A Meta

O livro chama-se A Meta - Um processo de melhoria contínua de Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox, 2ª edição publicada pela editora Nobel em 2002, facilmente encontrado nas melhores livrarias

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Não sou um crítico literário e nem um produtor de resenhas, muito menos um estrategista. Sou apenas um profissional que busca excelência no que faço, sempre à procura de aprendizado. Aprender sim é o meu vício, minha melhor virtude. Então quero aproveitar este espaço para falar um pouco de um livro que acabei de ler e que me deixou fascinado. Aprendi tanto que a vontade de escrever se tornou incontrolável, e aqui estou.

O livro chama-se A Meta – Um processo de melhoria contínua de Eliyahu M. Goldratt e Jeff Cox, 2ª edição publicada pela editora Nobel em 2002, facilmente encontrado nas melhores livrarias. Esta foi uma indicação do amigo Martlei Sayão, do Rapidão Cometa, ao qual aproveito para agradecer.

A obra retrata a vida de um executivo muito comum nos dias de hoje. Um executivo parecido comigo, com você leitor, com todos que tem anseios por melhores resultados nas empresas, que lutam para motivar equipes, que buscam entender os motivos dos fracassos e aprender com eles, e que por toda a agitação de sua vida profissional, também tem problemas de relacionamento na família, mas que ao mesmo tempo não quer perder nada do que já foi conquistado, tanto no trabalho quanto no campo pessoal. Suas dúvidas são as mais comuns possíveis e estão em momentos ou formatos diferentes em todos nós.

A busca de Alex, principal personagem da história, é entender o porque a unidade que administra (uma fábrica), seguindo todos os regulamentos e normas do grupo, não tem um salto de qualidade e sempre está cheia de pedidos atrasados. Apesar do cenário profissional ser uma indústria, é facilmente adaptável a realidade de qualquer empresa de qualquer ramo de negócio. Afinal, quantas vezes sentimos a sensação estranha de fazer tudo certo, mas os resultados nunca são os que esperamos?

Com a pressão do conselho de fechar a unidade em alguns meses, Alex se vê obrigado a encontrar uma saída. Mas qual? Pois os atrasos e problemas são tamanhos que ele e sua equipe (desmotivada) não conseguem encontrar uma saída. Até que um dia ele encontra Jonah, um professor de física, que atua como consultor em várias empresas e que realmente ensina a “pescar”, e não dá o peixe (de jeito algum). Mas como um físico pode entender tanto assim de negócios?

Como ele pode resolver tantos problemas de forma tão simples?

Com os ensinamentos de Jonah, Alex consegue pensar em processos até numa simples caminhada com garotos, que foi forçado a fazer para pagar uma dívida com seu filho. Aquela fila de garotos, de repente, virou uma seqüência de processos que estava lenta por causa de gargalos. Começa aí a tal Teoria das Restrições. Transformar gargalos em não-gargalos se tornou uma obsessão para o Alex e a equipe, e a luz no fim do túnel começa a aparecer. Mas outro assunto importante para Alex estava sendo deixado de lado. Sua mulher resolve dar um tempo e sai de casa, pois entende que seu marido não lhe dá a atenção que gostaria. Com tantos problemas, uma indagação incomodava Alex: se dedicar a família ou salvar a fábrica? Acredito que esta dúvida já esteve em algum momento na cabeça de todo executivo. Se não foi o seu caso, parabéns, mas saiba que isso é normal para a maioria dos humanos.

