certeza”. (Ana Paula Machado – Gazeta Mercantil)

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