Com mais algumas conversas e encontros com Jonah, Alex e sua equipe são instigados a pensar numa coisa que há muito não se lembravam. Johah insiste na pergunta: Qual é a meta da sua fábrica (empresa)? As respostas da equipe são várias e sempre dentro do velho esquema:

  • atender aos clientes sem atrasos
  • atender aos indicadores da Matriz
  • gerar estoque para pedidos a pronta entrega
  • atender aos anseios da Diretoria e Conselho
  • manter os trabalhadores e máquinas sempre ocupadas para elevar os indicadores de produtividade
  • ter lucro em 100% das vendas
  • etc, etc, etc,

Para entender como estas respostas são normais, faça um teste com seus funcionários. Verá que a diversidade de resposta é ao mesmo interessante e absurda. Verá a quantidade de pessoas (de todos os escalões) que não sabe qual a meta da sua empresa. Alguns saberão até a história, como a empresa foi criada, seus primeiros gestores e outros detalhes, mas não se lembrarão ou não darão importância para o principal: o objetivo maior de seu fundador, seus princípios e valores. E provavelmente esquecerão de responder que a meta de toda a empresa é a mais simples de todas: ganhar dinheiro e cumprir seu ideal social.

Como são pessoas normais, Alex e sua equipe demoram um pouco para chegar a esta conclusão, e é exatamente a partir deste ponto que eles começam uma saga deliciosa em busca do ganho, do inventário ideal e da menor despesa operacional para atingir a meta. Meta esta estabelecida por eles próprios, pois seus chefes não gostavam muito dos números que estavam vendo e cobravam com veemência o aumento da produtividade. Além de ter que descobrir tudo com a ajuda de sua equipe, Alex ainda tem que administrar os conflitos com sua esposa, que em determinado momento estava decidida a se separar. Nada fácil esta vida de executivo.

Apesar de conquistar grandes melhorias, a conclusão da equipe de Alex é que se a fábrica melhorar ainda mais poderá acabar com seus pedidos atrasados e ainda conquistar vários outros pedidos. Então, recorrem novamente a Jonah, que novamente usa o método socrático de dar respostas fazendo perguntas. Alguns membros da equipe se irritam e pensam em desistir, mas Alex consegue mantê-los e juntos vão trabalhando e pensando muito. Até que chega um determinado momento que realmente os pedidos estão sendo entregues em dia, e se pode pensar até em diminuir o lead-time e ainda aumentando as vendas.

Bom, vou terminar a narrativa da história por aqui, pois a partir deste ponto entra um processo de melhoria, ou seja, criam outros desafios e vão em busca daquilo que precisam melhorar, para atingir um novo objetivo. Daí o subtítulo “um processo de melhoria contínua”.

O que mais gostei desta obra foi a forma como o autor abordou o dia-a-dia de um executivo e as soluções encontradas por ele. Com bom senso e homogeneidade nos conceitos, as soluções mais simples se mostraram as mais adequadas. Outro ponto que ficou provado foi a necessidade de se conhecer a fundo o negócio, ir para o chão de fábrica e ver como a coisa funciona. Ter o domínio de todos os processos. Saber separar muito bem aquilo que é realmente focado no negócio daquilo que é apenas perfumaria. Analisar se a tecnologia está sendo usada de forma adequada e focada naquilo que realmente interessa. Tudo isso não é nada mais que bom senso.

Se você não gostar de pensar, recomendo não ler o livro, pois lendo-o várias questões ficarão lhe incomodando:

  • Sei realmente qual é a meta da minha empresa?
  • Conheço todos os processos (pelo menos da minha área) com domínio?
  • O que eu faço está realmente ligado com o negócio da empresa?
  • Utilizo os recursos de forma plena ou tenho por ter?
  • Minha equipe está motivada para pensar?
  • Estabeleço canais para receber propostas de melhorias?
  • Qual é o conceito que os clientes e a sociedade têm sobre minha empresa?
  • Os indicadores servem para dar sustentabilidade ao negócio ou apenas para preencher belos formulários?
  • Temos colaboradores com a “Síndrome do Pato”?

Gurus como Jonah só aparecem em histórias e filmes. Quando conseguimos conhecer um, temos que vender a empresa para pagar seus honorários. Mas será que realmente precisamos de gurus para nos dizer aquilo que já sabemos?

Precisamos deles para ativar o bom senso?

Está vendo? Após ler o livro, o método socrático, a reflexão e o vício de aprender ficam aguçados. Se você não gosta disso, não leia o livro. Ou talvez valha a pena lê-lo apenas para saber se Alex resolveu o problema com a esposa.

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